[[legacy_image_89257]] Data instituída pela Organização Mundial de Saúde (OMS) junto ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Semana Mundial da Amamentação, celebrada de 1 a 7 de agosto, surgiu em 1992 para incentivar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade do bebê. No Brasil, a iniciativa se desdobra ao longo de um mês inteiro na campanha Agosto Dourado, reforçando a importância do leite materno para a saúde e o desenvolvimento das crianças, especialmente nos primeiros meses de vida. Santos faz parte da grande gama de cidades que realiza eventos para reforçar a conscientização. Organizadora da Hora do Mamaço, a enfermeira especialista em amamentação, Sandra Abreu, lembra que o tema da campanha esse ano no Município é “Proteger a amamentação, uma responsabilidade de todos”. O objetivo é mostrar que toda a sociedade deve se empenhar em oferecer as condições para que nenhuma mãe deixe de fazer aquilo que é mais natural e que nos designa como seres mamíferos da espécie humana. “Não são só as mulheres as principais interessadas em garantir o aleitamento. Toda a população ganha. Mas as mães precisam de todo o apoio possível da família, profissionais e autoridades para fazer valer esse direito fundamental”, diz a especialista. A pressão de parentes para que sejam oferecidas mamadeira e chupeta aos recém-nascidos é um dos os maiores empecilhos na luta para aumentar a proporção de mães que alimentam seus bebês exclusivamente com seu próprio leite até o sexto mês de vida. “A verdade é que ninguém está preparado para ver um bebê chorando. Mas esse é o bebê real. Com a desculpa de que a mulher tem pouco leite ou que o leite é fraco, até mesmo alguns profissionais acabam cedendo e dando orientações erradas para evitar a choradeira”, conta. Para a enfermeira, falta mais apoio em casa, nas unidades de saúde e na legislação trabalhista para empoderar as parturientes e mostrar que todas são capazes de amamentar. Dar o peito é um processo dolorido e muitas vezes cheio de mitos. Além disso, a mãe que acaba de parir está vulnerável fisicamente e emocionalmente por conta das mudanças hormonais. Quem está mais forte na rede de apoio deve assumir uma postura de amparo e segurança para que tudo dê certo. Foi o que aconteceu com a mamãe de primeira viagem Anna Carolina Cunha Caetano, de 34 anos. O filhote, Marcelinho, está com 40 dias. Mãe e filho ainda estão evoluindo em busca das mamadas perfeitas. Um aprendendo com outro. Com o apoio do marido, da doula e de Sandra, várias etapas difíceis foram superadas. O processo ainda não terminou. [[legacy_image_89258]] “Quando a gente engravida os medos giram em torno do parto e da saúde do bebê. Esquecemos do aleitamento. Eu achava que ia ser a parte mais fácil da maternidade. Não é bem assim. Temos de nos preparar mais antes”, conta a bancária. Quando começou a amamentar, os bicos racharam. Foi preciso aprender sobre a apojadura (produção inicial do leite). Depois veio a fase do leite empedrado e a mastite, por conta do entupimento do ducto de um dos seios. Só depois de muita insistência e resistência os dois acertaram a pega. “Nunca pensei em desistir, apesar das dores. Mas buscar ajuda com informação especializada foi o que nos salvou. Ainda estamos nesse processo de aprendizado. Tudo compensa quando vejo meu filho ganhando 55 gramas por dia”. Marcelinho é a prova de que o leite tem tudo o que os bebês precisam para crescerem saudáveis. Até o último dia 30, tinha engordado um quilo desde que saiu da maternidade, com 2,9 quilos. “Pretendo amamentar até que ele complete dois anos. Não existe leite que não sustenta. O que pode acontecer é que por conta de posições erradas o líquido não saia na quantidade necessária para satisfazer a criança. Dá pra resolver”, diz Anna. Para Sandra, é preciso ajudar a retirar a culpa dos ombros das mães com dificuldades sem, no entanto, apelar para fórmulas e complementos numa tentativa precipitada de evitar sofrimentos. Outro conselho vai para as amigas: não contem sobre as próprias experiências terríveis. Também não resolve falar “é assim mesmo, tem que aguentar firme”. O que fazer então para ajudar? “Os familiares podem cuidar da mulher. Acalentar a criança enquanto ela relaxa no chuveiro, por exemplo. Levar um suco, uma água, dizer que está junto, colaborar nas madrugadas. Tudo isso faz muita diferença”. A jornalista Nara Assunção participa da Hora do Mamaço desde que teve a pequena Luna, hoje com seis anos. Atualmente integra a equipe que organiza a iniciativa. “Nesta edição gente trouxe uma novidade: o lançamento site Amamenta Santos, uma plataforma colaborativa para que jornalistas e especialistas escrevam sobre o assunto. Vamos criar uma lista de serviços para ajudar as mães ao longo de todo o ano”. Luna mamou até quase três anos, conta Nara, que também amamenta Tom, de sete meses. Como para muitas mães a estreia no aleitamento foi dolorosa e tensa. “Lembro que a primeira vez que tentei amamentar a Luna uma enfermeira disse que eu não tinha colostro. Depois veio