Anatércia Romano, Thayssa Nusa, Vanessa Toledo, Fernanda Nassar, Thaynara Moraes (Yara Tomei) A mulher que perde a vontade de ter relações sexuais pode começar a questionar os próprios sentimentos. Aquela que vive cansada, irritada ou sem concentração nem sempre associa essas mudanças à saúde hormonal. Há ainda quem deixe de praticar exercícios, evite determinadas roupas ou sinta vergonha do próprio corpo por desconfortos na região íntima. Situações diferentes, mas que revelam uma dificuldade comum: reconhecer o que está acontecendo e falar sobre isso sem constrangimento. Para abordar questões que ainda despertam tantas dúvidas, o Tricotáh desta semana recebeu a ginecologista Fernanda Nassar, especialista em estética íntima. Ao lado de Vanessa Toledo e das tricoteiras Anatercia Romano, Thaynara Moraes e Thayssa Nusa, a médica compartilhou experiências da prática clínica e destacou a importância de um atendimento que considere as particularidades de cada mulher. Com 18 anos de formação, Fernanda passou cerca de 15 dedicada à obstetrícia. Gostava de acompanhar os nascimentos, mas a rotina intensa de plantões e o desejo de ter mais tempo para o filho a levaram a repensar a carreira. Já realizava cirurgias íntimas e encontrou nessa área outra forma de participar de mudanças importantes na vida das pacientes. A confirmação veio nos retornos ao consultório. Mulheres que antes relatavam desconfortos e inseguranças passaram a compartilhar experiências de melhora na autoestima e na confiança. Para a médica, a satisfação de acompanhar essas transformações trouxe um novo significado à profissão. Menopausa não é só calorão Anatercia Romano não imaginava que as noites mal dormidas, a vontade frequente de chorar, a falta de disposição e a queda da libido pudessem estar relacionadas ao climatério. Continuava menstruando regularmente e não sentia calorões, o sintoma que sempre associara à menopausa. O sofrimento emocional era tão intenso que cogitava procurar um psiquiatra e chegou a questionar os próprios sentimentos pelo marido. A descoberta durante uma consulta ginecológica revelou uma realidade ainda pouco compreendida. Fernanda explicou que o climatério envolve mudanças hormonais progressivas, com manifestações que variam entre as mulheres. Por isso, a avaliação deve considerar os sintomas, a história clínica e as condições de saúde de cada paciente. Thayssa Nusa destacou a dificuldade de distinguir alterações hormonais de questões emocionais, enquanto Thaynara Moraes ressaltou a importância do autoconhecimento. Ela contou que acompanha o próprio ciclo menstrual para identificar mudanças de humor e comportamento, o que a ajuda a reconhecer sinais que merecem atenção. Para Fernanda, esse cuidado também depende de uma relação aberta com o médico. Irritabilidade, ressecamento vaginal, dificuldades sexuais e outras queixas precisam ser mencionadas durante a consulta, mesmo que a paciente inicialmente não as associe à saúde ginecológica. A libido não funciona como um botão A diminuição do desejo sexual nem sempre tem origem hormonal. Questões emocionais, dificuldades no relacionamento e a forma como a mulher se sente em relação ao parceiro também podem interferir na libido. Fernanda contou que procura compreender essas circunstâncias durante as consultas. Em alguns casos, a paciente enfrenta uma relação desgastante ou abusiva. Em outros, existe dificuldade de comunicação ou falta de compreensão sobre as necessidades femininas. “Não adianta você melhorar também a libido dela e ela estar se relacionando com um parceiro que não está adequado ali”, explicou. A médica reconhece que nem todas as questões podem ser resolvidas no consultório ginecológico. Dependendo da situação, o acompanhamento psicológico pode ajudar a paciente a compreender melhor seus sentimentos e dificuldades. O cuidado também envolve investigar queixas de cansaço, falta de concentração e perda de disposição. Fernanda relatou que recebe mulheres que se dizem incapazes de concluir tarefas ou manter a energia necessária para enfrentar a rotina. Embora alterações hormonais possam contribuir para esses sintomas, outras causas precisam ser consideradas. A reposição hormonal pode ser indicada em determinadas situações, com diferentes formas de administração, como preparações transdérmicas e implantes. Fernanda ressaltou que a escolha deve considerar as necessidades de cada paciente, os riscos e benefícios do tratamento e o acompanhamento médico. A preocupação está no uso excessivo de hormônios, especialmente de anabolizantes para fins estéticos. A ginecologista relatou casos de mulheres que desenvolveram aumento do clitóris após o uso dessas substâncias e procuraram atendimento para