Os aluguéis residenciais subiram 5,97% no Brasil no acumulado do ano até julho, quase o dobro da inflação do período, de 3,44%, segundo o Índice FipeZap, elaborado a partir de anúncios de apartamentos prontos para locação em 36 cidades espalhadas pelo País. Em igual período, os aluguéis subiram 2,92% em Santos e 7,7% em Praia Grande. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Já no acumulado de 12 meses até julho, o índice nacional subiu 9,28%, enquanto em Santos avançou 5,26% e em Praia Grande, 10,18%. De acordo com especialistas, enquanto a taxa de juros afasta os compradores da casa própria, morar de aluguel continua pesando no bolso do brasileiro, com avanço maior do que a inflação no País. “O crescimento das locações está relacionado, entre outros fatores, ao atual cenário de juros. Com o custo do financiamento ainda elevado, parte das famílias adia a decisão de compra e opta pela locação, mantendo maior flexibilidade enquanto aguarda um momento mais favorável para adquirir o imóvel”, avalia o diretor regional do Secovi-SP na Baixada Santista, Carlos Meschini. “A procura permanece elevada e encontra uma oferta mais restrita, especialmente em Santos. Esse desequilíbrio entre demanda e disponibilidade contribui para pressionar os valores dos aluguéis e mantém o mercado de locação aquecido”, afirma o especialista. Somente em julho, os preços da locação no Brasil avançaram 0,70%, desacelerando ligeiramente diante dos 0,81% registrados em junho. Mesmo com a perda de ritmo, o aumento mensal superou com folga a inflação medida pelo IPCA, de 0,07%. O IGP-M, conhecido como índice do aluguel por ser tradicionalmente usado como referência em contratos imobiliários, caiu 1,16% no mês. Em Santos, a valorização foi mais discreta em julho, de 0,15%, mas acompanha a trajetória de alta observada no mercado nacional. Em Praia Grande, chegou a 0,53%. Na opinião do diretor da imobiliária R3 Real State, Sthefano Lopes, o cenário de alta apresentado em todo o País vem se repetindo na Baixada Santista também. “Notamos um salto na locação, com uma demanda crescente nos últimos anos e aumento acima da inflação”, confirma o empresário. Para ele, além da Selic, outros fatores estão contribuindo para a alta dos aluguéis. “A Selic num patamar alto (14% ao ano) afasta as famílias da compra e elas buscam o aluguel, o que pressiona a demanda por locação. Como o acesso ao crédito está caro, as famílias acabam optando por alugar”, diz Sthefano. “Além disso, alguns investidores migraram da locação para renda fixa, ainda por conta da alta da Selic, então isso faz com que o número de imóveis para locação tenha diminuído. Por fim, a Baixada Santista é muito valorizada, tanto na hora de locar como no momento de comprar. Temos uma demanda alta em toda a Baixada devido ao Porto, às temporadas de férias e para moradia”, completa o diretor da R3.