. (Luiz Rodriguez) “Mudar de cidade já é desafiador. Agora imagine mudar e decidir construir um negócio do zero, sem nome, sem rede, sem indicação.” O programa desta semana começou assim: direto, honesto e sem romantizar o processo. Empreender em uma nova cidade não é apenas uma decisão profissional. É uma decisão emocional. É atravessar o medo do desconhecido, sustentar a própria escolha quando ainda não existe validação externa e confiar na própria bagagem quando o cenário parece silencioso demais. No episódio desta semana, o Tricotáh falou sobre a fase mais silenciosa do empreendedorismo: quando ninguém ainda sabe quem você é. Aquele momento em que as primeiras oportunidades demoram, a rede ainda não existe e a autoconfiança precisa nascer antes da validação externa. Vanessa Toledo recebeu as tricoteiras Thaynara Moraes, Thaís Campregher e Deborah Cunha, além da convidada, a empresária Taiana Correia, para uma conversa que uniu estratégia e vulnerabilidade, bagagem e ruptura, constância e construção de rede. . (Luiz Rodriguez) Recomeçar é um ato de ruptura Taiana chegou a Santos depois do fim de um relacionamento e decidiu reconstruir a vida com os filhos. Um recomeço que veio acompanhado de medo, mas também de decisão. “No início, o medo quase me paralisou. Mas eu acreditei no processo.” Foi nesse momento que Deborah trouxe uma das reflexões mais fortes da conversa: às vezes temos menos medo do que já é ruim do que do que é novo. O conhecido, mesmo desconfortável, parece mais seguro do que a incógnita. E romper é rasgar o papel de cima para descobrir o que existe por baixo. . (Luiz Rodriguez) Ninguém começa do zero de verdade Se o cenário é novo, a bagagem não é. Thaynara compartilhou sua própria trajetória: saiu do país por trabalho, construiu carreira fora e, anos depois, precisou recomeçar no Brasil. Sem carteira de clientes. Sem rede consolidada. Sem base pronta. Mas com experiência! Ninguém começa do zero. Começa com repertório, valores, vivências e, principalmente, com a forma como escolhe se posicionar. Para ela, o pilar sempre foi o cuidado. Tratar o negócio do outro como se fosse seu. Entregar além do combinado. Manter disciplina mesmo quando ainda não há reconhecimento. Ao longo da conversa, uma frase atravessou o programa: tanto a fé quanto o medo são invisíveis. No fim, empreender é escolher qual invisível vai conduzir o caminho. Thaís acrescentou uma camada importante a essa reflexão. Para ela, o medo já foi paralisante. Hoje, é impulso. Um desafio que fortalece. Cada vez que enfrenta algo que antes a travava, percebe que é capaz. E como bem lembrado por Thaynara: depois do medo, vem o mundo. Forte ou flexível? A pergunta surgiu naturalmente. E a resposta veio imediata, e com humor. Deborah resumiu: as duas coisas. Darwin já explicou. Sobrevive quem é forte e adaptável. A frase arrancou risadas e abriu espaço para um dos momentos mais leves do programa. “Bota um batom vermelho e vai.” A imagem é divertida, mas carrega uma verdade que muitas mulheres reconhecem: às vezes, a força é simplesmente a decisão de continuar. Nem sempre a força é ausência de medo. Muitas vezes, é só a escolha de se levantar e seguir. Força e flexibilidade não são opostos. São complementares. Força sustenta a decisão inicial. Flexibilidade permite ajustar a rota. E empreender exige coragem para começar, mas também maturidade para adaptar. A solidão de quem é forte demais Existe um risco silencioso em sustentar a fortaleza o tempo todo. Quando você tenta ser forte em todas as situações, pode acabar se tornando inacessível. E a consequência quase sempre é a solidão. Se as pessoas acreditam que você não precisa de ajuda, elas deixam de oferecer. E quando você não sabe pedir ou não sabe receber, o peso permanece inteiro sobre você. A conversa ganhou um tom mais íntimo ali. Porque pedir ajuda também é autocuidado. E aprender a receber pode ser tão desafiador quanto aprender a delegar. Ser forte é importante, mas permitir-se ao apoio também é! Rede é construção, não coincidência Ficou evidente que ninguém constrói sozinho. Mais do que falar de networking, o programa falou de relacionamento. Rede não é troca de cartão. É troca de confiança. É convivência. É presença constante em ambientes que ampliam repertório, geram visibilidade e fortalecem credibilidade. Uma frase sintetizou essa lógica: o CPF vem antes do CNPJ. Antes da empresa, existe a mulher. Existe a mãe. Existe a história. Estar em ambientes de conexão foi decisivo para acelerar reconhecimento e abrir portas. Mas a rede não entrega apenas negócios. Entrega apoio. Entrega parceria. Entrega pertencimento. E, às vezes, entrega algo ainda maior. Foi em um desses ambientes que nasceu uma história que ultrapassa o empreendedorismo: Taiana encontrou o amor da vida. Relacionamento não é apenas estratégia comercial. É estratégia de construção. Erros e acertos: o que a prática ensina No encerramento, Vanessa propôs um exercício simples e honesto: um erro e um acerto na trajetória de cada uma. Thaynara reconheceu que, por muito tempo, teve dificuldade em pedir ajuda. A crença de que precisava dar conta de tudo sozinha reverberou no negócio. Delegar foi um aprendizado necessário. O acerto veio da entrega. Envolver-se profundamente em cada projeto trouxe reciprocidade e reconhecimento. Vanessa foi direta ao olhar para a própria trajetória. Saber comunicar não era suficiente. O erro foi não compreender o negócio como negócio no início. O acerto foi construir credibilidade pela constância e pelo relacionamento. Entregar além do combinado se tornou parte do posicionamento. Thaís identificou como erro ter saído da faculdade excelente tecnicamente, mas sem preparo em gestão e administração. Isso impactou diretamente a estrutura do início da carreira. O acerto veio quando retornou para a área que a fez escolher a profissão: a transformação do sorriso e da autoestima dos pacientes. Taiana reconheceu que buscar perfeição e assumir todas as funções no começo foi um erro. Delegar levou tempo. O acerto foi apostar no atendimento personalizado, acompanhando cada cliente do início ao fim. Deborah trouxe uma reflexão mais interna. A empresa era reflexo do seu estado emocional. Enquanto ela estava em caos, o negócio também estava. O acerto foi confiar no instinto e insistir com constância. Um produto que inicialmente não teve adesão se tornou o diferencial que a destacou. Pra guardar na caixinha Recomeçar é escolher, mesmo com medo. Força abre o caminho. Flexibilidade mantém você nele. E a construção começa quando você decide não parar. Onde assistir Toda terça-feira tem episódio inédito no canal oficial do Tricotáh no YouTube. E nas redes sociais, você acompanha bastidores, cortes especiais e tudo o que acontece além das câmeras.