[[legacy_image_39625]] Quando entrou na casa do Big Brother Brasil (BBB) na histórica edição do ano passado, Babu Santana tinha medo de comprometer tudo o que havia construído na profissão, com trabalho árduo. Mas, para sua surpresa, o reality o tornou conhecido de tal forma, que trouxe uma série de oportunidades para ampliar a sua carreira – na qual procura conciliar a interpretação com a música. Prestes a voltar à telinha da TV Tribuna/ Globo, nos capítulos inéditos da novela Salve-se Quem Puder, Babu dá um passo importante na cena musical: está lançando o selo Paizão Records, para ajudar a promover novos talentos do rap, do funk e do trap. Na entrevista a seguir, o carioca, de 41 anos, diz que, por mais que já tenha pensado em desistir da carreira artística diversas vezes, só não fez isso por causa dos três filhos. O quarto colocado do BBB 20 também analisa a edição atual do programa, que termina nesta semana, e declara o amor pela comunidade em que nasceu, o Vidigal. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! BBB Você foi o quarto colocado da última edição do Big Brother Brasil, que foi histórica. Qual o balanço que faz da sua participação no programa? Foi tudo muito mágico. Quando entrei no Big Brother, tinha bastante medo de perder o que havia conquistado aqui fora, por preconceito e coisas afins. Mas, à medida em que o jogo foi avançando, se tornou algo divertido e interessante. Para mim, o BBB foi uma pesquisa antropológica bem grande – de tolerância, respeito, sagacidade e empatia. Sempre fui de observar o programa, e o que me chamava mais a atenção era justamente a questão psicológica. No meu caso, toda vez em que me entregava mais ao jogo, aquilo era mais satisfatório ainda. Digo para as pessoas que trabalham comigo que, em primeiro lugar, devemos satisfazer a nós mesmos, pois, se a gente não consegue se satisfazer, não vai ter como satisfazer ninguém. Como foi quando saiu da casa? A repercussão do Big Brother foi surpreendente, eu fiquei maravilhado. O programa fez com que as pessoas tivessem bastante acesso à minha carreira. Isso me trouxe a possibilidade de ampliar o meu trabalho. O BBB me apresentou devidamente para o Brasil e espero que consiga retribuir todo o carinho que tenho recebido. Acompanha a edição atual? Claro! Sou Camilla (de Lucas) até morrer. Minha torcida também vai para o Gil (do Vigor). Vou te falar que a minha final dos sonhos seria Camila, Gil e João (Luiz). Hoje, torço muito para que os três finalistas sejam Camilla, Gil e Juliette (Freire). Acho difícil tirar o título da Juliette, só se ela fizer uma besteira muito grande. O BBB de que você participou teve uma pegada bem diferente do programa deste ano, concorda? Sim, o Big Brother 21 foi uma montanha-russa de sentimentos; o público chegou a ficar com as emoções à flor da pele por causa do que certos participantes fizeram. Sabe algo que me chateia bastante no programa? Eu não entendo o motivo de o público, às vezes, tirar logo as figuras mais interessantes. Por exemplo, no BBB 11, eu queria que a Ariadna (Arantes, que vai participar do novo No Limite) tivesse ficado mais tempo na casa. Apenas peço para que as pessoas não levem as coisas para o coração. O programa é um jogo; os participantes são expostos a situações que normalmente nenhum de nós experimentaria aqui fora. Também acredito que todo mundo que passa pelo Big Brother dá uma mudada, sai um ser humano diferente. Paternidade No BBB, o público também conheceu melhor o seu lado pai. Mudou muito depois que teve a Laura (18 anos), o Carlos (17) e a Pinah (5)? Com certeza. Era para eu ter sido pai bem cedo, mas aconteceu que a minha namorada na época perdeu o bebê. E isso ficou bastante latente... Aí, quando veio a Laura, eu estava no início da minha carreira, fazendo os primeiros filmes. Foi algo muito louco. A Laura, o Carlinhos e a Pinah sempre me deram a força de que precisei. Toda vez em que pensei em desistir, inclusive do Big Brother, lembrava deles, que são a minha fortaleza, e seguia adiante. Então, já cogitou desistir da carreira artística? E como! A última vez em que pensei nisso foi semana passada. A Fernanda Montenegro disse, numa entrevista, que a gente tem que tentar desistir e, se não conseguir, aí sim deve se preparar, estudar. Eu tento desistir sempre, mas não consigo. A paixão fala mais alto. Acho que a minha vida não teria sentido se não fosse a arte. Novela Você foi escalado para os capítulos inéditos de Salve-se Quem Puder. O que pode adiantar do seu personagem? Eu faço o Nanico, um policial federal que vai entrar na trama para ajudar na segurança das protagonistas. Ele deve aparecer a partir do finalzinho de maio, quando começarão a ser exibidos os capítulos inéditos. Posso adiantar que a novela vai continuar a ter bastante humor e que haverá algumas surpresas. Por exemplo: do capítulo final, eu só sei até agora a minha parte. A produção teve o cuidado de entregar para a gente do elenco apenas os textos que cada um iria gravar. Como passei a ter