David Fratel, representante do Sinduscon, fala sobre oferta de mão de obra: entidades do setor esperam melhora do ambiente de negócios (Alexsander Ferraz/ AT) Com implantação a partir de 2026, a reforma tributária deverá impactar positivamente a construção civil. Segundo o economista Bruno Carazza, professor da Fundação Dom Cabral, o setor será o mais beneficiado, com estudos apontando que a mudança pode levar ao crescimento extra de 10,5 pontos percentuais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Estudos mostram que a perspectiva para o setor da construção civil é que, além do esperado da média de crescimento para os próximos 15 anos, ele venha a crescer 10,5 pontos percentuais a mais, dadas as vantagens da reforma tributária: simplificação, desoneração dos investimentos e fim da tributação em cascata”, disse ele durante o 11º Summit da Construção Civil, evento do Grupo Tribuna que reuniu nesta segunda-feira (26) especialistas, autoridades, empresários e entidades do setor. “Haverá uma simplificação muito grande no sistema tributário brasileiro, desonerando investimentos como compra de máquinas e equipamentos, que será isenta. Por isso, para a construção civil, há um grande potencial para impulsionar os negócios”, explicou Carazza. O especialista, no entanto, faz um alerta sobre o período de transição (entre 2026 e 2033), quando devem vigorar, simultaneamente, os sistemas atual e novo. “Haverá um processo de aprendizado das empresas com o novo sistema, uma transição entre as sistemáticas. Mas quando estiver operando plenamente, a perspectiva é de ganhos muito positivos para o setor”. “Estamos há anos aguardando a reforma tributária, que poderá trazer competitividade e produtividade ao País”, comentou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Renato Correia, durante a abertura do evento, realizado no auditório do Grupo Tribuna. “No início, não será fácil para a indústria da construção, que hoje tem uma tributação simples e que passará a ser mais complexa. Mas será bom para o País, então será bom para a construção civil. Esperamos que melhore o ambiente de negócios e traga mais habitação e infraestrutura para a sociedade brasileira”, afirmou Correia. Importância “A construção civil, tanto pela geração de empregos como pela geração de tributos, é a terceira maior atividade econômica do País”, destacou o presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Mateus Teixeira. “O setor representa 6% do PIB brasileiro, sendo um dos pilares da economia do nosso País. No ano passado, segundo a CBIC, tivemos um crescimento de 23% em relação ao ano anterior e ainda foram criados 2 milhões de postos de trabalho nos últimos três anos”, afirmou o diretor-presidente de A Tribuna, Marcos Clemente Santini. Prefeituras “A cadeia da construção civil é enorme, pois extrapola a obra em si. Ela envolve encanadores, pintor, decorador, arquitetos, engenheiros e isso fomenta toda a cidade. O setor é um grande aliado das prefeituras”, disse o secretário de Desenvolvimento Urbano de Santos, Glaucus Farinello, também presente no evento. Presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), o prefeito de São Vicente, Kayo Amado (Pode), convidou Teixeira, da Assecob, para participar das reuniões do Condesb. “Seria uma oportunidade interessante para o setor apresentar as demandas para as prefeituras da região”. Pesquisa aponta confiança Apesar de desafios também previstos para os próximos anos, os empresários da construção têm expectativas positivas para o nível de atividades do setor. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ouviu aproximadamente 600 empresários em todo o País durante julho e mostrou que 54,6% deles estão confiantes para os próximos seis meses. O estudo foi apresentado ontem pela economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Ieda Vasconcelos, durante a 11ª edição do Summit da Construção Civil. Após um momento de incerteza em janeiro deste ano (quando 49,9% dos construtores se sentiam confiantes), o índice vem crescendo. “Desde janeiro de 2024, o índice de confiança do empresário da construção permanece em patamar elevado, com expectativas positivas para o nível de atividade, novos empreendimentos, compras de matérias primas e número de empregados”, afirmou Ieda. Para a economista, as novas condições do programa Minha Casa, Minha Vida e as expectativas positivas com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são alguns fatores que explicam o resultado. A confiança reflete também na projeção para o PIB do setor. De acordo com o levantamento apresentado pela economista-chefe da CBIC, no primeiro trimestre deste ano, a entidade projetou crescimento de 2,3% para o PIB da construção civil em 2024. Essa expectativa foi revisada pela entidade e passou a ser de 3%.