[[legacy_image_279766]] Li certa vez que a convicção de que ao noivar era preciso comprar um anel que custasse os olhos da cara teria nascido de uma campanha de marketing - eu acredito, já que o mundo é mesmo uma grande central de vendas. Bom, um fabricante de diamantes teve essa brilhante (sem trocadilho) ideia durante a Grande Depressão, no início dos anos 1930. Deu certo, mesmo que hoje os diamantes sejam mais raros e um aro de ouro seja o bastante para simbolizar o casal como um elo inquebrável. A inscrição dentro, gravada para a eternidade, sela o compromisso. Há outra história, que remonta a 1477, quando o arquiduque Maxiliano, da Aústria, presenteou Mary Burgundy com um anel de diamante. A pedra valiosa representaria a solidez do relacionamento. Poeticamente, na Grécia Antiga, alguns entoavam que os diamantes eram estilhaços de estrelas que chegaram à Terra. Outros que eram as lágrimas dos deuses do Olimpo. O uso da aliança de compromisso remonta a muito antes. Surgiu, provavelmente, de um costume hindu, simbolizando a união. Assim, por meio de um anel de forma circular, sem começo nem fim, representa-se a o amor contínuo. Achei isso bonito. A própria palavra aliança, por si só, significa um acordo, um pacto entre as duas partes. Falando assim, perde-se até um pouco do encanto. No mês passado, um casal passeava pela orla santista quando viu algo brilhar. Era uma aliança. Estava ali à espera de ser achada. Camuflada em um cenário que tem sido, desde muito tempo, testemunha do início e, certamente, do ponto final de muitos romances. Eles pegaram o objeto e leram a inscrição: a data e um nome de mulher. Começaram, então, uma busca, ainda infrutífera, para encontrar o dono do dedo, que supostamente perdeu o anel. Sim, a gente pode pensar um bocado de coisas de como ela foi parar ali. Ele a jogou deliberadamente ou ela caiu sem intenção? Será que foi tirada porque estava apertada? Ou foi para a pessoa se passar por solteira? Ou, meramente, o suor de um dia quente deste veranico de junho fez o anel escorregar? Ou, intencionalmente, a aliança foi jogada ali? São muitas variáveis. Símbolos são tão fortes que podem nos ajudar na conexão e também a deixar para trás. Desfazer-se da sua aliança após a separação é um desses rituais transformadores, do mesmo modo que colocá-la, em um compromisso de amor, é mágico e marcante. Ao se separar, uma amiga decidiu jogar no mar, mesmo que o anel pudesse valer alguma coisa no ‘prego’. Eu, prática e aquariana sem coração, falei para ela derreter ou vender. Como resposta, tive dois olhos arregalados e um sonoro não. Casamentos são puro suco de rituais. Não sei se é verdade, mas conta-se que foi na Roma Antiga que surgiram as madrinhas vestidas iguais. O intuito era confundir os espíritos malignos. O véu da noiva é consequência dos casamentos arranjados, quando não queriam que o noivo visse a noiva até o momento que não pudesse mais desistir. Terrível que a noiva, por sua vez, tinha que aceitá-lo mesmo que fosse um traste. Fato é que esses ritos não seguram um casamento. Podem até fazer parte de um cerimonial repleto de sonhos e do imaginário do que é ser feliz. Mas, o elo inquebrável e contínuo vem de sentimentos e atitudes, do tipo que não se pesa em ouro e cujo valor nem se calcula. Lembrete: se alguém perdeu a aliança no jardim da praia de Santos e acha que pode ser a encontrada pelo casal Sandra e Gino, pode enviar um e-mail para maransaldi@uol.com.br.