Deborah Cunha, Luciana Kirsten, Vanessa Toledo, Gustavo Amorim, Thayssa Nusa (Yara Tomei) A gente planeja a carreira, organiza as contas, pensa no futuro e cria expectativas sobre como a vida deve seguir. Até que alguma coisa muda a rota. Um diagnóstico inesperado, uma crise financeira, uma mudança no trabalho ou qualquer situação que não estava nos planos podem exigir decisões rápidas e uma reorganização completa da vida. Não é possível prever tudo, mas é possível estar mais preparado para lidar com o que vier. Foi sobre esses imprevistos e as diferentes formas de construir segurança que Vanessa Toledo conversou com o advogado tributarista Gustavo Amorim acompanhada das tricoteiras Deborah Cunha, Luciana Kirsten e Thayssa Nusa. Saúde, direitos, planejamento financeiro e empreendedorismo se encontraram em uma discussão que partiu de uma pergunta simples: se amanhã os planos mudassem completamente, o que ajudaria você a atravessar essa nova realidade? Um direito que muita gente desconhece Alguns imprevistos não podem ser evitados. Um diagnóstico de doença grave é um deles. E foi ao falar sobre aquilo que não conseguimos planejar que Gustavo Amorim resumiu o propósito da Isente IR: a saúde não pode ser devolvida, mas um direito garantido pode representar uma compensação financeira e ajudar a enfrentar os gastos que surgem nesse momento. A empresa é especializada na isenção do Imposto de Renda para aposentados e pensionistas diagnosticados com determinadas doenças graves. Entre os exemplos citados estão câncer, Alzheimer, Parkinson, cardiopatia grave, cegueira e HIV. A legislação existe desde 1988, mas ainda é desconhecida por muitas pessoas. A própria Isente IR nasceu dessa percepção. No escritório de contabilidade da família, Gustavo encontrava contribuintes que continuavam pagando o imposto mesmo anos depois de diagnósticos que poderiam garantir o benefício. O trabalho envolve duas frentes: buscar a isenção para os rendimentos que se enquadram na legislação e recuperar valores pagos indevidamente. A opção da Isente IR é pela via administrativa, justamente para dar mais agilidade ao processo. Como boa parte dos clientes é formada por idosos com diagnóstico de doença grave, a preocupação é fazer com que o benefício chegue a quem precisa dele em tempo de contribuir com tratamentos, medicamentos e outros cuidados. Na experiência da empresa, a primeira devolutiva costuma acontecer em cerca de três meses, embora o prazo possa variar. Gustavo contrapôs esse período ao de uma ação judicial, que pode levar sete, oito anos ou mais. A intenção é evitar que um recurso criado para ajudar naquele momento da vida chegue apenas muitos anos depois, quando talvez já não possa beneficiar diretamente aquela pessoa. Na recuperação, os valores são depositados diretamente na conta do contribuinte. Já quando a isenção é concedida para os pagamentos futuros, o desconto do Imposto de Renda deixa de incidir sobre os rendimentos contemplados pelo benefício. A Isente IR trabalha com honorários vinculados ao resultado, sem cobrança antes da entrega. O benefício é específico para aposentados e pensionistas com diagnóstico de doenças previstas na legislação. A isenção também vale para rendimentos de previdência privada de quem se enquadra nessas condições. Gustavo Amorim (Yara Tomei) Por que acreditamos que não vai acontecer conosco? Conhecer um direito que pode ajudar depois de um diagnóstico também levantou uma questão anterior a qualquer crise: por que, mesmo sabendo que imprevistos existem, vivemos como se eles fossem acontecer sempre com outra pessoa? Thayssa Nusa explicou que a economia comportamental chama essa tendência de viés de otimismo. É a ideia de que, se hoje a renda está entrando, as contas estão funcionando e a vida segue normalmente, provavelmente continuará assim. O problema é que não existe garantia. Uma doença, uma perda de renda ou qualquer mudança brusca pode alterar rapidamente esse cenário. Para quem também é responsável financeiramente por filhos ou pelos pais, a necessidade de construir alguma segurança se torna ainda maior. A própria longevidade mudou essa conta: uma geração que teve filhos mais tarde também convive com pais mais velhos e pode precisar cuidar simultaneamente de diferentes gerações enquanto ainda prepara o próprio futuro. E planejamento não se limita ao dinheiro. Luciana Kirsten trouxe essa discussão para a saúde. Alimentação, hábitos e organização também exigem escolhas feitas hoje para produzir resultados no médio e longo prazo. Quando o inesperado chega, o corpo também participa dessa conta. Situações de estresse aumentam a liberação de cortisol e adrenalina e podem provocar uma resposta inflamatória no organismo, afetando a imunidade e dificultando a recuperação. Por isso, cuidar da alimentação e buscar acompanhamento médico e nutricional fazem parte da construção de uma estrutura mais preparada para enfrentar períodos difíceis. Segurança se constrói antes da emergência Se não podemos prever quando a vida vai mudar, podemos construir alguma