Luciana Kirsten, Thaís Campregher, Vanessa Toledo, Elder Cavalcante e Valéria Teixeira (Yara Tomei) No episódio desta semana, o Tricotáh trouxe para a conversa um tema cada vez mais presente: a longevidade ativa. Mais do que acrescentar anos à vida, o desafio hoje é garantir qualidade, autonomia e bem-estar ao longo do tempo. Ao lado de Vanessa Toledo, participaram da conversa a nutricionista Luciana Kirsten, a cirurgiã-dentista Thaís Campregher, a estrategista em inteligência artificial Valéria Teixeira e o fisioterapeuta Elder Cavalcante, convidado do episódio. Entre experiências pessoais, trajetórias profissionais e orientações práticas, uma ideia atravessou toda a conversa: cuidar do corpo deixou de ser algo pontual. Tornou-se um processo contínuo. Longevidade é autonomia Uma das reflexões que atravessou o programa foi a mudança de percepção sobre envelhecer. Se antes chegar aos 40 ou 50 anos parecia sinônimo de desaceleração, hoje muitas pessoas se sentem no auge da vitalidade. Mas viver mais, por si só, não basta. Longevidade sem qualidade de vida não é exatamente o que buscamos. O objetivo passa a ser outro: chegar aos próximos anos com autonomia, mobilidade e independência. Conseguir se movimentar, manter energia no dia a dia e preservar a liberdade de viver a própria rotina. E isso começa muito antes da velhice. Começa na forma como cuidamos do corpo hoje. Essa reflexão ganha ainda mais sentido em cidades como Santos, conhecida por ter uma das populações mais longevas do país. Caminhar pelo calçadão, frequentar academias ao ar livre ou remar no mar são cenas comuns que mostram como o envelhecimento pode estar associado a movimento, convivência e qualidade de vida. Mais do que viver mais, a questão passa a ser como viver esses anos. Consciência do corpo: o primeiro passo Ao longo da conversa, surgiu um ponto importante: desenvolver consciência corporal. Saber ouvir os sinais do próprio corpo, perceber dores, tensões e limitações e entender quando algo não está funcionando bem. Muitas vezes, sintomas como dores cervicais, bruxismo, tensões na mandíbula ou fadiga constante são sinais de que o organismo está pedindo atenção. Para Thaís Campregher, por exemplo, a saúde bucal vai muito além do sorriso. Problemas como apertamento dentário e bruxismo, frequentemente associados ao estresse e à ansiedade, podem gerar dores que irradiam para cabeça, pescoço e ombros, afetando sono, disposição e qualidade de vida. Cuidar do corpo, portanto, passa por entender que ele funciona como um sistema integrado. Movimento: prevenção antes da dor Na fisioterapia, essa mudança de mentalidade também é evidente. Com mais de duas décadas de atuação na área, Elder Cavalcante explica que durante muito tempo a fisioterapia foi associada principalmente à reabilitação, ou seja, ao tratamento de dores e lesões já instaladas. Hoje, porém, o olhar da profissão se ampliou. Segundo ele, a prevenção passou a ocupar um papel central. O movimento deixou de ser apenas parte do tratamento e passou a ser entendido como um dos principais pilares da saúde ao longo da vida. Na prática, isso significa preparar o corpo antes que os problemas apareçam. Exercícios bem orientados fortalecem músculos, melhoram mobilidade, aumentam equilíbrio e ajudam a evitar lesões que muitas vezes se desenvolvem silenciosamente ao longo de anos de sedentarismo. Elder chama atenção também para um ponto crucial no envelhecimento: a perda de massa muscular. A chamada sarcopenia é um dos fatores que mais comprometem a autonomia na terceira idade. Preservar musculatura significa manter força, estabilidade e reduzir o risco de quedas, um dos maiores desafios de saúde entre pessoas mais velhas. Como ele resume durante a conversa: “investir em músculo hoje é investir em qualidade de vida lá na frente.” Mais do que tratar dores, a fisioterapia hoje atua para manter o corpo funcional, ativo e independente por mais tempo. Elder Cavalcante (Yara Tomei) Alimentação e envelhecimento ativo A nutrição aparece como uma aliada fundamental nesse processo. Para Luciana Kirsten, construir e preservar massa muscular depende não apenas da atividade física, mas também da qualidade da alimentação. Nutrientes, proteínas, vitaminas e antioxidantes têm papel direto na recuperação muscular, na saúde intestinal e no equilíbrio metabólico. Um ponto simples, mas revelador, surgiu durante a conversa: olhar para o próprio prato. Pratos mais coloridos costumam indicar maior variedade de nutrientes. Já refeições dominadas por tons amarelados ou amarronzados muitas vezes refletem excesso de carboidratos e gordura e pouca diversidade alimentar. Pequenas mudanças na alimentação podem impactar diretamente a saúde a longo prazo. Tecnologia como aliada da saúde A tecnologia também aparece como uma aliada importante nesse cenário. Durante a conversa, Valéria Teixeira destacou como ferramentas digitais já vêm transformando a forma de acompanhar a saúde no dia a dia. Dispositivos como smartwatches e aplicativos de monitoramento permitem acompanhar batimentos cardíacos, qualidade do sono e níveis de atividade física em tempo real. Essas informações ajudam a identificar alterações antes mesmo que sintomas apareçam, ampliando as possibilidades de prevenção. Além disso, novas soluções vêm mudando a forma como os serviços de saúde são oferecidos. Plataformas digitais, telemedicina e prontuários integrados facilitam o acesso a profissionais e permitem que o acompanhamento médico aconteça de forma mais contínua e conectada. Na fisioterapia, por exemplo, surgem modelos de atendimento que conectam pacientes e profissionais diretamente pelo celular, possibilitando agendamentos domiciliares e ampliando o acesso ao cuidado. Para Valéria, a tecnologia não substitui o profissional de saúde, mas atua como uma ferramenta que amplia o alcance do cuidado e ajuda a prevenir problemas antes que eles se tornem mais graves. Um novo estilo de vida Outro ponto que atravessou a conversa foi a mudança no estilo de vida contemporâneo. O excesso de trabalho, o tempo prolongado diante das telas e o sedentarismo passaram a impactar diretamente o corpo moderno. Problemas musculares, alterações metabólicas, fadiga e até distúrbios emocionais muitas vezes estão ligados a esse ritmo acelerado. Por isso, falar em longevidade hoje também significa repensar hábitos: movimento, descanso, alimentação, sono e equilíbrio emocional. O corpo não acompanha apenas o passar do tempo. Ele acompanha a forma como vivemos. Para guardar na caixinha Talvez a pergunta não seja apenas quantos anos queremos viver. A pergunta é: como queremos chegar até lá? Com autonomia para caminhar, viajar, brincar com os netos, levantar da cadeira sem dor, viver com liberdade. Longevidade não começa aos 60 ou 70 anos. Ela começa nas escolhas que fazemos todos os dias: no prato que montamos, no movimento que não adiamos, na atenção que damos aos sinais do corpo. Porque viver mais é uma conquista da medicina. Mas viver bem continua sendo uma construção pessoal. Luciana Kirsten, Thaís Campregher, Vanessa Toledo, Elder Cavalcante e Valéria Teixeira (Yara Tomei) Onde assistir O episódio completo do Tricotáh está disponível no canal do programa no YouTube. Toda terça-feira, às 19h, um novo episódio traz conversas, histórias e reflexões sobre saúde, comportamento, empreendedorismo e qualidade de vida. Link do Youtube: https://youtu.be/4NRB78sF2RM?si=LRVTzdIHlsChwW9T