Celso Petrucci, diretor do Secovi: “a classe média está espremida” (Alexsander Ferraz/AT) Em um cenário de juros elevados e orçamento da classe média cada vez mais pressionado, a discussão sobre funding, fontes de recursos que sustentam o financiamento da construção e da compra de imóveis, tem ganhado peso no setor imobiliário. Durante sua palestra sobre funding no 13º Summit da Construção Civil, o diretor de Economia do Secovi-SP, Celso Petrucci, afirmou que o Secovi e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) estão tentando desenvolver um modelo, com testes realizados a partir de 2024, de trazer dinheiro do fundo do pré-sal para financiar uma parte do programa Minha Casa, Minha Vida. “Estamos perto de um modelo para tentar montar um novo fundo com o recurso do pré-sal e que esse fundo possa trazer dinheiro novo para o nosso setor a uma taxa de juros que seja atraente para os agentes financeiros”, completou o economista. () Reação Em sua análise sobre o desempenho do setor neste ano, Petrucci afirmou que os números relativos ao primeiro semestre, divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), mostram que o mercado de crédito imobiliário vem reagindo. De janeiro a junho de 2026, as negociações com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para aquisição e construção chegaram a R\$ 93,7 bilhões, alta de 29% ante o mesmo período do ano passado. “O mercado vem crescendo constantemente desde a pandemia, quando tínhamos 250 mil unidades vendidas em 12 meses. Hoje nós temos mais de 400 mil. Nós tínhamos mais de 200 mil unidades lançadas em 12 meses, hoje nós temos quase 500 mil. Ou seja, o mercado está crescendo e as empresas vão se adequando”, afirma o economista. () Juros Segundo Petrucci, no entanto, as taxas de juros são um desafio para a classe média e, consequentemente, ao setor. “Não dá para pensar numa economia em que se esperava terminar o ano com a Selic em 12,25% e ela deve terminar o ano em 13,75%. É ruim trabalhar assim, porque há monopólio de produção, monopólio dos nossos fornecedores, mas a taxa de juros é pior do que tudo paro nosso mercado”, destacou o diretor de Economia do Secovi-SP. “A classe média está espremida pelo plano de saúde, está espremida pelos custos da educação, está espremida pelos custos de serviços”, lamentou o especialista.