uma doula e insistiu que eu tinha, sim. Ela me mostrou e me orientou. Nessas horas é que vemos como é importante ter pessoas embasadas na nossa rede de apoio”. E vale lembrar que, além de fazer bem para os pequenos, as mães também são beneficiadas pela prática. “Todos sabem que a amamentação traz inúmeros benefícios para o bebê, mas muitas mães nem imaginam como esse momento lindo pode trazer diversos benefícios para a saúde e bem-estar da mulher. Começando por consolidar o vínculo afetivo entre o binômio, pois estes sentimentos agradáveis são aumentados pela liberação de hormônios como a prolactina e ocitocina que proporcionam sensação de paz, prazer, amor e apego”, explica Milena Catani, pediatra e neonatologista pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Somado aos inúmeros benefícios físicos, como o combate à hemorragia pós-parto, o útero contrai mais rápido e isto reduz o risco de anemia e auxilia na recuperação materna. Também ajuda a evitar a obesidade e o retorno mais rápido ao peso antes da gestação. A mulher que amamenta ainda tem menos chances de desenvolver doenças como câncer de mama, ovário e endométrio (revestimento interno do útero). Amamentar durante um ano também diminui o risco de desenvolver diabetes tipo 2 em 15% e ajuda na prevenção contra a osteoporose. No campo emocional a incidência de depressão pós-parto também cai. “O leite materno é o alimento mais completo e equilibrado, pois atende a todas as necessidades de nutrientes, hidratação e sais minerais que o bebê precisa para crescer. Está continuamente sendo produzido na temperatura certa. A alimentação fica mais fácil, prática e econômica”, resume, a médica. Rodrigo Moreira Felgueira, coordenador da UTI pediátrica do HSAMP, diz que a ingestão de leite materno contém benefícios a longo prazo, que perduram até a vida adulta. “Há uma queda na incidência de doenças metabólicas como as ligadas a alterações de colesterol, glicemia e pressão arterial”. Como pediatra, ele recomenda que as mães tenham uma dieta saudável, evitando alimentos processados, condimentos e ingerindo muito líquido. “Estando em condições físicas e mentais saudáveis, todo e qualquer corpo feminino é capaz de produzir leite”. As recomendações da Organização Mundial de Saúde(OMS) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) são manter o aleitamento exclusivo até os seis meses de idade, quando ocorre início da introdução alimentar. Depois disso, as mamadas podem continuar complementando a nutrição até os dois anos de idade ou até quando o bebê desmamar naturalmente. Covid-19 Considerando que a OMS, neste cenário atual, orienta a manutenção de amamentação, os posicionamentos da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Frebasgo) e da Sociedade Brasileira de Pediatria também são favoráveis à amamentação em mães portadoras da covid-19, desde que esteja em condições clínicas adequadas para fazê-lo. Se não se sentirem confortáveis ou em condições, podem extrair o seu leite e pedir para outra pessoa oferecer (de copinho, de preferência). No entanto, a mãe infectada deve observar algumas medidas para reduzir o risco de transmissão do vírus através de gotículas respiratórias. As principais são lavar as mãos por pelo menos 20 segundos antes de tocar o bebê ou antes de retirar o leite; usar máscara facial com trocas regulares (cobrindo completamente nariz e boca) durante as mamadas; evitar falar ou tossir durante a amamentação (neste caso trocar a máscara imediatamente); evitar que o bebê toque a máscara e/ou o rosto da mãe, especialmente boca, nariz, olhos e cabelos. Nesse caso, os cuidados com o bebê (banhos, sono) devem ser realizados por outra pessoa que não esteja doente. “Caso o bebê apresente qualquer sintoma, não se desespere, procure orientação do seu pediatra à distância antes de procurar a emergência”, orienta Milena. Veja os principais benefícios do aleitamento para as crianças, organizados pela Dra. Milena Catani: - Aumenta do vínculo afetivo, já que a sucção acalma o bebê e funciona como um analgésico. Além disso, a troca de olhares e o contato físico permite que o bebê se sinta mais seguro - Pesquisas mostram que um maior tempo de amamentação está associado a índices melhores de inteligência e cognição - O leite materno é de fácil digestão e está associado a menor incidência de cólicas - Diminui o risco de morte - Colabora para a formação do sistema imunológico da criança e ajuda na prevenção de alergias; - Previne doenças infecciosas: principalmente a diarreia e infecções respiratórias, pneumonias, otites e meningite. Isso ocorre devido a passagem de anticorpos da mãe para o bebê (imunização passiva) - Promove a redução de doenças crônicas como doença de Chron, asma, diabetes tipo 1 e tipo 2, sobrepeso, obesidade - A sucção ajuda no desenvolvimento oro-facial e melhora o desenvolvimento da fala, regulando a respiração e formação da dentição - Estudos apontam para redução de câncer na infância, dentre eles leucemia e linfoma, devido a presença de substâncias anti-inflamatórias