[[legacy_image_59886]] Em uma rápida procura na internet, você pode encontrar patologias raras, de nome estranho ou até mesmo difíceis de diagnosticar. Nessa busca, você pode ainda achar enfermidades que assustam pelos seus nomes rebuscados, como a onicocriptose, que nada mais é do que o nome científico da unha encravada. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A chegada do inverno divide opiniões seja lá onde for. Nas redes sociais, o seu feed certamente já teve ou ainda terá postagens de amigos dizendo que amam ou detestam a estação mais fria do ano. Os motivos para odiar o inverno são os mais diferentes e plausíveis possíveis: eles vão das complicações respiratórias até a depressão sazonal. Além das famosas “ites” (rinite, sinusite e conjuntivite) que costumam aparecer nessa época, outras síndromes pouco populares também surgem com frequência. Esse é o caso do Raynaud. Classificado como doença crônica por parte dos médicos, como síndrome por alguns e como fenômeno por outros, o Raynaud tem um diagnóstico nítido e tátil. Sabe aquela pessoa que sempre está com a mão gelada? Repare também se os seus dedos estão esbranquiçados ou arroxeados. Se a resposta for sim, esse é um possível paciente com Raynaud. “Trata-se de um fenômeno bem frequente, quase sempre por exposição ao frio, mas também tem como gatilho o estresse. O paciente chega com os dedos dos pés e/ou das mãos pálidos, o que pode provocar ainda dormência ou formigamento dessas partes do corpo”, conta o reumatologista Guilherme Zager. O médico explica ainda que essa complicação é provocada por uma disfunção das artérias, que acabam comprimindo e levando menos sangue para as extremidades do corpo. Para que o diagnóstico seja preciso, é fundamental que um médico analise o caso. Isso porque os sintomas do Raynaud podem ser confundidos, por exemplo, com uma mão mais gelada do que o comum, provocada após lavar aquela louça no fim da noite. Para que não haja essa confusão, Zager reforça a importância de observar o tom da pele. “Essa confusão é bem comum. Por isso, recomendo que o paciente fotografe as mãos e os pés se perceber que eles estão pálidos. Essas imagens nos ajudam a dar o diagnóstico na hora da consulta médica”. Ainda de acordo com o reumatologista, a síndrome costuma atingir mais as mulheres que estão na vida adulta (dos 20 aos 45 anos). Segundo Guilherme Zager, mesmo acometendo mais pessoas do sexo feminino, o Raynaud é comum também em homens da mesma faixa etária. Risco maior para fumantes “Oitenta por cento dos casos de Raynaud são quadros leves e sem muita gravidade”. A análise é da dermatologista Darlene Polito, que acompanha de perto há anos pacientes que se queixam do fenômeno. Por outro lado, a médica ressalta que, para os fumantes, essa estatística precisa ser desconsiderada. Darlene explica que o tabagismo, além de todos os males pulmonares amplamente conhecidos, também afeta o sistema cardiovascular. “Se um fumante é diagnosticado com essa doença, ele precisa parar de fumar imediatamente. A nicotina altera os vasos sanguíneos, piorando a disfunção gerada pelo Raynaud”, alerta a médica. Para ela, um fumante que ignora o alerta para parar com o vício corre alto risco de ter uma trombose. “Se essa pessoa já tinha vários motivos para largar o cigarro, ela ganhou mais um com o diagnóstico do Raynaud”, afirma. A médica acrescenta que esse alerta também é válido para 20% das pessoas que têm a síndrome. “Faz parte desse grupo o paciente que já possui uma outra doença pré-existente, como uma esclerose sistêmica ou lúpus. Nesse caso, o Raynaud vem de uma forma secundária, agravando ainda mais o quadro”. Nesse cenário, a profissional aponta que é de suma importância que o paciente comunique ao médico que luta contra outra doença para que o tratamento da síndrome seja feito da melhor forma. “É preciso estar atento, porque em casos extremos a pessoa pode ter uma gangrena ou ter que amputar o dedo”, diz Darlene. Aquecer é a solução O Litoral Paulista como um todo não costuma registrar um frio rigoroso mesmo no inverno. Só que os médicos apontam que algumas pessoas da região têm grande sensibilidade ao frio e podem ser diagnosticadas com o fenômeno. “Como 80% dos casos são leves, recomendo evitar a exposição ao frio e cobrir as extremidades. Seja com luvas nas mãos ou meias nos pés. Aquecer é um modo de tratar o Raynaud”, conta o reumatologista Guilherme Zager. Caso os sintomas não sejam controlados com o aquecimento do corpo, o uso de medicamentos surge como solução. “Recomendo os vasodilatadores. Mas é fundamental que o médico receite esse remédio, porque esse grupo de medicamentos tem benefícios e riscos. Então, é muito perigoso esse paciente se automedicar”, conclui a dermatologista Darlene Polito.