No pico das obras em Santos, 360 profissionais trabalham na construção, segundo o empresário Mateus Teixeira. Ele lembra que a etapa mais complexa é a finalização nos andares mais altos (Alexsander Ferraz/AT) Em edifícios com mais de 40 andares, considerados arranha-céus, cada metro acrescentado à estrutura traz novos desafios para a engenharia. Vento, fundações, deslocamento de materiais, circulação de trabalhadores, sistemas de segurança e precisão na execução são alguns dos fatores que precisam ser planejados desde as primeiras etapas da obra. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o diretor da Construtora Macuco, Mateus Teixeira, empilhar tantos andares em um só terreno exige preparação. “É necessário um projeto estrutural mais detalhado, pois novos fatores devem ser levados em consideração como força do vento, oscilação do prédio”. “Tudo isso gera uma estrutura mais robusta. Além de fundação onde são utilizadas diversas soluções, como estacas escavas, estacas barretes entre outras, pois cada uma atende melhor um desses novos fatores”, afirma o executivo, cuja construtora está com as obras na fase final do edifício Castell Di João Paulo. A torre terá 153 metros de altura (43 andares) e será uma dos mais altas de Santos. Desde que a obra teve início, em maio de 2023, já foram utilizados aproximadamente 15 mil metros cúbicos de concreto e 2,3 mil toneladas de aço. Teixeira conta que, no pico das obras, 360 profissionais trabalham na construção. Ele lembra que a etapa mais complexa é a finalização nos andares mais altos. “As concretagens das lajes acima do 40º pavimento foi desafiadora devido às condições climáticas (vento e neblina). E também por conta da distância para transporte dos materiais. O maior problema logístico é a movimentação vertical tanto dos materiais como das pessoas”, conta o construtor. Para a obra do Castell Di João Paulo, foram utilizados quatro elevadores e uma minigrua no canteiro para fazer o transporte vertical. Segundo ele, esses equipamentos não têm limite de altura, como os elevadores normais, pois são presos na estrutura do prédio. Já para a concretagem, ele conta que é necessário um equipamento maior que o normal. “O concreto também tem uma receita diferente exatamente para, ao bombar, conseguir atingir as alturas necessárias”, diz Teixeira. Fundações Na construção civil, a fundação é a estrutura de base que recebe todo o peso de uma edificação e o transfere de forma segura para o solo. É ela quem garante estabilidade, evitando o afundamento e a inclinação de um prédio. Quando se trata da construção de um prédio com mais de 150 metros, os cuidados são ainda maiores. “O principal desafio foi achar as camadas de solo residual que tivessem a resistência necessária para apoio das estacas, o que aconteceu a 63 metros de profundidade em alguns casos”. “Edifícios mais altos possuem uma maior concentração de carga nos seus pilares, o que requer uma fundação mais robusta. A solução de fundação adotada foi a de estacas escavadas de grande diâmetro, sendo elas circulares e barretes (com 62 metros de profundidade), totalizando 73 estacas”, diz ele sobre a fundação do edifício, localizado no José Menino, em Santos. “Conversamos muito com os vizinhos e programamos a chegada e descarga dos materiais para não haver vários caminhões (ao mesmo tempo no local). Assim utilizamos somente a área em frente à obra”, afirma Mateus Teixeira, diretor da Construtora Macuco (Alexsander Ferraz/AT) Empresa define estratégias para ritmo planejado Quanto mais alto o prédio, maior o desafio de fazer a obra avançar no ritmo planejado. Para vencer esse obstáculo, as construtoras têm recorrido à inovação em diferentes etapas do empreendimento, desde o planejamento e a logística até a execução da estrutura e das instalações. A tecnologia passa a ser uma aliada para reduzir desperdícios, antecipar problemas e acelerar o cronograma sem abrir mão da segurança e da qualidade. “Há alguns anos já utilizamos materiais com uma velocidade maior na produtividade, como gesso e blocos estruturados nas alvenarias, o que gera um ganho na produção, pois tem uma qualidade melhor em questão de acabamento, assim ganhando tempo e produtividade”, afirma o diretor da Construtora Macuco, Mateus Teixeira. Para empreendimentos de alto padrão, no entanto, ele alerta que eventuais pedidos de personalização dos apartamentos acabam impedindo o uso de materiais maiores pré-fabricados, o que costuma agilizar a construção. “Para obras residenciais como o Castell Di João Paulo (alto padrão), não conseguimos utilizar muitos equipamentos pré-fabricados prontos, como um kit. Mas utilizamos várias partes já pré-montadas, o que facilita na montagem final”, diz o empresário. “Isso ocorre pois temos um atendimento exclusivo aos compradores de personalização das unidades, tendo praticamente 80% das unidades com algum tipo de modificação (no acabamento)”, afirma. O edifício, cuja construção começou em maio de 2023, deve estar concluído em dezembro. Elevadores Outra curiosidade quando se trata de arranha-céus diz respeito aos elevadores. No caso do empreendimento da Construtora Macuco, serão quatro elevadores com uma velocidade aproximada de 3,5 metros por segundo. Conforme o diretor da Macuco, em prédios menores, a velocidade dos elevadores é de 1,5m/s a 2 m/s.