[[legacy_image_298951]] A necessidade (e o desejo) de reformar a casa ou o apartamento bateu à porta do brasileiro nos últimos anos. Desde 2020, em virtude do isolamento social, os domicílios deixaram de ser apenas um local de descanso e passaram a abrigar outras atividades, como trabalho, estudo, exercícios físicos e lazer. Isso fez com que uma parte significativa das pessoas promovesse adequações em um ou vários espaços do imóvel. Um levantamento realizado pela Casa do Construtor – empresa de locação de equipamentos para construção civil com atuação na América Latina – e a AGP Pesquisas entrevistou 600 pessoas, em todas as regiões do País, e revelou que o consumidor continua gastando. Segundo a pesquisa, 63% das pessoas realizaram algum tipo de reforma nos últimos 12 meses (ante 68% em 2020). Quanto à intenção de futuras obras, nos próximos seis meses, os números indicam que 69% das pessoas pretendem realizar alguma intervenção no imóvel. “Mesmo com o arrefecimento da pandemia, os cuidados com as residências são hábitos que vieram para ficar e continuam em alta. Identificamos um desejo geral de deixar os espaços mais adequados para uma série de atividades, o que acaba estimulando não apenas a construção civil, como a demanda por outros mercados associados, como decoração e design”, diz o CEO e sócio-fundador da Casa do Construtor, Altino Cristofoletti Junior. “Para além das grandes obras, o mercado de pequenas e médias reformas se mostra resiliente, o que expressa um desejo latente de aprimoramento e embelezamento dos lares. Um melhor acesso a crédito, juros mais competitivos e menor carga tributária possibilitariam um desenvolvimento ainda maior”, analisa o executivo. VarejoO setor varejista também está cauteloso e aguarda os próximos meses para comemorar uma melhora. Resultados do ‘termômetro’ divulgado recentemente pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) revelaram que, em agosto passado, 27% dos empresários registraram alta nas vendas, um aumento de um ponto percentual em relação a julho. Em agosto de 2022, no entanto, a percepção de alta nas vendas era de 30% dos entrevistados. Ainda de acordo com a Anamaco, as expectativas otimistas para as vendas nos próximos três meses alcançaram 62% dos entrevistados. Na Região Sudeste, 58% dos comerciantes acreditam em crescimento até o final do ano. PandemiaSócio-proprietário de uma loja de materiais para construção em Mongaguá, o empresário Elcio Nardi afirma que houve uma piora recente nas vendas, após o crescimento registrado no auge da pandemia. “Muitas pessoas aproveitaram o pagamento do auxílio emergencial durante a pandemia para realizar reparos em suas casas e apartamentos. Até porque, como estavam passando mais tempo em casa com o homeoffice, muitos aproveitaram o momento para deixar o imóvel mais aconchegante”, conta o empresário, que está no ramo há mais de 33 anos. “Em 2023, em contrapartida, estamos sentindo uma retração muito grande. Além da concorrência com a internet, que aumentou muito, os juros estão altos e as pessoas estão sem dinheiro”, afirma ele, que aposta nos últimos meses do ano para compensar o movimento. “O fim de ano costuma ser a época em que as pessoas querem deixar a casa arrumada para as festas e as férias, então pode ser que haja uma virada”, acredita Nardi.