Currículo vem sendo atualizado com inclusão de disciplinas sobre sustentabilidade, eficiência energética e design ecológico, com foco em práticas e tecnologias atuais (This is Engineering/Pexels) Com as tendências voltadas a construções sustentáveis cada vez mais presentes no setor, os cursos de Engenharia Civil também passaram a explorar e promover essas novas práticas ecologicamente corretas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A maioria das universidades, por força de mercado, está se adaptando às demandas da sociedade e preparando profissionais para um novo protagonismo, o de líder em sustentabilidade e formador de opinião, com mudanças de paradigmas construtivos arcaicos e que não servem mais”, acredita o professor Juarez Ramos da Silva, do curso de Engenharia da Universidade Católica de Santos (UniSantos). “Há de fato essa preocupação, que começa nas salas de aula e oficinas técnicas dos cursos de Engenharia Civil. Hoje temos normas de desempenho dos materiais. Incentiva- se o reúso de materiais e a reciclagem, com redução dos desperdícios”, explica ele. Professora na Universidade Santa Cecília (Unisanta), Gabriela Mello Quina Diogo concorda que o ensino vem se atualizando nos cursos de Engenharia e Arquitetura. “O currículo está sendo atualizado, com inclusão de disciplinas sobre sustentabilidade, eficiência energética e design ecológico, com foco em práticas e tecnologias atuais. Além disso, há o surgimento de especialidades como Engenharia de Eficiência Energética, Gestão de Sustentabilidade e Arquitetura Verde”, conta. Segundo ela, há investimentos também no uso de softwares e simulações para avaliar o impacto ambiental e a eficiência energética dos projetos, além de cursos práticos em tecnologias sustentáveis. Diretora da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS), a arquiteta Iara Migoto concorda que as tendências voltadas à sustentabilidade já são uma realidade e vê preparação no setor. “A construção sustentável tem que levar em conta como a obra vai afetar o meio ambiente antes, durante e depois da construção, isso é muito importante”, afirma ela. “Hoje, as principais tendências do setor estão focadas em sustentabilidade e inovação. Com isso, há um impulso para termos edificações mais eficientes economicamente e ecologicamente mais responsáveis. Todos estão tentando se adequar e, com muito estudo e planejamento, conseguiremos chegar lá”, acredita Iara. Impacto Segundo os especialistas, o uso de itens mais sustentáveis realmente ainda impacta no custo dos empreendimentos. “Há um impacto considerável no custo das edificações que utilizam as inovações e aplicam a sustentabilidade, infelizmente. Esse valor no preço final do investimento, pode passar de 30%, dependendo das tecnologias e processos utilizados. Tem que ter visão de médio e longo prazo, bem como consciência ambiental. Energia solar, reúso de água, pé direito maior, vidros específicos, elevadores inteligentes, entre outros, trazem benefícios, mas têm custos elevados”, diz o professor Juarez Ramos da Silva. “Incorporar tecnologias e materiais sustentáveis pode aumentar o custo inicial da construção”, concorda a professora da Unisanta, Gabriela Diogo. “O aumento pode variar, mas frequentemente fica entre 5% e 20%, dependendo das tecnologias e do projeto específico”, avalia ela, completando que há uma economia a longo prazo. “Apesar do custo mais alto, a economia com energia e manutenção ao longo da vida útil do edifício pode compensar o investimento inicial”. Frases “A sustentabilidade tem três pilares: ambiental, social e econômico. Felizmente a população está entendendo isso e as construções e construtoras estão se adaptando. Materiais com menor peso específico e de melhor desempenho estão na ordem do dia” Juarez Ramos da Silva - Engenheiro civil e professor da UniSantos “Muitas construtoras e profissionais estão investindo em treinamentos e certificações para se atualizarem com as novas práticas e tecnologias sustentáveis. Mas ainda há uma curva de aprendizado e adaptação, e nem todos os profissionais estão igualmente preparados para implementar todas as inovações sustentáveis” Gabriela Diogo - Engenheira civil e professora da Unisanta “Hoje em dia é possível monitorar (em tempo real) o consumo de água, gás e energia, possibilitando otimizar os serviços e também os recursos naturais, com redução de impactos ambientais nas construções” Iara Migoto - Arquiteta e diretora da AEAS Principais novidades Tecnologias de eficiência energética: instalação de sistemas de energia renovável, como painéis solares e turbinas eólicas, e a integração de tecnologias de edifícios inteligentes que otimizam o consumo de energia. Materiais sustentáveis: utilização de materiais com menor pegada de carbono, como concreto reciclado, madeira certificada e materiais de baixo impacto ambiental. Design ecológico: projetos que incorporam vegetação, como telhados verdes e paredes vivas, além de técnicas de ventilação natural e aproveitamento de luz natural. Gestão de água: sistemas de captação e reúso de água da chuva e instalações que economizam água, como torneiras e chuveiros de baixo fluxo. Certificações ambientais: certificações como LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method) e AQUA (Alta Qualidade Ambiental), que avaliam e garantem a sustentabilidade dos edifícios. Fazenda solar pode ser a bola da vez Tendência que tem se tornado realidade no setor da construção, a instalação de placas fotovoltaicas, formando as chamadas fazendas solares, deve ser considerada ainda na fase de concepção do empreendimento. Segundos os especialistas ouvidos por A Tribuna, o item responsável por converter a luz do sol em energia elétrica tem ganhado força no mercado. “Os painéis solares são uma tendência. Precisam ser incorporados na concepção do projeto. A estrutura precisa estar adequada à sua instalação, pois são pesados e necessitam de um cabeamento específico. Hoje, os painéis solares são mais utilizados em casas, mas há também utilização nos edifícios, onde as construtoras chamam de fazenda de energia solar”, eplica o professor da UniSantos Juarez Ramos da Silva “Poucos prédios antigos conseguem se adaptar às mudanças, tais como painéis solares, reúso de água, vidros que diminuem o calor interno, elevadores inteligentes, portaria eletrônica etc. É uma realidade. Veja por exemplo os prédios inclinados de Santos. Fato conhecido desde os anos 1970, e somente agora, estão se mobilizando para tentar resolver o problema. Isso levará anos e será de altíssimo custo”, exemplifica o professor do curso de Engenharia. “A adoção de sistemas de energia solar está se tornando mais comum, especialmente em novas construções, mas também em reformas de edifícios existentes. A instalação de painéis solares pode exigir modificações no projeto da planta, incluindo espaço para os painéis e a infraestrutura elétrica necessária”, considera a engenheira Gabriela Mello Quina Diogo, professora da disciplina de Materiais de Construção Civil da Unisanta. Apesar de alguns desafios, ela vê no retrofit uma saída para a sustentabilidade em edifícios antigos “É possível adaptar prédios antigos através de reformas que incluam tecnologias de eficiência energética, como instalação de janelas de vidro duplo, isolamento térmico, e sistemas de energia renovável”, garante ela, que alerta: “A adaptação, no entanto, pode ser complexa e cara, especialmente em edifícios históricos ou com estrutura e sistemas antigos”. O que é A placa solar fotovoltaica é um dos principais equipamentos do sistema de energia solar, sendo responsável por realizar a conversão da luz do sol em energia elétrica por meio da captação dos raios ultravioleta.