[[legacy_image_10476]] Mundialmente, a incidência de obesidade em bichinhos de estimação varia entre 24% a 60% da população de cães e gatos, segundo estudos recentes feitos nos Estados Unidos, Europa, Japão e China. No Brasil, uma pesquisa realizada na cidade de São Paulo mostra que 40,5% dos cachorros têm sobrepeso ou obesidade. Animais obesos correm sérios riscos, por causa de um desequilíbrio entre ingestão e gasto de calorias, como doenças ortopédicas, cardiorrespiratórias, diabetes, problemas urinários e outras complicações. “O excesso de petiscos e a humanização da alimentação são fatores recorrentes nos dias de hoje.É importante lembrar que cães e gatos não escolhem o que comer ou quantas vezes devem se alimentar. Cabe ao tutor zelar pela alimentação adequada”, ressalta o veterinário da PremieRpet, Flavio Silva. Essa humanização também é citada pela veterinária Karina Mussolino, do Centro Seres da Petz. “Com os animais dentro de casa, a prática de atividades que queimam calorias se restringiu. E uma coisa leva à outra: em casa, a tendência é que os tutores também passem a premiá-los, mais para compensar, além de acertos, ausências e falta de tempo para passeios e brincadeiras”, relata a médica,que recentemente fez um trabalho de redução de peso de Palito, seu Dobermann. O animal estava com 11 quilos acima do recomendado. “Palito não estava só fofucho. Estava obeso. E a obesidade é uma doença que pode reduzir a qualidade de vida e a longevidade dos animais. Iniciamos um programa de redução e controle de peso”, conta a veterinária. Palito alcançou a meta em 106 dias. “No início do tratamento, é muito comum que as pessoas envolvidas se sintam comovidas, achando que o pet está comendo pouco. Com o passar dos dias, nota-se que a rotina se estabiliza e tudo fica mais simples. Antes de fazer qualquer programa de redução de calorias com o seu pet, procure um veterinário. Flavio Silva explica que é importante fazer uma avaliação nutricional completa do animal. Estudos atuais mostram que essa prática deve se tornar rotina, pois é considerada o quinto sinal vital dos animais: é tão importante como parâmetro de saúde quanto temperatura, frequência cardíaca e respiratória. “Somente a partir desta avaliação é que será possível indicar qual o alimento ideal, de acordo com as condições clínicas do animal”, ressalta o veterinário. Dicas Transferência de hábitos Pessoas com hábitos inadequados tendem a transferi-los ao pet. Excesso de petiscos Os “extras” não devem superar 10% da quantidade calórica diária. Comida caseira O ideal é não oferecer comida caseira sem orientação especializada. Quantidade exagerada Importante seguir a recomendação do médico veterinário ou de consumo diário indicada na embalagem da ração. Humanização Animais e humanos têm necessidades alimentares diferentes. Respeite isso. Sedentarismo Siga recomendações do veterinário ao promover atividade física. Idade Cães com idade mais avançada e gatos adultos jovens são mais suscetíveis. Sexo Estudos apontam que as fêmeas têm mais predisposição ao ganho de peso. Redobre a atenção. Castração A obesidade é mais frequente em animais castrados. Distúrbios de comportamento Ansiedade por causas diversas (como solidão) pode causar um apetite voraz. Doenças hormonais Hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo podem levar, entre outros problemas, à obesidade. Uma vez diagnosticados devem ser tratados. Raças mais propensas Cães: Beagle, Boxer, Bulldog Inglês Pug, Cocker, Labrador, Pastor Alemão Rottweiler, Shitzu, Terra Nova, Teckel, entre outras. Gatos: castrados, independente da raça. Recompensa Não queira acarinhar seu pet oferecendo bolachas, pizzas ou doces. Ração certa Use ração adequada ao tamanho e idade do animal. Petiscos Não exagere na oferta de ossinhos, bifinhos ou quaisquer outros tipos de snacks. Exercícios Leve o animal regularmente para passeios com caminhadas. Se o animal curte, se organize para fazer corridas de curtos ou longos percursos.Incentive brincadeiras que o ajudem a queimar calorias e fortalecer os músculos. Fique atento Qualquer sinal de aumento de peso deve ser avaliado. Novembro Azul para os animais também No mês mundial de campanha para prevenção ao câncer de próstata, o Novembro Azul, o alerta para o diagnóstico precoce da doença também é válido para os pets. Apesar do índice baixo em cães e raro em gatos, quando ocorre, a doença é bastante agressiva. Cães acima dos 7 anos são os mais propensos. “Não temos estatísticas nacionais, mas na América do Norte, a ocorrência em cães é de menos de 0,6%”, conta Rodrigo Ubukata, veterinário especialista em Oncologia, membro do Grupo de Trabalho em Quimioterapia Veterinária do CRMV-SP e diretor da Associação Brasileira de Oncologia Veterinária (Abrovet). “Existem fatores genéticos e moleculares, como os descritos em humanos, que estão sendo avaliados. O aumento da expectativa de vida dos animais é um fator que pode contribuir para o aparecimento deste tumor”, explica. Para identificar a possibilidade da doença, os sintomas são dificuldade de urinar, gotejamento de sangue no final da micção, dificuldade de defecar, urina com cor e aspecto alterado, infecções urinárias recorrentes, tenesmo (vontade constante de evacuar, geralmente acompanhada de cólicas) e perda de peso. O diagnóstico é feito pelo toque retal, como no homem. Exames de raio-X e ultrassom abdominal também podem ser pedidos. O tratamento pode envolver procedimentos cirúrgicos (prostatectomia), radioterapia, laserterapia e manejo clínico. “A quimioterapia ainda não está bem descrita (com relação a sua eficiência, resposta e tempo de sobrevida) para o tratamento sistêmico, mas pode ser avaliada a utilização, baseando-se em oncologia comparada com humanos”, afirma o especialista em Oncologia Veterinária, Rodrigo Ubukata.