Mithra Cherici, Thaynara Moraes, Vanessa Toledo, Khalyl Kirsten e Luciana Kirsten (Yara Tomei) Quando se fala em saúde bucal, ainda é comum associar o cuidado apenas à estética. Dentes alinhados, sorriso bonito, aparência. Mas a boca vai muito além disso: ela é um reflexo direto da saúde do corpo como um todo. Foi a partir desse olhar que o Tricotáh desta semana trouxe uma conversa profunda e necessária sobre a relação entre a saúde da boca e o funcionamento do organismo. Ao lado das tricoteiras Luciana Kirsten, Mithra Cherici e Thaynara Moraes, o programa recebeu o cirurgião bucomaxilofacial Dr. Khalyl Kirsten para ampliar esse debate. Logo no início, um ponto importante ficou claro: a boca não pode ser tratada como algo separado do corpo. Infecções bucais, inflamações, problemas gengivais e até a forma como mastigamos impactam diretamente sistemas como o digestivo, o cardiovascular e até o neurológico. Dra Mithra destacou que infecções na boca podem, inclusive, alcançar a corrente sanguínea e afetar estruturas importantes, como o coração. Já na visão da medicina integrativa, essa conexão é ainda mais ampla, envolvendo intestino, sistema nervoso e processos inflamatórios silenciosos. A MASTIGAÇÃO QUE NINGUÉM PRESTA ATENÇÃO Um dos pontos que mais chamou atenção foi a importância da mastigação, muitas vezes negligenciada na rotina acelerada. A nutricionista Luciana Kirsten reforçou que a digestão começa na boca. É ali que o alimento precisa ser bem triturado e misturado à saliva para que o corpo consiga absorver corretamente os nutrientes. Quando isso não acontece, o impacto vai direto para o intestino. Comer rápido, sem presença, ou mastigar de forma inadequada pode gerar desconfortos como gases, distensão abdominal, má digestão e até sobrecarga do organismo. Mais do que quantidade, o tempo da refeição se torna essencial. O corpo leva, em média, de 10 a 12 minutos para começar a sinalizar saciedade. Ou seja, quem come rápido tende a comer mais sem perceber. A prática do mindful eating, que propõe uma alimentação com atenção plena, aparece como um caminho para reconectar o ato de comer com consciência, presença e percepção. A BOCA COMO SINAL DE ALERTA Outro ponto forte da conversa foi a forma como muitas pessoas ignoram sinais importantes vindos da boca. Sangramentos, dores, dentes quebrados ou sensibilidade costumam ser tratados como algo passageiro. Mas, na prática, são indicativos de que algo não está bem. A própria Luciana trouxe uma reflexão importante: muitas pessoas só procuram um dentista quando a dor já está instalada, o que torna o tratamento mais invasivo e reforça o medo que tantos ainda carregam. Esse comportamento revela uma cultura que naturaliza sintomas na boca, enquanto qualquer sinal em outra parte do corpo gera preocupação imediata. DORES QUE NÃO PARECEM SER DA BOCA A conversa também trouxe um ponto pouco óbvio, mas extremamente relevante: a boca pode ser a origem de dores em outras partes do corpo. Problemas na articulação da mandíbula, má oclusão ou até tensão muscular podem desencadear dores de cabeça, desconfortos cervicais e até sintomas mais complexos, difíceis de diagnosticar. Além disso, hábitos como o bruxismo e o apertamento dental cresceram significativamente nos últimos anos, especialmente após a pandemia. O estresse e a ansiedade intensificaram esse comportamento, gerando desgaste dos dentes, dores e alterações na articulação. CIRURGIAS, MEDOS E EVOLUÇÃO DA ODONTOLOGIA Ao entrar no tema das cirurgias, o Dr. Khalyl trouxe uma visão que ajuda a desconstruir muitos medos. Procedimentos que antes eram vistos como complexos ou arriscados hoje contam com tecnologia, previsibilidade e ambientes cada vez mais controlados. Centros cirúrgicos próprios, por exemplo, permitem maior segurança e conforto para o paciente, especialmente em procedimentos mais longos, como reconstruções ósseas. Um dos destaques foi a explicação sobre os transplantes ósseos. Em casos de perda dentária ou uso prolongado de dentadura, há uma reabsorção do osso, o que pode comprometer a reabilitação. Hoje, com o uso de bancos de ossos regulamentados, é possível reconstruir essa estrutura de forma segura, permitindo que pacientes recuperem não apenas a função mastigatória, mas também qualidade de vida e autoestima. Khalyl Kirsten (Yara Tomei) SISO: MUITO ALÉM DE UM DENTE O famoso dente do siso também entrou na conversa, mostrando que ele está longe de ser um detalhe simples. Além de causar dor e desconforto, o terceiro molar pode gerar problemas como desalinhamento dos dentes, infecções, zumbidos e, em casos mais graves, até lesões mais sérias. A recomendação é que a avaliação seja feita ainda na adolescência, entre 16 e 17 anos, permitindo um acompanhamento preventivo e evitando complicações futuras. Curiosamente, nem todo mundo tem siso. E, segundo a própria explicação no programa, isso pode ser um sinal de evolução do organismo. AUTOESTIMA, RELAÇÕES E O PODER DO SORRISO Por fim, o programa trouxe um olhar mais emocional sobre o tema. A boca e o sorriso têm impacto direto na autoestima, nas relações pessoais e até na vida profissional. Questões como perda dentária, hálito, dores ou inseguranças podem afetar a forma como a pessoa se posiciona no mundo. Cuidar da saúde bucal, portanto, não é apenas uma questão funcional ou estética. É também um cuidado com a forma como nos relacionamos, nos expressamos e ocupamos nossos espaços. PRA GUARDAR NA CAIXINHA A boca não é só sorriso. É sinal. Sinal de como você se alimenta. De como você cuida do seu corpo. De como o seu organismo está funcionando por dentro. O corpo não esquece o que a gente ignora. Ele acumula. Inflama. Sinaliza de outras formas. E, quando a gente percebe, já não é mais só sobre a boca. Cuidar antes de doer não é exagero. É responsabilidade. Porque, no fim, não é falta de tempo. É escolha. E a pergunta que fica é: o que você ainda está deixando pra depois que já deveria ter olhado faz tempo? Mithra Cherici, Thaynara Moraes, Vanessa Toledo, Khalyl Kirsten e Luciana Kirsten (Yara Tomei) ONDE ASSISTIR O episódio completo do Tricotáh está disponível no canal do programa no YouTube. Acompanhe também os cortes, bastidores e conteúdos extras nas redes sociais do Tricotáh. Acesse: https://youtu.be/G3H6Evy9ZXc?si=AdfickINaZdAw3Zy