Deborah Cunha, Thaís Campregher, Vanessa Toledo, Josué Montedonio, Mithra Cherici (Yara Tomei) Nunca foi tão fácil mudar a aparência. Cirurgias menos invasivas, tecnologias capazes de suavizar marcas do tempo e procedimentos cada vez mais acessíveis convivem com uma realidade igualmente presente: a comparação constante. Basta alguns minutos nas redes sociais para encontrar rostos, corpos e resultados que parecem perfeitos. O problema começa quando essas imagens deixam de ser inspiração e passam a servir de medida para a própria vida. Até que ponto um desejo realmente nasce de nós? E quando ele passa a refletir apenas a expectativa de corresponder a um padrão? Vanessa Toledo e as tricoteiras Débora Cunha, Thaís Campregher e Mithra Cherici receberam o cirurgião plástico Josué Montedonio para discutir autoestima, envelhecimento e os limites entre o cuidado e o excesso. Nem todo pedido deve ser atendido Na medicina, dizer "não" também faz parte do tratamento. Josué Montedonio explicou que uma das maiores responsabilidades do cirurgião plástico é reconhecer quando um procedimento não corresponde às necessidades do paciente, mesmo que exista disposição para realizá-lo. Segundo ele, tornou-se comum receber pessoas levando fotografias de artistas ou influenciadores como referência, acreditando que o mesmo resultado pode ser reproduzido em qualquer corpo. Cada organismo responde de forma diferente. Por isso, antes de pensar na cirurgia, é preciso entender a expectativa de quem procura o consultório. "Nós conseguimos melhorar a melhor versão daquela pessoa, mas não transformá-la na versão de outra", resumiu. A mesma responsabilidade aparece em outras áreas da saúde. Thaís Campregher contou que muitos pacientes chegam ao consultório querendo reproduzir sorrisos vistos na internet. Em alguns casos, o trabalho começa justamente convencendo a pessoa a não seguir por aquele caminho. Segundo ela, remover procedimentos feitos sem indicação costuma ser muito mais difícil do que realizá-los. Expectativa x Realidade As redes sociais aproximaram o público dos procedimentos estéticos, mas também criaram o hábito de comparar histórias completamente diferentes. Uma fotografia registra apenas o resultado. Não mostra o planejamento, o período de recuperação, as limitações, as intercorrências nem as dúvidas que antecedem qualquer decisão. Vanessa Toledo compartilhou a própria experiência após diferentes cirurgias de mama e lembrou que, mesmo quando tudo é planejado, qualquer procedimento envolve riscos e pode exigir novas intervenções. A experiência reforçou a importância de escolher um profissional pela confiança construída durante a consulta e não apenas pelas imagens publicadas nas redes sociais. Mais do que o antes e depois publicado na internet, pesa a confiança construída dentro do consultório. A aparência não resolve tudo Melhorar a autoestima é um desejo legítimo. O problema começa quando a aparência recebe a missão de resolver questões que não nasceram no corpo. Esperar que uma cirurgia transforme relacionamentos, elimine inseguranças antigas ou mude completamente a própria vida costuma levar à frustração. Mithra Cherici lembrou que a medicina oferece ferramentas importantes, mas nenhuma delas substitui alimentação equilibrada, atividade física, sono de qualidade e hábitos saudáveis construídos diariamente. O resultado depende tanto do profissional quanto do paciente. Não existe procedimento capaz de compensar uma rotina inteira caminhando na direção oposta. Josué Montedonio (Yara Tomei) Envelhecer Muda o Corpo, A Maturidade Muda o Olhar Se algumas mudanças provocadas pelo tempo ainda incomodam, outras são recebidas com mais tranquilidade. Débora Cunha contou que ainda estranha alguns sinais do envelhecimento. O cabelo branco, por exemplo, é um dos detalhes que mais a fazem perceber a passagem dos anos. Thaís Campregher enxerga esse processo de outra forma. Perto dos 50 anos, disse que trocaria sem dificuldade o colágeno dos vinte pela segurança que conquistou ao longo da vida. Para ela, amadurecer também significa fazer escolhas com mais liberdade, olhar para a própria trajetória com orgulho e deixar de viver em função da aprovação dos outros. Josué Montedonio lembrou que envelhecer é um privilégio e que a medicina estética não existe para impedir esse processo, mas para ajudar quando pequenas mudanças passam a incomodar quem se olha no espelho. O objetivo não é apagar a identidade de ninguém e sim permitir que cada pessoa continue se reconhecendo. Saber a hora de mudar também faz parte do cuidado Os avanços da medicina ampliaram as possibilidades de tratamento e ajudaram a tornar muitos procedimentos mais seguros. Ainda assim, toda mudança precisa começar pela mesma pergunta: por que ela está sendo feita? Quando o desejo nasce apenas da comparação constante ou da necessidade de corresponder a expectativas externas, dificilmente um resultado será suficiente. Cuidar da aparência não é um problema. O risco aparece quando nenhuma transformação parece bastar. No fim, talvez o maior desafio não seja descobrir qual procedimento fazer, mas reconhecer quando uma mudança realmente faz sentido e quando ela tenta resolver conflitos que começaram muito antes do espelho. Deborah Cunha, Thaís Campregher, Vanessa Toledo, Josué Montedonio, Mithra Cherici (Yara Tomei) PRA GUARDAR NA CAIXINHA Nem todo desejo nasce da própria vontade. Às vezes, ele começa na comparação. Procedimentos estéticos podem fortalecer a autoestima, mas não substituem saúde física, equilíbrio emocional nem resolvem inseguranças construídas ao longo da vida. Envelhecer muda a aparência. A maturidade muda a forma de enxergar a própria história. Dizer "não" também pode ser uma forma de cuidado. Principalmente quando esse "não" protege alguém de expectativas que nunca poderiam ser alcançadas. AS PREVISÕES DA MAH OCROCH Julho marca o início do segundo semestre e, segundo Mah Ocroch, marca também o período de Mercúrio Retrógrado, fase tradicionalmente associada à revisão de planos, reorganização da rotina e reavaliação de escolhas. Nas tendências do mês, a carta Os Livros convida a buscar conhecimento, retomar projetos deixados de lado e investir em estudos e aperfeiçoamento. Antes de acelerar, o momento pede preparação. O alerta veio com a carta O Labirinto, que chama atenção para decisões impulsivas e caminhos que podem desviar dos verdadeiros objetivos. A recomendação é desacelerar, reorganizar prioridades e agir com mais clareza. Para os aniversariantes de Câncer e Leão, a carta A Criança anuncia um novo ciclo marcado por entusiasmo, oportunidades e novos começos. O conselho é manter os sonhos vivos, mas sem perder de vista a realidade e o planejamento necessário para transformá-los em conquistas. Mah Ocroch (Yara Tomei) ONDE ASSISTIR Este e os demais episódios do Tricotáh estão disponíveis no canal oficial do programa no YouTube. Link do youtube: https://youtu.be/TKror6kCPEg?si=ryoPdEQxhvId0kqo