[[legacy_image_23777]] Um dos jogos mais icônicos de todos os tempos, que ajudou não só a popularizar como a definir a linguagem dos RPGs nos videogames, Final Fantasy VII teve a primeira parte do seu remake lançada para o PS4, com legendas em português. É preciso dizer, especialmente para os fãs que tanto aguardavam o game – alguns com um certo receio –, que o jogo deixa a sensação de que valeu a pena esperar durante anos, pois, além de contar com gráficos lindíssimos, o remake atualiza o sistema de controles de uma forma satisfatória (sem perder a essência) e se mostra fiel aos principais acontecimentos da história original, acrescentando momentos e personagens inéditos, que apenas aumentam a riqueza, a magia e a grandiosidade de um enredo que já era nota dez. É fato: quando a Square Enix anunciou que ia dividir o jogo em mais de uma parte, para não ter de resumi-lo (por enquanto, não se sabe quantas serão no total, muito menos a data de estreia da próxima), isso abriu margem para vários questionamentos, ainda mais que o primeiro game se concentra somente no que ocorre na cidade de Midgar – trecho menos interessante da versão original, ao meu ver (completei o título de PS1 com cerca de 120 horas de gameplay). Mas, acredite, a equipe responsável pelo remake conseguiu fazer um belo trabalho ao transformar a menor parte da saga de Cloud e cia. (em torno de 10% do enredo na íntegra) em um jogo com 18 capítulos e mais de 30 horas de duração (podendo chegar a 40 se você não pular nada). Flashback da infância de Tifa e Cloud, cena recorrente no original (Reprodução) A maioria do game possui uma dinâmica envolvente, um ritmo bacana. Porém, alguns trechos poderiam facilmente ter sido descartados ou encurtados, para evitar “barrigas” desnecessárias, como quando Cloud e Aerith percorrem um caminho alternativo para o setor sete da cidade, com três puzzles sequenciais bem repetitivos, utilizando braços robóticos. Mesmo assim, no geral, o jogo cativa, encanta e, inclusive, proporciona uma experiência na medida do possível diferente e com doses de frescor para quem já conhece o RPG de 1997. Mais denso A estrutura básica da história continua intacta: o mercenário Cloud se une ao grupo ecoterrorista Avalanche para derrubar a Shinra, corporação “dona” de Midgar que ameaça o futuro da humanidade ao extrair a energia vital do planeta para a produção de bens industriais, armas e a geração de energia. O game se encerra logo após o setor sete da cidade ser destruído; Cloud, Barret e Tifa invadirem o QG da Shinra e, na sequência, abandonarem Midgar – além de comandar os três, dá para controlar Aerith; sem falar que Red XIII faz uma participação na reta final do jogo. [[legacy_image_23778]] A decisão da equipe de desenvolvedores de focar a primeira parte do remake numa Midgar “ampliada” acaba por antecipar algo que, no RPG original, somente acontecia quando a trupe de Cloud deixava a cidade para trás: agora, a história de cada um dos quatro heróis é apresentada – e detalhada com a merecida densidade – desde o início do game. Tem mais: enquanto no jogo de 97, o carismático vilão Sephiroth dava as caras apenas depois da etapa de Midgar, no remake ele aparece do começo ao fim. Junto a isso, personagens que antes eram inexpressivos ganham espaço. Entre eles merecem destaque Jessie, Wedge e Biggs, do grupo Avalanche – não se surpreenda se você se pegar torcendo pelos três e ficar triste com o que ocorre com eles. Para completar, há personagens estreantes, como o soldier Roche, com sua moto turbinada, e Chadley, estagiário da Shinra que auxilia Cloud e cia. elaborando as tradicionais matérias (cristais que ativam habilidades), com base em informações coletadas nas batalhas. A casa de Aerith ficou com visual impressionante no remake (Foto: Reprodução) Outras novidades Você deve estar se perguntando o que mais permite que a primeira parte do remake dure tanto. Embora a história flua de forma linear, no decorrer da aventura também pode-se curtir mais algumas novidades. Por exemplo: colecionar LPs com músicas da trilha sonora original de Final Fantasy VII, gastar um tempo com minigames como o de dardos do Seventh Heaven (bar de Barret e Tifa) e cumprir missões secundárias, em que Cloud é contratado pela população de Midgar para solucionar problemas variados. Aí, ao fechar o jogo, quem quiser ainda pode testar um novo nível de dificuldade ou, então, revisitar os capítulos para fazer coisas que haviam ficado para trás. [[legacy_image_23779]] Dinâmica das batalhas Mais um trunfo do remake é a modernizada que houve no sistema das batalhas, sem tirar a sua essência. As lutas combinam a dinâmica de turnos do Final Fantasy VII original com aspectos presentes nos RPGs atuais, principalmente a questão mais tática e a pitada de hack and slash (pancadaria, combate corpo a corpo). Tudo fácil de entender e pôr em prática. Assim, você não se limita só a dar comandos e esperar o resultado deles. Fica o tempo inteiro com a mente e as mãos ativas e pode alternar o controle dos personagens da sua equipe quando desejar. Ah... Muita gente vai gastar um tempo na opção de aperfeiçoamento das armas, tentando melhorar a performance nas batalhas. No que se refere às summons (invocações de seres mágicos), elas passaram por ajustes: no game original, a criatura apenas surgia para aplicar um golpe impactante; no remake, ela luta ao seu lado por um período e, quando o timer indica que deve ir embora, dispara um poderoso golpe de saideira.