Celso Petrucci, economista-chefe do Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis de São Paulo (Secovi-SP) (Alexsander Ferraz / AT) Apesar de considerar a taxa básica de juros, a Selic, aplicada no Brasil, um limitador para o crescimento da construção civil, o economista-chefe do Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci, acredita em números positivos para o setor nos próximos meses. O especialista participou do 13º Summit da Construção Civil, realizado pelo Grupo Tribuna. Em entrevista, ele afirma que as próximas eleições podem impactar algumas empresas de pequeno e médio portes da construção civil. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Como o sr. analisa o setor da construção civil neste semestre? O mercado imobiliário vem crescendo em todo o País significativamente desde a pandemia e nós atingimos números recordes de lançamentos e de vendas. Quando a gente olha o indicador nacional, os números nos mostram que vamos muito bem (ao longo do ano passado, foram lançadas 453 mil unidades residenciais, crescimento de 10,6% em relação a 2024. Já as vendas somaram 426.260 unidades, aumento de 5,4% sobre 2024, outro recorde). Hoje, aquelas empresas que têm os seus projetos voltados para a baixa renda, por exemplo, a Faixa 3 do programa Minha Casa Minha Vida, para famílias que têm renda a partir de R\$ 3 mil a R\$ 4 mil, vai indo muito bem. Mas nós estamos sentindo uma queda nos empreendimentos voltados para a classe média, em termos de lançamentos e vendas. E por que isso está acontecendo? Por conta da resiliência da taxa de juros (hoje a Selic é de 14% ao ano). Quando nós começamos este ano, imaginávamos que terminaríamos em dezembro com uma taxa Selic de 12% ao ano. Agora a previsão é que os juros básicos terminem em 13,5%. Ela está muito alta para que o financiamento imobiliário possa caber no bolso das pessoas. O nosso financiamento também continua crescendo, ou seja, nós não temos problema de demanda no País. Nós temos problema de ter a possibilidade de colocar os nossos produtos no bolso dos compradores. Uma pesquisa recente de intenção de compra mostra que 52% dos brasileiros continuam querendo adquirir a sua casa própria. E não só a sua casa própria, o brasileiro quer adquirir uma segunda moradia, ele quer adquirir uma moradia na praia, ele quer adquirir uma moradia no campo. Ou seja, o brasileiro sabe que a moradia, o apartamento, a habitação, é o bem de maior valor agregado que ele pode atingir na vida. Esta demanda é que nos anima para que a gente possa ficar buscando junto ao governo e junto às entidades do setor possibilidades para oferecer uma taxa de juros que caiba no bolso da população. “O brasileiro sabe que a moradia, o apartamento, a habitação, é o bem de maior valor agregado que ele pode atingir na vida. Esta demanda é que nos anima para que a gente possa buscar junto ao governo e junto às entidades do setor possibilidades para oferecer uma taxa de juros que caiba no bolso da população.” (Vanessa Rodrigues / AT) Na sua opinião, a alta taxa de juros é o fator que mais tem limitado o crescimento das vendas? Nós estamos crescendo, mas é o fator que pode limitar o crescimento a partir do ano que vem. Quanto mais a gente for competente para colocar recursos no mercado e ajustar a taxa para que as famílias consigam pagar, melhor será o mercado imobiliário a partir do ano que vem. E nesse cenário de eleições, como o sr. acha que se comporta o setor da construção civil? Não é a eleição que ajusta o andamento do setor. Mas há empresas, por exemplo, que têm alguns lançamentos para fazer e acabam reduzindo, mas isso não é problema para ela. Mas nós também temos muitas empresas pequenas e médias que têm um só lançamento para fazer no ano, ou um a cada dois anos, e essas não podem segurar os seus produtos. E qual a sua expectativa para os próximos meses? Eu acredito que a gente fecha este ano com os mesmos números (de lançamentos e vendas) que nós tivemos em 2025 e com essa expectativa, esse sonho, essa possibilidade de conseguirmos mais recursos para podermos financiar o crédito imobiliário para o habitacional. Devemos manter o mesmo ritmo.