Rasmussen criticou tendência de priorizar espécies “mais fofinhas” (Bárbara Leite/Especial para A Tribuna) O economista e biólogo Richard Rasmussen defende uma abordagem mais pragmática na preservação ambiental. Ele disse que é necessário reduzir o peso das emoções e priorizar critérios técnicos e econômicos nas decisões que envolvem o meio ambiente, em palestra especial de encerramento realizada no Summit Portos, promovido pelo Grupo Tribuna, nesta terça-feira (7), em Brasília. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Não é fácil deixar o chapéu do ser humano para trás”, declarou Rasmussen, reforçando que, em uma função técnica, é preciso adotar “um olhar menos romântico”. Para ele, a conservação ambiental exige responsabilidade e escolhas difíceis. “Conservação não é para amadores. Ela envolve, muitas vezes, escolhas que não são exatamente as que a gente gostaria, mas são as necessárias.” O especialista destacou que essa lógica se aplica a diferentes setores, inclusive ao portuário, e também ao cotidiano. “Nós somos natureza, não somos separados dela. E, no dia a dia, precisamos fazer escolhas que não queremos, mas que são as mais corretas e têm menor impacto”, disse. Rasmussen também chamou atenção para a seletividade na forma como a sociedade enxerga os impactos ambientais. “Impacto vai ter, sempre. Até quando a gente veste uma roupa. O algodão, por exemplo, tem um impacto enorme, com uso intensivo de defensivos”, explicou. Ele criticou a tendência de priorizar espécies consideradas “mais fofinhas”, como golfinhos ou primatas, enquanto outros impactos passam despercebidos. Para o biólogo, o caminho passa por planejamento e gestão. “Temos que deixar um pouco o coração de lado e usar mais o management (gerenciamento). No fim, tudo termina onde? No bolso”, concluiu, reforçando que decisões ambientais estão diretamente ligadas à economia e à forma como a sociedade organiza seus recursos. Maxwell Rodrigues afirmou que o encontro aprofundou o debate (Bárbara Leite/Especial para A Tribuna) É preciso equilibrar economia e meio ambiente Encontrar o ponto de convergência entre o avanço de projetos de infraestrutura e celeridade nos processos de licenciamento ambiental é a questão chave para o desenvolvimento sustentável no setor portuário. O consultor para assuntos portuários do Grupo Tribuna, Maxwell Rodrigues, afirmou que o encontro foi oportuno para um debate aprofundado sobre como viabilizar projetos sustentáveis e competitivos. “Não é possível tratar preservação ambiental de forma isolada. A responsabilidade ambiental passa por pilares importantes. Não adianta pensar apenas na preservação sem uma estrutura econômica que a sustente”. Para Rodrigues, o próprio setor portuário já carrega uma forte preocupação ambiental, mas precisa usar o potencial de investimento como aliado. “Devemos aprender a lidar com o poder desse capital para impulsionar cada vez mais a preservação”. Um dos principais entraves, de acordo com Rodrigues, está na falta de clareza das regras que regem o licenciamento ambiental. Ele explicou que o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) tem papel central nesse processo ao oferecer previsibilidade aos investidores. “O estudo deve dar toda a estrutura necessária para que o investidor saiba claramente o que vai encontrar no licenciamento ambiental”, comentou. Rodrigues salientou que a ausência de transparência e a insegurança jurídica afastam o capital estrangeiro. “Não podemos mais tratar a atratividade desse capital com surpresas após o investimento ou concessão”, frisou.