sintomas de covid-19 justo no último dia de trabalho, não fiz a cena do casamento e fiquei sem saber com quem cada personagem iria ficar na conclusão do enredo. Música [[legacy_image_39626]] E como surgiu a ideia para criar o selo Paizão Records? Ele nasceu da pesquisa que eu estava fazendo para introduzir o trap no meu segmento musical – costumo tocar soul com a minha banda, a Babu Santana e os Cabeças de Água-Viva. Com a pandemia, comecei a sentir a necessidade de ter um lugar amplo, para poder produzir material com segurança. Já que não posso fazer peça de teatro, nem show, resolvi criar músicas dentro da minha casa, no meu home studio, e ofertar isso para o público. Convidei algumas pessoas para participar do processo; elas ficaram dois, três meses morando na minha casa e trabalhando arduamente. O selo Paizão Records, portanto, é uma espécie de cooperativa. Pretendo apresentar esses artistas e novos parceiros um a um; a galera vai se impressionar com os talentos que eu consegui reunir. Já tem muito material pronto? Estamos com 15 músicas finalizadas e cinco clipes em fase de edição, que foram gravados na minha casa e no apartamento que aluguei. Nossa primeira faixa, Prioridades Pra Quem?, foi lançada nesta semana. Ela foi gravada por mim, pelo Lacerda, MC Estudante, Kowl e Manu. Como faço parte do júri de um festival de rap do Rio de Janeiro, voltado para cantores iniciantes, de 12 a 17 anos, pretendo produzir material também com os artistas que se destacarem nele. Origens O que veio primeiro: a interpretação ou a música? Agora, eu vou te surpreender: eu comecei dançando. Mas entendi que isso não era para mim. Desde que nasci, sempre vivi cercado por muita cultura, política e arte. Minha tia era professora; meu tio, poeta. Hoje, em casa, eu tenho alguns quadros – uma pintura, inclusive, é da minha mãe. Por mais que eu vá cantar, dançar ou dirigir, vejo tudo pela óptica do ator, que é a minha essência. Me considero, acima de tudo, um comunicador, que transita entre as mídias para levar a sua mensagem até o público. Quando teve certeza de que ia seguir carreira artística? Lembro que, quando eu tinha 6 anos, a minha tia me levou ao teatro e fiquei observando um ator que estava vestido de cachorro. Perguntei o que era aquilo e, depois que ela me explicou do que se tratava, tive consciência de que aquele seria o meu destino. O seu pai não trabalhou na Rede Globo? Sim, ele era agente patrimonial da Globo e ficava responsável pelos crachás, controlava quem podia entrar. Com frequência, eu ia visitar o meu pai no Jardim Botânico, onde ficavam os estúdios das novelas, e no Teatro Fênix, local em que eram gravados os programas com plateia, como o da Xuxa, o dos Trapalhões e o do Faustão. Era o maior barato! Eu achava a coisa mais chique do mundo quando o meu pai era escalado para trabalhar nas externas. Jamais vou esquecer da época da novela Tieta: vi a Betty Faria e congelei! Fora isso, alguns atores e músicos moravam ao redor da casa da minha família, no Vidigal: o Lima Duarte, a Vera Holtz, a Regina Casé, o Cazuza... Aí, quando eu tinha 12 anos, fiz uma peça para projeto da escola e tudo começou. Na sequência, entrei para o grupo de teatro Nós do Morro, que produziu diversos musicais, o que despertou a minha paixão pela música. A gente tinha aulas de canto, dança, circo. Vários colegas da companhia tocavam algum instrumento. Eu mesmo, apesar de não tocar profissionalmente, sei fazer percussão. Toda essa base que adquiri no Nós do Morro foi essencial mais tarde, ao interpretar o Tim Maia no cinema. Favela Ainda mora no Vidigal? Vivi 35 anos lá. Depois de ter filhos e me separar, decidi mudar, pois sofria preconceito por morar na comunidade e, quando precisava voltar mais tarde, acabava passando por alguns transtornos. Como em qualquer favela, convivia com a violência e o tráfico. Quando faltava luz, às vezes era por causa de tiroteios e demorava para o serviço ser restabelecido... Graças às minhas conquistas profissionais, fui atrás de um pouco mais de tranquilidade e, há cerca de cinco anos, comprei casa em um lugar pelo qual sempre fui apaixonado: a Ilha da Gigóia – eu achava que só conseguiria realizar o desejo de morar nessa área só quando estivesse velhinho. Mantém contato com o pessoal do Vidigal? Sem dúvida! Estou, inclusive, reformando a minha casa do Vidigal, para ver se consigo ganhar um dinheirinho (risos). E os meus parentes, os meus melhores amigos, o Nós do Morro (Babu tem uma tatuagem do grupo), todos eles estão lá. Vou visitá-los sempre que dá. Continuo amando a minha comunidade. A favela, a periferia não sai de você. Costuma ajudar os membros da comunidade? Sempre que possível. Só que vou te falar que não acredito em assistencialismo. Prefiro contribuir colocando a favela em evidência e incentivando o debate da sua realidade. Pelo Nós do Morro, dei aulas em diversas comunidades, não apenas no Vidigal. No grupo, fui de faxineiro a coordenador de projeto. Gosto de mostrar que o favelado pode ser o que quiser.