Thaís Campregher, Deborah Cunha, Vanessa Toledo, Lia do Valle, Valéria Teixeira (Yara Tomei) Mudar de país deixou de ser um plano distante para muitos brasileiros. Em busca de qualidade de vida, oportunidades profissionais, segurança ou acesso à educação, cada vez mais pessoas alimentam esse projeto. Ao lado de Deborah Cunha, Thaís Campregher e Valéria Teixeira, Vanessa Toledo recebeu a empresária Lia do Valle para falar sobre cidadania, vistos e mobilidade internacional. Os documentos, porém, acabaram sendo apenas o ponto de partida para uma conversa sobre planejamento, adaptação e a forma como grandes mudanças começam muito antes do embarque. Muito além da cidadania As perdas familiares ainda muito jovem, a experiência como comerciante e a mudança de carreira ajudaram Lia a construir a visão que leva para o trabalho até hoje: grandes mudanças exigem preparo. "Sonhar é uma coisa. Sonhar, se organizar e planejar é onde está o sucesso do teu sonho." Segundo ela, muita gente acredita que o maior desafio será reunir documentos. Mas, na prática, o processo começa bem antes disso. Lia explicou que boa parte do trabalho começa com perguntas aparentemente simples: conversar com os familiares mais velhos, descobrir onde os antepassados nasceram e localizar registros de casamento, óbito ou batismo. Mas, nem sempre essas respostas aparecem com facilidade. Há documentos que desapareceram, cartórios que deixaram de existir e registros encontrados apenas em igrejas ou conservatórias de pequenas cidades da Europa. Em outros casos, sobrenomes foram alterados ao longo do tempo, exigindo novas buscas e retificações. Mais do que um procedimento burocrático, conquistar uma segunda cidadania acaba se transformando em uma viagem pela própria história da família. Planejamento também faz parte da mudança Se conseguir a documentação exige paciência, decidir morar em outro país pede um cuidado ainda maior. "O maior investimento não é só o financeiro. É o investimento emocional." Para Lia, esse é um aspecto que costuma ser esquecido por quem idealiza uma vida no exterior. Morar fora significa adaptar-se a uma nova cultura, aprender outro idioma, construir novas relações e viver longe da rede de apoio. Quando há filhos, surgem outros desafios: uma nova escola, novos costumes e um processo de adaptação que envolve toda a família. Mais do que organizar documentos, é preciso organizar expectativas. Preparar essa mudança enquanto a vida ainda está estruturada no Brasil torna a transição mais segura e reduz o impacto de um recomeço. Já sobre vistos, Lia chamou atenção para um erro comum: transformar um visto de turismo em porta de entrada para morar definitivamente em outro país. A expectativa de que a vida se resolva depois do desembarque costuma ignorar uma série de desafios que aparecem apenas quando a mudança acontece e por isso, Lia defende que o processo comece antes mesmo da mudança. "Você está no Brasil? Está com a tua vida estruturada? Então faz o processo daqui. Quando for aprovado, você vai." Não existe um único caminho Quem pensa em morar fora costuma procurar respostas prontas, mas elas raramente existem. Estudar, empreender, trabalhar, competir como atleta ou investir em outro país são projetos diferentes e, por isso, seguem caminhos diferentes. Para tudo existe um visto. Mais do que conhecer a legislação, é importante que cada pessoa entenda qual processo faz sentido para a própria realidade. Escolher um caminho apenas porque funcionou para outra pessoa pode comprometer todo o planejamento. Lia do Valle (Yara Tomei) Dar conta de tudo ainda pesa Se mudar de país exige planejamento, a rotina também pede escolhas. O assunto levou a conversa para outro desafio comum a muitas mulheres: equilibrar carreira, negócios, filhos, casa e vida pessoal. Durante muito tempo, assumir múltiplos papéis foi tratado como sinônimo de competência. Hoje, muitas começam a questionar essa lógica. Deborah reconheceu que escolheu construir uma trajetória intensa, mas admite que toda decisão traz renúncias. Thaís disse que continua sendo uma mulher multitarefa, embora já não sinta necessidade de provar o tempo todo do que é capaz. Valéria contou que o maior desafio passou a ser diminuir a autocobrança. Vanessa resumiu uma sensação compartilhada por muitas mulheres: durante anos acreditou que dizer "não" era sinal de fraqueza. Hoje entende que estabelecer prioridades também faz parte do equilíbrio. No fim das contas, amadurecer também significa escolher onde colocar energia. Entre cidadanias, vistos, mudanças de país e rotina, o programa acabou deixando uma percepção em comum: grandes transformações dificilmente acontecem por impulso. Elas pedem planejamento, preparo e, muitas vezes, uma boa rede de apoio para que novos caminhos realmente possam começar. Pra guardar na caixinha Nem toda mudança começa com uma passagem comprada. Algumas começam quando organizamos documentos, outras, quando reorganizamos prioridades. No fim, passaportes abrem fronteiras. Mas são as escolhas que constroem os caminhos. Thaís Campregher, Deborah Cunha, Vanessa Toledo, Lia do Valle, Valéria Teixeira (Yara Tomei) Onde Assistir Este e outros episódios do Tricotáh, apresentado por Vanessa Toledo, estão disponíveis no canal oficial do programa no YouTube. Link do youtube: https://youtu.be/U5cfb_KVAgI?si=F9p5uc7p1IKWnvXe