Apesar do resultado negativo nas vendas de usados em julho, o acumulado dos últimos 12 meses até esse mês é positivo (Alexsander Ferraz/AT) A venda de imóveis residenciais usados na Baixada Santista, litoral de São Paulo, caiu 7,96% em julho, na comparação com junho, revelando um cenário de maior cautela entre os compradores. Os dados são de pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “São movimentos próprios do mercado, que necessita de muita confiança por parte dos adquirentes”, afirma o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto. “A política econômica do governo é um fator que sempre é levado em consideração. Quando tivemos a taxação do governo norte-americano, por exemplo, as notícias trouxeram consequências nefastas, pois muitas pessoas têm receio de contratar financiamentos longos diante de uma incerteza tão grande. Isso prejudicou os negócios, além de uma taxa Selic tão elevada como está”. A pesquisa ouviu imobiliárias em todas as cidades da região. Ela mostra que os consumidores seguem atentos aos preços, à localização, ao tamanho dos imóveis e às condições de pagamento. No mercado de vendas, a busca concentrou-se principalmente em apartamentos de dois dormitórios e imóveis com valores entre R\$ 301 mil e R\$ 400 mil. Para Viana, a possibilidade de valorização do imóvel também é um fator fundamental para a compra. “Todo mundo compra um imóvel e quer vê-lo valorizado o mais rápido possível. Essa valorização é um dos fatores mais importantes”. “Outro fator é a localização do imóvel em relação à escola dos filhos e endereço de trabalho do casal. Isso tem uma importância muito grande, pois, nos dias de hoje, qualquer tipo de distância do trabalho para residência implica em trânsito”. Acumulado do ano Apesar do resultado negativo nas vendas de usados em julho, o acumulado dos últimos 12 meses até esse mês é positivo, com um aumento de 29,6%. “Temos uma expectativa otimista para o segundo semestre. Apesar de a taxa Selic estar alta (14% ao ano), temos o programa Minha Casa, Minha Vida, que foi estendido e hoje atende imóveis de até R\$ 600 mil. Isso incluiu muita gente com a possibilidade de compra e com taxa de juro mais adequada para faixa de renda”, afirma. Além disso, ele aponta o potencial turístico da região como um aspecto importante na tomada de decisão dos compradores. “Temos tradicionalmente uma procura muito grande de pessoas não só da região, mas de todo o Estado, inclusive de outros estados, que procuram a Baixada Santista para fazer o seu investimento de lazer. Com isso, continuaremos tendo um mercado imobiliário com progressão muito grande”, acrescenta Viana. Preços Segundo a pesquisa do Creci-SP, na avaliação dos preços, revela concentração das vendas no padrão médio em julho. As unidades entre R\$ 301 mil e R\$ 400 mil foram responsáveis por 29,3% das negociações. Os imóveis acima de R\$ 501 mil representaram 24,1% das vendas. Na sequência, aparecem as unidades entre R\$ 201 mil e R\$ 300 mil e as entre R\$ 401 mil e R\$ 500 mil, ambas com 19% das negociações. Os imóveis de até R\$ 200 mil corresponderam a 8,6% das vendas. Financiamento Em julho, o financiamento pela Caixa respondeu por 35,1% das compras de imóveis. Os empréstimos concedidos por outros bancos tiveram participação de 24,6%, enquanto as compras à vista representaram 26,3% das negociações. As operações diretas com o proprietário corresponderam a 10,5% e os consórcios ficaram com 3,5%. Apartamentos de dois quartos lideram as negociações A pesquisa do Creci-SP de julho aponta que, entre os apartamentos, os de dois quartos tiveram ampla predominância, correspondendo a 59,4% das vendas. As unidades de um dormitório ficaram com 31,3%, e os de três, 9,4%. Não foram registradas operações na modalidade de quatro ou mais quartos. No segmento de casas, as vendas de unidades de dois dormitórios ficaram com 38,5% das vendas. As de três quartos responderam por 30,8%, enquanto as com quatro ou mais representaram 11,5%. Os imóveis de um dormitório corresponderam a 19,2%. Os apartamentos representaram 56% das vendas na região, enquanto as casas ficam com 44%. A supremacia dos apartamentos reforça a importância desse segmento no mercado da região, especialmente em municípios litorâneos, onde a limitação territorial, a proximidade da praia e a oferta de serviços favorecem a procura por essa modalidade. Segundo o Creci, o perfil das vendas demonstra a força dos imóveis compactos e intermediários, especialmente os apartamentos de dois dormitórios. Essas unidades atendem tanto às famílias que procuram moradia permanente quanto compradores interessados em investimento, locação ou utilização eventual no Litoral.