segurança para quando isso acontecer. E Thayssa foi direta ao falar sobre reserva financeira: esperar o dinheiro sobrar costuma não funcionar. “O boleto do Eu do Futuro é o primeiro boleto que tem que ser pago.” A lógica é separar uma parcela da renda assim que ela chega, antes que todo o dinheiro encontre outro destino. Não importa se, naquele momento, são 2%, 5%, 10% ou mais. O primeiro passo é criar a disciplina. Com o tempo, guardar deixa de ser apenas uma obrigação e passa a produzir a satisfação de perceber que existe algo sendo construído. O alerta é especialmente importante quando a renda aumenta. O padrão de vida costuma crescer junto e cria a chamada inflação de lifestyle: ganha-se mais, gasta-se mais e, mesmo com uma renda alta, continua não existindo margem para enfrentar uma interrupção. Gustavo contou que buscou nos livros parte da educação financeira que não teve na escola e passou a organizar o dinheiro em diferentes frentes, entre elas reserva de emergência e investimentos. Uma das ideias que levou para a própria vida foi simples: antes de pagar todo mundo, é preciso também pagar a si mesmo e reservar dinheiro para o futuro. Não significa deixar de aproveitar o presente. Significa não viver permanentemente no limite acreditando que a renda, a saúde e as condições atuais permanecerão iguais para sempre. Quando o inesperado bate à porta da empresa Para Deborah Cunha, essa necessidade de preparação ficou especialmente evidente na pandemia. Vinda de uma empresa familiar, ela acompanhou uma mudança importante na forma de administrar negócios. Se antes as transformações pareciam mais lentas e previsíveis, hoje, alterações de legislação, tecnologia e mercado exigem capacidade de adaptação cada vez maior. A pandemia mostrou isso de maneira radical. Naquele período, patrimônio, investimentos e organização ajudaram a família a atravessar a crise e tomar decisões sobre quais empresas poderiam continuar. Mas outra percepção também ficou: não era possível fazer tudo sozinha. A imagem do antigo dono que fechava o caixa, produzia, vendia e resolvia sozinho todas as áreas do negócio já não corresponde à complexidade atual. Deborah contou que hoje trabalha com uma rede de especialistas, incluindo contabilidade tributária e assessoria financeira, justamente para ter suporte em assuntos que não domina. “Eu tenho pessoas que me dão esse suporte de coisas que eu não tenho condições de saber de tudo.” Buscar ajuda, nesse sentido, também é planejamento. Vale para a empresa, para as finanças e para a saúde. Preparar o futuro sem deixar de viver o presente Nenhuma reserva consegue impedir uma doença. Nenhum investimento elimina a possibilidade de uma crise. E nenhum planejamento é capaz de prever todas as mudanças que ainda virão. O que pode mudar é a margem que construímos para reagir quando alguma delas acontece. Isso passa pelo dinheiro guardado, mas também pela saúde cuidada antes da urgência, pelo conhecimento dos próprios direitos, pela estrutura de um negócio e pela disposição de procurar profissionais quando não temos todas as respostas. Pensar no futuro inclui planejar a aposentadoria. Gustavo chamou atenção para a necessidade de não tratar o benefício do INSS como única estratégia para manter o mesmo padrão de vida da fase ativa. O benefício não foi pensado para manter o mesmo padrão de vida da fase ativa, o que torna importante construir outras fontes de recursos ao longo dos anos. Thayssa acrescentou outra variável importante nessa conta: os gastos também mudam com o envelhecimento. Planos de saúde, por exemplo, podem sofrer aumentos significativos e pesar cada vez mais no orçamento justamente quando a necessidade de utilizá-los tende a crescer. Por isso, o planejamento precisa considerar não apenas quanto será necessário para viver no futuro, mas também como essas despesas podem evoluir. E há um detalhe que conecta esse planejamento ao direito apresentado no início da matéria: para aposentados que se enquadram nas condições previstas na legislação, a isenção do Imposto de Renda também pode alcançar rendimentos de previdência privada. Pra guardar na caixinha Não temos controle sobre tudo o que acontece. Mas podemos escolher o que construímos enquanto a vida segue dentro dos planos. Informação, saúde, reserva financeira, patrimônio, conhecimento dos próprios direitos e uma boa rede de apoio não impedem os imprevistos, mas criam condições melhores para atravessá-los. Planejar não é tentar controlar o futuro. É não deixar para construir segurança apenas quando ela já virou necessidade. No fim, preparar-se para o inesperado não significa viver esperando que alguma coisa dê errado. Significa cuidar do presente sem abandonar quem você será quando o futuro chegar. Deborah Cunha, Luciana Kirsten, Vanessa Toledo, Gustavo Amorim, Thayssa Nusa (Yara Tomei) Onde assistir O Tricotáh vai ao ar toda terça-feira, às 19h, no YouTube. Este e outros episódios estão disponíveis no canal oficial do programa. Link do youtube: https://youtu.be/r1q3H-SHEAU?is=N-aHcHtGc-_1rpea