Deboráh Cunha, Thaynara Moraes, Vanessa Toledo, Patrícia DAlessandro e Anatércia Romano (Yara Tomei) No episódio desta semana, o Tricotáh trouxe para o centro da conversa um tema cada vez mais presente na vida das mulheres: o novo olhar sobre a própria saúde. Ao lado de Vanessa Toledo, participaram do bate-papo a empresária Deborah Cunha, a estrategista digital Thaynara Moraes e a advogada Anatércia Romano. Como convidada, o programa recebeu Patrícia D’Alessandro, especialista em marketing com mais de 20 anos de atuação no setor da saúde. Entre experiências pessoais, análises de comportamento e visão de mercado, a conversa percorreu temas como autonomia feminina, prevenção, mudanças geracionais e os impactos de um novo perfil de consumo na área da saúde. Do cuidar do outro ao olhar para si Durante muito tempo, o cuidado feminino foi direcionado para fora. Filhos, família, rotina. O próprio corpo ficava em segundo plano. A percepção de que mulheres foram ensinadas a cuidar de todos, mas não necessariamente de si mesmas. A advogada Anatércia Romano trouxe esse cenário a partir da sua vivência profissional. Segundo ela, muitas mulheres só passam a olhar para a própria saúde quando enfrentam uma ruptura, como o divórcio. É nesse momento que assumem decisões que antes não estavam sob seu controle, como a escolha de planos de saúde, exames e acompanhamento médico. Mais do que uma mudança de rotina, é uma mudança de posição: de dependência para autonomia. A empresária Deborah Cunha reforçou esse comportamento ao reconhecer que, por muito tempo, priorizou tudo ao redor antes de si mesma. E que, mesmo com mais consciência hoje, esse ainda é um desafio presente na rotina de muitas mulheres. Ao mesmo tempo, uma nova geração começa a se posicionar de forma diferente. A estrategista digital Thaynara Moraes representa esse novo olhar. Para ela, cuidar da saúde não é uma resposta à doença, mas parte da rotina. Um hábito construído no dia a dia, com acompanhamento e prevenção. Esse contraste evidencia uma virada geracional. Mulheres mais jovens já crescem com outra mentalidade, enquanto mulheres de 40, 50 anos ou mais começam a ressignificar o próprio papel. Já não se enxergam mais no lugar das antigas “vozinhas”, mas como mulheres ativas, produtivas e inseridas no mercado. Entre informação, consumo e cuidado Se antes faltava acesso, hoje o desafio é outro. O excesso de informação transforma a saúde em um território confuso, onde diferentes profissionais, abordagens e recomendações convivem, muitas vezes, sem um filtro claro. Nesse cenário, surge uma dificuldade cada vez mais comum: saber em quem confiar. Ao mesmo tempo, o próprio modelo de atendimento também mudou. A consulta pontual dá lugar a planos de cuidado contínuos. O profissional deixa de atuar apenas na resolução de um problema e passa a acompanhar o paciente de forma mais ampla. Um movimento positivo, mas que também traz um viés mais comercial para a saúde. Esse novo cenário se conecta diretamente com o crescimento do mercado de wellness, que ganha força ao transformar saúde em estilo de vida, consumo e escolha diária. Há uma mudança clara de lógica. Menos volume, mais qualidade. Menos reação, mais prevenção. E isso exige adaptação. Empresas, profissionais e pacientes passam a ocupar novos papéis. O paciente deixa de ser passivo e assume uma posição mais ativa, mais informada e, ao mesmo tempo, mais responsável pelas próprias decisões. Autonomia feminina e o poder de decisão A relação entre autonomia e saúde aparece como um dos pontos relevantes da conversa. Segundo a advogada Anatércia Romano, a falta de autonomia ainda é um fator determinante na vida de muitas mulheres. Sem independência financeira ou emocional, decisões básicas sobre saúde podem ficar limitadas. Isso se reflete diretamente em situações de separação. Nos casos de divórcio, especialmente entre casais mais velhos, o plano de saúde frequentemente se torna um dos principais pontos de impasse. Muitas mulheres ainda são dependentes do plano do ex-marido e, ao romper o vínculo, perdem automaticamente o acesso. E aí surge um problema prático. Dependendo da idade e do histórico de saúde, nem sempre é simples contratar um novo plano. Há regras de elegibilidade, carências e até limitações relacionadas a doenças pré-existentes, o que pode dificultar ou até inviabilizar a transição. Esse cenário revela um ponto importante. Autonomia não é apenas liberdade de escolha. É também condição para acesso. Mas esse movimento vem mudando. Cada vez mais mulheres conquistam independência, assumem decisões e passam a se posicionar de forma mais ativa em relação à própria vida e ao próprio cuidado. E essa mudança não é apenas individual. Ela impacta o mercado, os serviços e a forma como produtos são pensados, acompanhando um perfil feminino mais autônomo, mais consciente e mais exigente. Patrícia DAlessandro (Yara Tomei) Não são mais “vozinhas” O aumento da expectativa de vida é uma realidade. Mas mais do que viver mais, a forma de envelhecer também mudou. Durante o programa, esse ponto aparece de forma clara e até bem-humorada. A imagem da mulher mais velha já não corresponde mais àquela figura associada à fragilidade ou à limitação. Hoje, mulheres de 40, 50, 60 anos seguem ativas, produtivas e inseridas no mercado. Cuidam da saúde, se movimentam, trabalham, se reinventam. A idade deixou de ser um limite e passou a ser uma nova fase. E isso muda completamente a relação com o corpo e com a saúde. Porque, nesse novo cenário, não se trata apenas de viver mais. Se trata de como se quer viver. Autocuidado possível Se existe um ponto em comum entre todas as falas, é esse: o autocuidado ainda é um desafio real. Entre trabalho, filhos, rotina e responsabilidades, manter uma disciplina ideal nem sempre é possível. A própria conversa mostra isso na prática. Enquanto algumas conseguem estabelecer rituais e hábitos consistentes, outras reconhecem as dificuldades de encaixar o cuidado na rotina. E talvez o maior aprendizado esteja justamente aí. Autocuidado não precisa ser perfeito. Precisa ser possível. Pequenos ajustes, escolhas conscientes e a intenção de não se colocar sempre em último lugar já fazem diferença. Pra guardar na caixinha A gente aprendeu a cuidar de tudo. Menos da gente. E talvez o maior desafio não seja saber o que fazer. É se colocar, de fato, como prioridade. Não começar a se cuidar só na dor. Mas na decisão de não se abandonar no meio da rotina. Mesmo quando a rotina aperta. Mesmo quando não é conveniente. Mesmo quando ainda não é perfeito. Deboráh Cunha, Thaynara Moraes, Vanessa Toledo, Patrícia DAlessandro e Anatércia Romano (Yara Tomei) Onde assistir O episódio completo você assiste no canal do YouTube do Tricotáh, com exibição inédita todas as terças-feiras, às 19h. Link do Youtube: https://youtu.be/KX-psOI_FwE?si=yWR5QFMqyKKQzs_Q