[[legacy_image_91701]] A chegada da geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) à vida adulta e à adolescência trouxe uma série de novas expressões à tona. Na Internet, ambiente onde esse público domina, os usuários desse grupo popularizaram nos últimos meses um assunto polêmico: o rótulo cringe para as gerações passadas. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Para quem ainda não entendeu a expressão, o cringe utilizado pelos jovens nada tem a ver com a tradução fidedigna da palavra inglesa. No Dicionário Oxford Escolar para estudantes brasileiros de inglês, a palavra vem do verbo (to cringe) e significa: encolher-se (de medo). No entanto, o mesmo dicionário classifica o termo como ‘morrer de vergonha’ (sentido figurado), algo mais próximo do usado pela geração Z. Para esclarecer de uma vez, o cringe utilizado por aqui para descrever algo visto como brega, ultrapassado, fora de moda ou até uma vergonha alheia. Mas você pode estar se perguntando: o que pode ser classificado assim por esses jovens? As respostas são variadas. Elas são de usar sapatilhas, pagar boletos de papel, usar calça skinny e até tomar café da manhã. E no trabalho, será que podemos pensar em atitudes consideradas cringe? Ainda mais num contexto onde o home office trouxe uma série de novos hábitos, como saber o que é ou não é brega, ou ultrapassado? Será que estão liberadas situações do tipo fazer uma call de pijama e almoçar enquanto rola uma reunião? Para o consultor, fundador e presidente do Grupo Empreenda, Cesar Souza, ‘cringe’ no trabalho é todo ato que seja inadequado. Ele explica que, ao entrar em uma empresa, você descobre qual é a cultura daquele lugar. “Algumas companhias permitem que se trabalhe de bermuda e tênis. Outras são mais tradicionais. Por isso é fundamental saber onde e para quem você está trabalhando.” Considerado um dos “200 Global Leaders for Tomorrow” pelo World Economic Forum, em Davos, na Suíça, Cesar Souza afirma que a geração Z não é a primeira a criar uma expressão para criticar costumes passados. “Lembro da minha geração chamando de “boco moco” as pessoas da geração anterior. Também havia a insinuação de que “fulano não é nenhuma Brastemp, mas resolve”, quando queria elogiar parcialmente um profissional ou um relacionamento afetivo. InquietaçãoManter um jovem em um mesmo cargo da empresa não é fácil. A inquietação da juventude e o anseio pelo crescimento profissional faz com que esse novo trabalhador procure um outro emprego antes mesmo do patrão pensar em avaliar se está sendo produtivo. Para o consultor, é quase impossível fazer com que o jovem seja membro vitalício dentro de uma mesma empresa, mas é possível traçar estratégias para que ele seja seduzido a ficar. “É preciso ter empatia e inteligência emocional. Esses dois itens são fundamentais. Sem eles, o jovem pode enxergar esse líder como prepotente, ultrapassado e conservador, provocando um rápido pedido de demissão.” Assim como um negócio, um líder também precisa de constante atualização. Segundo César Souza, cringe é aquele chefe que acredita saber de tudo porque tem experiência no mercado de trabalho ou que se considera perfeito, ou seja, nunca erra. “Na verdade, o patrão também sai ganhando. A vontade de crescer que o jovem carrega é muito grande. Um bom líder reconhece esse sentimento e o utiliza em prol da empresa.” Ninguém quer dar motivo para ser chacota dos amigos. No ambiente profissional, isso se potencializou nos últimos anos. Com a disparada da taxa de desemprego, muitos acabaram tomando um cuidado extra para que o nome não fosse parar na boca da chefia ou do RH. Mas e se isso acontecer, como lidar? A headhunter e psicóloga, Kathia Lopes aponta que nem tudo é sinal para desespero e que há situações que podem ser contornadas. “Principalmente para quem está no home office, não há como esconder episódios da vida real. O cachorro vai latir, a criança vai gritar e uma obra vai começar. Não há como fugir disso e com o longo tempo da pandemia todos já se acostumaram a ver essas situações. São coisas que não chocam mais.” Outro incidente como no home office foram as ligações repentinas durante o expediente. Para Kathia, o profissional pode evitar uma saia justa enviando primeiramente uma mensagem de texto ao seu colega de trabalho perguntando se pode ou não ligar. A psicóloga lembra que nem todos almoçam no mesmo horário e uma mensagem prévia, além de ser mais educada, impede qualquer constrangimento. A headhunter explica ainda que cada vez mais as empresas estão procurando informações do trabalhador. Kathia Lopes conta que muitas companhias vasculham as redes sociais dos seus funcionários para saber quais conteúdos estão compartilhando. “Isso acontece! Por isso devemos ficar atentos a nossa postura além das reuniões. Mesmo sendo um perfil pessoal na rede social, ter um cuidado extra não é exagero para não comprometer a vida profissional.” Veja agora uma lista de atitudes e crenças apontadas por César Souza e Kathia Lopes como ultrapassadas no mercado de trabalho: - Baixo grau de inteligência emocional; - Incoerência entre o que diz e o que faz; - Achar que liderança se passa por DNA (dar o controle dos negócios aos filhos sem que eles não demonstrem que mereceram); - Ser inflexível; - Ser preconceituoso; - Cobrar só resultados quantitativos e não qualitativos; - Mau humor constante; - Marcar reunião na hora do almoço; - Ligar para alguém sem avisar antes; - Esquecer o microfone ligado e falar mal de um chefe ou colega de trabalho em uma call; - Fazer reunião de pijama / Almoçar durante uma reunião (estar ciente a cultura da empresa. Algumas são mais flexíveis e permitem); - Falar só de trabalho, demonstrando pouco conhecimento de assuntos diversos como esportes, artes, culinária etc.