[[legacy_image_270505]] Com o anúncio dos estímulos do Governo Federal à produção de veículos mais baratos, na última quinta-feira, ganhou força a discussão sobre as medidas que o setor industrial precisa para voltar a crescer, como aumentar a produtividade, preparar a mão de obra e reduzir a carga tributária. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na Baixada Santista, a retomada da indústria é estratégica devido à importância do Polo de Cubatão, voltado à produção petroquímica e siderúrgica. O processo para a indústria brasileira pode ser longo, mas são necessários sinais de que as medidas sairão do papel. Nesse contexto, vontade política e ações concretas dos atores desse ecossistema terão papel preponderante. “Há anos não temos os olhos do Governo Estadual para a área industrial. Agora, o discurso fala em reindustrialização, em recuperar as oportunidades que São Paulo perdeu. Vemos um discurso otimista para nós. O secretário (de Desenvolvimento Econômico do Estado) Jorge Lima é uma figura sempre presente, conversa bastante com a gente. Vamos dar uma chance”, afirma o gerente regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Cubatão, Omar Silva Júnior. Segundo ele, a ordem é recuperar os postos de trabalho perdidos. Coordenador de Contas Nacionais do FGV Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), Claudio Considera, analisa o setor no País pelo prisma da política de industrialização a longo prazo. “É uma questão (desindustrialização) possível de ser revertida, mas tem que ser algo de longo prazo. Não tem como corrigir facilmente um problema que vem se acumulando há anos. Entendemos que devem ser criadas novas tecnologias, adaptadas às mais modernas. Para isso, a saída é investir muito nas universidades”. Ele se diz contrário à simples concessão de subsídios para a indústria como forma de estímulo. “Quando você protege muito a indústria, ela não investe para se tornar mais competitiva. Os subsídios apenas protelariam uma situação e não criariam novas capacidades criativas”, alega. Professor de Análise de Investimentos da Unimes, Marcos Nardi entende que Cubatão, atualmente, se encontra muito aquém dos tempos áureos de seu polo industrial, sofrendo com gargalos estruturais e econômicos - estes sentidos não apenas pela área industrial, mas que retraem o interesse por investimentos, o que torna o polo industrial subutilizado. “Há problemas crônicos que são sentidos por todas as cidades da Baixada Santista, como infraestrutura viária e confronto entre polo industrial e cidade, ambos trazendo transtornos aos dois lados. Há falta de profissionalização da mão de obra. Na região, o conhecimento acadêmico é subvalorizado por grande parte das companhias”, aponta. Nardi também acredita que uma parceria fortalecida entre empresas e Poder Público, visando o crescimento da cidade em médio e longo prazos, é a saída. “As empresas, por sua vez, devem prosseguir com seus investimentos em melhoria da processos e qualificação de sua mão de obra para se tornarem mais produtivas. É necessário também que o Poder Público faça sua parte, melhorando a estrutura para que as empresa possam crescer e voltar a ser como no passado”, sentencia. No chão de fábrica, muitos custosDuas das grandes preocupações dos empresários e executivos da indústria são a carga tributária e a formação de mão de obra, que impactam diretamente na produtividade. “A tributação afeta tanto a competitividade como a economia. A grande porcentagem de tributos sobrecarrega as contas da empresa. Isso diminui o desenvolvimento e o investimento em máquinas tecnologias ou mesmo em profissionais mais experientes, encarece os serviços e produtos”, afirma o presidente da Móbile Jato, José Luis Antônio Saidel, empresa de Santos de jateamento e pintura. De acordo com ele, o principal desafio ainda é o da mão de obra especializada. “Existe demanda, mas por outro lado tem muita oferta”. A saída, segundo ele, é investir em treinamentos, capacitação e revalidação profissional interna. “O convênio com o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) contribui para a atualização e competitividade da nossa empresa, por meio de cursos de curta duração, graduação ou pós-graduação que o colaborador almeja. Depende do tempo de experiência do profissional. Contudo, um período de dois meses é suficiente para que ele esteja totalmente adaptado ao sistema de atuação de nossa empresa”, conclui ele.