Participantes concordaram que desenvolvimento do modelo porto-indústria exige decisões conjuntas para agregar valor às mercadorias (Alexsander Ferraz/AT) Planejamento de longo prazo, integração entre os diferentes elos da cadeia logística e capacidade de transformar projetos em ações concretas são pontos fundamentais para desenvolver a relação porto-indústria no Brasil. Essa foi a conclusão do primeiro painel do Summit Porto-Indústria, realizado nesta terça-feira (1°), no Grupo Tribuna. O tema do debate foi Portos-Indústria e as Lições Globais de Desenvolvimento. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Apesar das diferentes experiências apresentadas, os participantes concordaram que o desenvolvimento de um verdadeiro modelo de porto-indústria exige abandonar decisões isoladas e construir uma estratégia conjunta e duradoura. CEO da Bandeirantes Deicmar, Washington Flores avalia que parte dos problemas enfrentados atualmente no Porto de Santos é consequência de decisões tomadas sem considerar, de forma antecipada, toda a infraestrutura necessária para acompanhar a expansão portuária. “Temos que conviver com o que está implantado e planejar melhor para evitar consequências desastrosas e para a situação não ficar pior do que está hoje. O nosso modelo de concessões, de regulação e de controle, olhando o conjunto da obra, precisa melhorar. Precisamos de instrumentos melhores para que a execução seja feita”. Para Rafael Cristelo de Souza, diretor da K Line, empresa que atua no transporte marítimo de veículos, defende que Santos avance além da função de porta de entrada e saída de mercadorias e agregue valor às cargas, especialmente no segmento automotivo. “Não podemos ser um porto que simplesmente recebe o carro e o deixa esperando o navio chegar. É possível prestar serviços, fazer customizações e agregar valor. Talvez o grande segredo seja justamente a integração entre todos os stakeholders da cadeia e a segurança que um planejamento de longo prazo proporciona”. Marcelo Vieira, diretor comercial da Rimac, que atua com equipamentos destinados à movimentação nos setores portuário, siderúrgico e logístico, colocou o custo da logística no centro da discussão sobre a aproximação entre porto e indústria. “Imagine ter uma indústria próxima ao porto e toda a redução de custos que isso pode proporcionar, mas principalmente de tempo. Quando se transporta um equipamento de grandes dimensões, é preciso passar por vias municipais, estaduais e federais, obter licenças e ainda enfrentar restrições para a descida da Serra. Estando próximo ao porto, você reduz uma série dessas etapas”. Integração Um exemplo brasileiro de integração entre produção e logística foi apresentado pela gerente de Estratégia, Gestão e Novos Negócios da Portocel, Valéria Becalli Provete. Ela lembrou que o modelo implantado há quase 50 anos no Terminal Especializado de Barra do Riacho, em Aracruz (ES), foi concebido com a fábrica de celulose próxima ao porto e uma infraestrutura logística planejada de forma integrada, incluindo os modais ferroviário e rodoviário. “O conceito de porto-indústria visa trazer eficiência ao processo como um todo, garantindo que o ganho produtivo industrial se reflita na entrega final aos clientes. O sucesso daquele projeto foi fruto de um planejamento antecipado e de uma visão sistêmica da cadeia”. Especialista comercial do Departamento de Comércio dos Estados Unidos no Brasil, Fabíola Rios Carneiro Leão apresentou aspectos do modelo adotado no Porto de Houston (EUA). Segundo ela, uma das características relevantes é a descentralização da gestão portuária, que confere maior autonomia regional às decisões. “A Autoridade Portuária de Houston não responde ao governo federal. Ela responde a conselhos regionais e locais, e isso acaba trazendo uma agilidade muito grande quando contratos de concessão e arrendamento vão ser negociados ou quando investimentos vão ser planejados e atraídos. Tudo isso é feito em um tempo muito menor e acaba trazendo agilidade ao processo”.