Prédios altos, ruas movimentadas e uma paisagem urbana cada vez mais vertical. Para muitos, essa imagem está associada ao trânsito intenso, à perda de áreas verdes e à sobrecarga de infraestrutura. Mas será que verticalizar é necessariamente sinônimo de uma vida menos sustentável? Segundo especialistas do poder público, empresários e acadêmicos que participaram do 13º Summit da Construção Civil, realizado pelo Grupo Tribuna na terça-feira, a resposta pode estar na forma como o crescimento urbano é planejado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Em Santos, nós temos uma ocupação concentrada e otimizada na sua porção insular, o que mantém preservada uma grande área de mais de 90% da Área Continental. Totalizando, Santos preserva três quartos do território e isso é muito significativo, isso é sustentabilidade, é preservar o meio ambiente otimizando a infraestrutura daquele espaço que já está ocupado”, afirmou o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade de Santos, Glaucus Farinello. Conceitos “As pessoas confundem verticalização com adensamento (populacional). Você tem o potencial construtivo dentro do terreno e ele pode ser usado de diversas maneiras. Pode ser feita uma obra de dez pavimentos com dez apartamentos por andar, ou você pode fazer 50 pavimentos com dois apartamentos por andar. Você vai ter o mesmo potencial construtivo, a mesma área construída. O que muda é o achatamento”, disse o presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Mateus Teixeira. “Muitas pessoas podem achar que o achatamento (com prédios mais baixos) compensa, porém, esse achatamento vai proporcionar menos recuo entre os prédios, menos insolação, menos ventilação. Você acaba tornando os mezaninos (primeiros pavimentos) mais baixos, deixando o impacto visual pior”, completou Teixeira. Para o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie, Valter Caldana, a altura dos edifícios não é um problema. “Lembrando que no século 21 a gente não mora em casa, a gente mora na cidade, o foco da discussão é a relação desta altura, desta verticalidade, com o horizontal. O chão da cidade não pode ser privativo, ele é coletivo. Ele até pode ser privado, mas não pode ser privativo”, disse Caldana. “Se nós ficarmos discutindo a altura, não vamos discutir o que interessa, que é o conceito de cidade coletiva, que nós temos que construir daqui pra frente”, destacou. Compensações Segundo Farinello, a administração pública tem pensado em soluções para compensar os impactos causados pela vertica-lização. “É verdade que em Santos eu preservo uma boa parte significativa nas suas condições originais e ocupo, adenso e otimizo aquela porção do território que já foi ocupada. Esse é o caminho sustentável, mas a gente sabe que o processo de ocupação tem mais consequências”, destacou o secretário. “Temos que trazer um pouquinho daquela natureza da Área Continental que a gente preserva muito bem para dentro da cidade e, por isso, no ano passado, implantamos o Programa Santos Sustentável, que visa justamente essa reflexão como a natureza”. A iniciativa visa a arborização urbana e a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. A Prefeitura realizou um mapeamento das ilhas de calor da Cidade, o que permitiu identificar áreas para o plantio de novas árvores. Segundo Farinello, 2,5 mil plantios foram feitos no ano passado. Ele destacou ainda que a parceria das construtoras é fundamental nesse processo e que está em andamento no Campo Grande, em Santos, projeto piloto de Mata Urbana, que será um laboratório para jardins de chuva. “Essa ideia de que a verticalização seja um problema não é correta, pois na verdade vai ter a mesma densidade de apartamentos, porém achatados (prédios mais baixos), o que na verdade não traz nenhum benefício”, diz Mateus Teixeira, presidente da Assecob (Alexsander Ferraz/AT) Contrapartida Em seu discurso durante a abertura do 13o Summit da Construção Civil, o prefeito de Santos, Rogério Santos (Republicanos), afirmou analisar a verticalização como um fator positivo, pois ela propicia que “fique tudo perto”, haja pouco deslocamento, e isso ajuda na mobilidade, apoiando os pequenos comércios. Mas ele ressalta: “quando você verticaliza, é importante que seja feita de maneira correta, a partir de estudos, como o Estudo de Impacto de Vizinhança. Há em Santos também a lei que foi criada e tem trazido recursos fundamentais para a Cidade por meio das parcerias com as empresas”. Entre exemplos de obras feitas com contrapartidas, Rogério Santos cita a reforma do Aquário e a remodelação urbana da Ponta da Praia.