corrigir a alteração. Fernanda Nassar (Yara Tomei) Estética íntima também é uma questão de conforto Evitar roupas justas, deixar de praticar exercícios ou sentir desconforto durante as relações sexuais são algumas das queixas que chegam ao consultório de Fernanda. A estética íntima reúne tratamentos cirúrgicos e não cirúrgicos voltados à região genital feminina, nem sempre motivados apenas pela aparência. Entre os procedimentos realizados pela especialista estão a redução dos pequenos lábios, intervenções na região do clitóris, correções perineais, retirada de excesso de pele na região anal e tratamentos para alterações na pigmentação e na aparência dos tecidos. Fernanda ressalta que não existe uma anatomia íntima ideal. Tamanho, formato e coloração variam naturalmente entre as mulheres, e a indicação de um procedimento deve considerar aquilo que realmente incomoda a paciente, sem reproduzir padrões de beleza. A insegurança também pode afetar a sexualidade. A médica relatou casos de mulheres que evitam ficar nuas diante do parceiro ou só conseguem manter relações com as luzes apagadas por vergonha da própria aparência. Entre suas pacientes também estão adolescentes com desconfortos físicos durante atividades escolares e esportivas, situações que exigem avaliação especialmente criteriosa. Fernanda observa que muitas mães procuram orientação para as filhas por reconhecerem dificuldades semelhantes às que enfrentaram na juventude, mas sobre as quais não tinham informação ou liberdade para falar. O procedimento começa antes da cirurgia A tecnologia é uma das ferramentas utilizadas por Fernanda nos procedimentos íntimos. A ginecologista trabalha com equipamento a laser, que permite realizar cortes precisos e controlar o sangramento durante determinadas intervenções. Segundo a médica, a técnica exige treinamento e habilidade profissional, especialmente por envolver uma região de anatomia delicada. A escolha do método deve considerar as características de cada caso, sem dispensar a avaliação dos riscos, da cicatrização e da recuperação. Fernanda explicou que realiza determinados procedimentos no consultório, com anestesia local. Antes da intervenção, faz a marcação cirúrgica e procura mostrar à paciente o que será realizado. Esse planejamento também envolve uma discussão sobre expectativas. Algumas mulheres chegam com referências de resultados que gostariam de alcançar, mas nem sempre a própria anatomia permite reproduzir determinada aparência. Para a especialista, esclarecer essas limitações é parte fundamental do atendimento. O objetivo é que a paciente compreenda as possibilidades reais do procedimento e participe da decisão de maneira consciente. A preocupação se estende aos casos de mulheres que procuram a médica depois de cirurgias anteriores, insatisfeitas com o resultado ou sem compreender exatamente quais alterações foram realizadas. Mais do que oferecer uma técnica, Fernanda defende um atendimento capaz de ouvir as queixas, avaliar as condições individuais e respeitar os limites de cada corpo. Fernanda Nassar (Yara Tomei) O cuidado que não aparece no espelho Falar com mais liberdade sobre menopausa, libido e anatomia genital representa um avanço para mulheres que cresceram cercadas por silêncio e constrangimento. Mas conhecer os tratamentos disponíveis não significa precisar recorrer a eles. Para Fernanda, o autocuidado também exige atenção à saúde emocional e à sobrecarga da rotina. Reconhecer o cansaço, a ansiedade ou a dificuldade de lidar com tantas responsabilidades pode ser tão importante quanto perceber uma mudança física. “Olhar não é só olhar no espelho, não. É olhar pra dentro de si”, afirmou a ginecologista, ao incentivar as mulheres a buscar ajuda profissional sempre que necessário. Fernanda também passa a integrar o elenco de mulheres incríveis do Tricotáh, com participações mensais dedicadas à saúde e ao bem-estar feminino. Pra guardar na caixinha Durante muito tempo, as mulheres aprenderam a conviver com dores, desconfortos e mudanças que mal conseguiam explicar. Hoje, há mais informação, tratamentos e liberdade para falar sobre o próprio corpo. Isso não significa que tudo precise ser corrigido. O desafio é reconhecer o que faz parte da nossa individualidade, identificar o que realmente compromete o bem-estar e entender que nenhuma mulher deveria sentir vergonha de procurar ajuda. Anatércia Romano, Thayssa Nusa, Vanessa Toledo, Fernanda Nassar, Thaynara Moraes (Yara Tomei) Onde assistir O Tricotáh vai ao ar às terças-feiras, às 19h, com apresentação de Vanessa Toledo. Esse e outros episódios podem ser vistos no canal do programa no YouTube. Link do youtube: https://youtu.be/qKDHZ7GA4rQ?is=Pq0n--v-OMopGJDo