[[legacy_image_76035]] Os cachorros têm que morder, arranhar, farejar e caçar. Para ter uma boa qualidade de vida, além de não passarem fome, sede e não sofrerem com doenças, eles também precisam viver sem angústias e serem livres para expressar os seus comportamentos naturais. Isso não pode ser negligenciado em meio às constantes transformações de rotina nos lares, que estão ocorrendo por conta da pandemia. Por isso, especialistas alertam sobre a importância de os pets brincarem para gastar energia e instigarem o instinto animal, afastando quadros de estresse, ansiedade e depressão. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Se o bichinho não recebe atenção, não interage com as pessoas, com o meio ou com outros cães, e sempre é repreendido ao tentar se expressar, ele pode entrar em um “desamparo aprendido”, que unido a outros fatores pode desenvolver uma depressão no pet. De acordo com a veterinária especializada em comportamento animal, Ursula De Demarco, introduzir brincadeiras na rotina é algo estratégico. O primeiro passo é compreender o que cada brincadeira e cada brinquedo podem proporcionar ao pet. “Todo cão precisa do estímulo certo”, afirma. Em paralelo, o tutor também deve se esforçar para conhecer cada vez mais o temperamento, as preferências e as limitações do animal – para não gerar qualquer tipo de frustração. Dessa forma, tendo objetivos e propósitos bem definidos, o momento da brincadeira pode ir além da diversão em si. Essa troca de experiências e atenção fortalecerá os vínculos entre o cão e o tutor, sendo uma boa oportunidade para ensinar questões comportamentais, principalmente aos filhotes. “Nada melhor do que você ensiná-los quando estão superempolgados e receptivos”. No mercado pet, há uma infinidade de opções de brinquedos. E se utilizadas da forma correta, elas tendem a estimular os órgãos sensoriais, o sistema nervoso e a cognição dos bichinhos. Sem falar de outros itens que proporcionam benefícios específicos, como certos mordedores, que auxiliam na higiene oral do animal, prevenindo e removendo o tártaro sem prejudicar os dentes e a gengiva do pet, enquanto ele rói e brinca. Entre as opções com as quais o cãozinho pode interagir sozinho se destacam os brinquedos recheáveis. No seu interior, podem ser colocados alimentos que, conforme o animal brinca, fareja e lambe, vão sendo liberados como recompensa. Para quem não quer investir no item, a dica do adestrador e idealizador do Clube Au Au, Bruno Pereira Alvarez, é fazer furos em uma garrafa PET e pôr os petiscos lá dentro. Assim, o animal vai gastar bastante energia girando a garrafa para conquistar o alimento. De qualquer modo, Ursula ressalta a importância de introduzir o brinquedo de forma gradativa. A sugestão dela é que o tutor comece com alimentos secos, como ração, ensinando o animal aos poucos a brincar. Depois, podem ser introduzidos nesses brinquedos recheáveis os alimentos pastosos, como frutas e rações úmidas. Aí, quando o pet já estiver dominando a brincadeira, a dica é colocar frutas congeladas para prolongar a atividade. Vale ressaltar que esses alimentos devem ser contabilizados na dieta do animal. “Você não precisa fornecer a comida dentro de um pote. Pode ser em um brinquedo”, indica o adestrador. Explorando mais opções Ainda dentro de casa, com criatividade, é possível criar brincadeiras divertidas. Uma delas é a caça ao tesouro, em que o bichinho fica preso em algum cômodo enquanto o tutor esconde a sua ração em diversos pontos do lar. Quando o pet for solto, ele vai se exercitar fisicamente e mentalmente, trabalhando o olfato. Já na rua, para os tutores que querem brincar ao ar livre, mas que têm medo de soltar o animal da coleira, a dica de Bruno Alvarez é prender uma corda maior à guia do cachorro e jogar bolinhas para ele pegar dentro desse limite. Outra alternativa é levar o pet a creches e centros de atividades – são serviços que auxiliam os tutores no gasto de energia do bichinho, com o auxílio de instrutores e outros amigos caninos. “O pet que só fica dentro de casa, sem estímulos, pode ficar mais amuado. É muito importante que os cachorros sejam ativos, pois isso os faz felizes”. Trate de diversificar Independentemente de qual seja o brinquedo ou a brincadeira, o importante é criar uma rotina, com atividades diárias, sendo supervisionadas no início. “Se você compra um brinquedo e o deixa 24 horas com o animal, ele vai brincar até cansar e depois vai se desestimular”, explica Ursula. O ideal é fazer rodízios entre os brinquedos ao longo da semana, para que o cachorro sempre tenha a sensação de “oba, brinquedo novo!” Em contrapartida, os limites de cada pet devem ser respeitados. A sobrecarga de atividades, assim como brinquedos e estímulos muito desafiadores, também podem frustrar o bichinho. “Nunca vá do zero para o 100. Introduza as brincadeiras aos poucos, ensinando o animal a brincar. Na dose certa, isso fará bem para todos os lados”, conclui Ursula De Demarco.