Gabriela Lousada, Thaynara Moraes, Vanessa Toledo, Lívia Passareli, Anatércia Romano (Yara Tomei) Nunca foi tão fácil aparecer. Redes sociais, vídeos, tendências e novas ferramentas ampliaram as possibilidades de exposição, mas visibilidade, sozinha, não garante confiança nem permanência. Vanessa Toledo e as tricoteiras Anatercia Romano, Thaynara Moraes e Gabriela Lousada receberam a consultora de marketing e posicionamento Lívia Passarelli para discutir credibilidade, autenticidade e os desafios de construir uma imagem que faça sentido dentro e fora das redes sociais. Muito além das redes Posicionamento costuma ser associado primeiro às redes sociais: o que publicar, como aparecer, que imagem transmitir ou qual estratégia adotar. O ponto de partida, porém, vem antes. A maneira como alguém se coloca no mundo envolve valores, escolhas, comportamento e a forma de conduzir as próprias relações. As redes ajudam a tornar parte disso visível e ampliar seu alcance. Como resumiu Thaynara, o digital é apenas “a cerejinha do bolo”. Na prática, uma imagem profissional segura, acessível ou comprometida com determinados valores perde força se a experiência fora das telas segue na direção oposta. Anatercia usou a própria atuação como exemplo: seria incoerente defender a autonomia feminina profissionalmente sem levar os mesmos princípios para sua vida pessoal. Reputação também se forma longe das publicações. A forma de trabalhar, cumprir compromissos, tratar pessoas e agir nos bastidores deixa impressões, mesmo sem qualquer intenção de transformá-las em conteúdo. Uma estratégia pode ajudar a definir como alguém deseja ser percebido. A credibilidade depende da capacidade de manter essa percepção na experiência real. Da conexão à decepção Essa relação fica mais evidente nas escolhas de consumo. Antes de contratar um profissional, é comum pesquisar seu trabalho, acompanhar conteúdos e formar uma impressão a partir do que ele apresenta nas redes. A expectativa criada ali acompanha o público até a experiência presencial. Se o profissional encontrado fora da tela parece incompatível com aquele acompanhado diariamente, a confiança construída até então pode se desfazer. Anatercia contou que viveu essa situação ao procurar uma médica que seguia havia bastante tempo. Nas redes, o conteúdo transmitia proximidade e familiaridade. No consultório, encontrou um atendimento frio e muito diferente da imagem que conhecia. A experiência a fez questionar até que ponto o restante do que acompanhava pela internet também correspondia à realidade. A mesma lógica vale para produtos, serviços, cursos e mentorias. Uma boa comunicação pode conquistar a primeira venda, mas a experiência influencia o que acontece depois. “Antes de comprar um produto, a gente compra a pessoa”, pontuou Thaynara. Uma decepção pode representar não apenas a perda daquele cliente, mas também das indicações que poderiam surgir a partir dele. Por isso, mesmo em um cenário dominado pelas redes sociais, o velho boca a boca continua relevante. A internet apresenta, aproxima e desperta interesse. A entrega confirma ou desfaz a reputação construída até ali. Mudar sem perder a essência A internet de hoje guarda pouca semelhança com a de alguns anos atrás. Orkut, blogs, YouTube, Instagram, podcasts, cursos e mentorias ocuparam espaços diferentes. Formatos ganharam força, perderam espaço e deram lugar a novas maneiras de produzir e consumir conteúdo. Acompanhar esse movimento faz parte do trabalho de quem depende da comunicação para alcançar o público. Isso pode envolver novas plataformas, linguagens e estratégias, sem a obrigação de abandonar tudo o que vinha sendo construído. Ao longo dos anos, as ferramentas mudaram diversas vezes, enquanto diferentes fases da vida também passaram a fazer parte dos conteúdos. A consistência permite mudança. Formatos, plataformas, opiniões e até objetivos podem se transformar sem romper uma trajetória. O desafio está em acompanhar o novo sem simplesmente reproduzir tudo o que funciona para os outros. Lívia Passareli (Yara Tomei) A busca por clareza Para mostrar quem somos, primeiro precisamos nos conhecer. Só que esse processo nem sempre é simples ou confortável. Olhar para si ajuda a reconhecer qualidades e desejos, mas também revela contradições, limites e comportamentos que preferíamos não enxergar. Para Gabriela, não existe um ponto em que todas as respostas estão dadas. A vida muda e traz novas perguntas. Alem disso, o autoconhecimento leva tempo e não acontece de forma linear. Anatercia admitiu ter dificuldade com esse movimento. Acostumada profissionalmente a resolver problemas, contou que tende a buscar respostas práticas e seguir em frente. Parar para olhar para si pode trazer a sensação de estar “pedalando para trás”. Lívia também contou estar vivendo uma fase de incerteza profissional. Sem saber exatamente onde pretende chegar nos próximos anos, tem experimentado possibilidades e tentado entender quais caminhos fazem sentido para seu momento atual. Se as pessoas mudam, a maneira de se apresentar também pode mudar. A questão é saber até onde vale ir para crescer. Até onde vale mudar para crescer? Imagine ser uma profissional competente e ver alguém com menos experiência crescer muito mais nas redes sociais. A orientação recebida é mudar a imagem, o discurso e até a personalidade para se tornar mais vendável. Vale a pena? Melhorar a comunicação faz parte de qualquer estratégia. Novas fotos, ajustes na identidade visual ou formatos diferentes podem ajudar a alcançar o público sem transformar quem está por trás deles. O problema é criar uma rotina, um discurso ou uma personalidade impossível de manter. Anatercia levou o exemplo para as tendências de conteúdo. Ela contou já ter recebido sugestões para falar sobre assuntos em alta, mas recusou temas com os quais não se sentia confortável. Aproveitar um assunto apenas pelo potencial de audiência poderia gerar alcance, mas dificilmente teria continuidade em seu trabalho. “Não tem como você querer crescer e florescer abandonando quem você é. Pode até tentar, mas você vai dar três passos, quatro passos e vai voltar. Não vai se sustentar”, resumiu Gabriela. Pra guardar na caixinha Mudar faz parte. A forma de comunicar, os objetivos e até os caminhos escolhidos podem se transformar com o tempo. O cuidado está em não confundir evolução com a criação de um personagem. Credibilidade se constrói quando o que mostramos combina com aquilo que fazemos e entregamos. Gabriela Lousada, Thaynara Moraes, Vanessa Toledo, Lívia Passareli, Anatércia Romano (Yara Tomei) Onde assistir O programa completo está disponível no canal do Tricotáh no YouTube. Link do youtube: https://youtu.be/oEJOYVfBYXo?si=oLpP9DAVIikbFQWP