[[legacy_image_36610]] A sintonia entre alimentação e atividade física que o corpo de cada animal necessita de forma especial, deve ser respeitada. O desequilíbrio, com excessos na dieta, pode levar tanto os gatos, quanto os cachorros, para um quadro de obesidade. De acordo com o médico veterinário Luiz Roberto Biondi, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Universidade Metrópole de Santos (Unimes), essa é uma questão séria e deve ser acompanhada pelos tutores com responsabilidade. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “Antigamente, tinha-se a ideia de que a obesidade era um estado do organismo do animal. Hoje, já é classificada como uma doença”, ressalta Biondi. Ele afirma que, na maioria dos casos, a obesidade assola os animais por questões de alimentação desregrada, sem haver uma outra doença de base envolvida. “Além de identificar se o animal é obeso, o tutor precisa rever se seu comportamento não contribui para esse quadro”. Isso porque é comum que ofereçam muitos petiscos e guloseimas como forma de agrado. “Não é algo proibido, mas é preciso saber que aquilo possui calorias que devem ser descontadas da alimentação de rotina”. Caso isso não seja feito, serão excessos na alimentação do pet. Outro caso é de sempre deixar ração à vontade para o animal, com medo dele passar fome ao longo do dia. “Tudo isso ajuda a levar o peso”. Por isso, para Biondi, o ideal é que haja a orientação de um médico veterinário. O profissional averiguará as condições do animal. Assim como analisará a rotina da família, como ela lida com a alimentação do pet e auxiliará a proporcionar uma dieta adequada para que o pet fique saudável e em forma. Mas, para identificar os primeiros sinais, Biondi explica que o tutor deve ficar atento também ao visual do corpo. “Só pesar na balança, ou fazer um índice de massa corpórea, não funciona muito bem para os animais”. Então, notar se o animal perdeu a cintura, se está ficando com as costas quadradas e outros indicadores, que podem ser encontrados em tabelas de escore corporal de fabricantes de ração, são dicas de auxílio. Agravantes Luiz Biondi indica outras situações, além da comida em excesso, que podem agravar a obesidade. Quando trata-se de cachorro, existe o hipotireoidismo - que é quando há a falta do hormônio da tireoide. Isso faz com que o animal engorde mesmo que consuma a quantidade adequada de ração. Se não acompanhada, a situação pode levar o animal à elevação de peso. Felinos Já com os felinos, Biondi explica que o fato de a maioria dos tutores darem apenas a ração seca aos gatos pode ser um elemento agravante da obesidade. Isso porque esses produtos possuem muitos carboidratos e calorias, que são diferentes dos elementos ricos em proteínas que os gatos comem “na natureza”. Nesse fator, a qualidade das rações também interfere. Se possível, Biondi indica que sejam utilizadas rações premium ou super premium. “Mas se a pessoa não tiver como pagar uma ‘ração de primeira’, ainda é melhor dar uma ração mais acessível do que uma dieta caseira aos pets”. Perigos da obesidade A obesidade, assim como no ser humano, causa diversos malefícios nos gatos e nos cachorros. Biondi explica que o tecido gorduroso, chamado de adiposo, lida com o excesso de gordura como se fosse um processo inflamatório crônico. Com isso, a divisão celular no tecido adiposo, que também é um reservatório de hormônios, é estimulada e, dessa forma, pode deixar o pet com maior propensão a possuir câncer. Nos gatos, por conta da grande quantidade de carboidratos e calorias consumidos em suas rações secas, eles podem acumular gordura no fígado. Isso faz com que eles percam as funções das células no local e desenvolvam problemas hepáticos, podendo desencarretar uma falta de apetite total, chamado de lipidose hepática. “Assim, o gato que era obeso fica absurdamente magro, em um quadro de anorexia”. O animal pode vir a óbito se a questão não for tratada com um especialista. A obesidade também pode gerar diabete nos animais. No caso dos cachorros, o pâncreas para de produzir insulina e o processo é similar ao da diabete humana, em que é dado insulina para suprir a falta dela no organismo. No caso dos gatos, Biondi explica que a obesidade causa resistência à insulina. Porém, se o gato perder peso, ajustar sua dieta e aumentar a frequência de atividades físicas, normalmente a diabete é controlada e os níveis de glicemia, “açúcar no sangue”, voltam ao normal. Dor nas articulações é outro sintoma comum da obesidade. “Acontece de o animal não fazer muito exercício por ser obeso. Quando ele se exercita, sente dor nas articulações e fica ainda mais sedentário”, comenta. Assim, o quadro se agrava ainda mais. Com relação ao coração, o médico veterinário diz que nem nos cachorros, nem nos gatos, há o risco de os vasos do coração se entupirem e causarem um infarto como no ser humano. Mas, por outro lado, a gordura em excesso fará com que o coração do pet trabalhe mais do que o normal para nutrir o novo tamanho do animal. “Então esses animais possuem maior risco de desenvolver doenças cardíacas por essa razão”. Atividade Física De acordo com Luiz Biondi, “na medida que o animal faz atividade física, ele ganha massa muscular e seu organismo consome mais energia”, Por isso, é fundamental que os gatos e cachorros se exercitem, para que possuam uma demanda energética maior que os auxilie a emagrecer. O adestrador Bruno Pereira Alvarez, idealizador do Clube AuAu, de Santos, dá dicas para que os tutores exercitem seus pets dentro de casa. Uma delas é montar circuitos, usando cabos de vassouras, caixas de papelão e cones. Além disso, para os cachorros ele indica passeios regulares de em torno de 1 hora de duração, duas vezes ao dia. “Isso ajuda a manter a boa forma”, acredita. Mas para quem quer que o pet faça uma atividade diferenciada mais preparada, lá no Clube AuAu, localizado na R. Goiás, 59 - Boqueirão, há um parquinho, que é pago por hora, em que os cachorros ficam com instrutores e gastam suas energias com muita diversão. “Quando os cachorros frequentam o clube com uma certa rotina, eles acabam entrando em uma forma física boa e, com isso, ficam mais ativos, receptivos e sem dores”.