O engenheiro e empresário Mateus Teixeira (Alexsander Ferraz/AT) À frente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob) desde 2022, o engenheiro e empresário Mateus Teixeira afirma que os construtores estão otimistas. Nesta entrevista para A Tribuna, ele fala dos principais desafios enfrentados pelo setor, incluindo o aumento da taxa de juros e a falta de mão de obra, mas afirma que o mercado imobiliário na região vive um bom momento. Como está o mercado da construção hoje na Baixada Santista? Quais cidades e características têm se destacado e, na sua opinião, por quê? O mercado imobiliário da região está vivendo um bom momento, com empreendimentos sendo erguidos em todas as cidades da Baixada. Santos e Praia Grande seguem em destaque, cada uma com as suas características específicas. Por mais que em Santos tenha aumentado a procura por famílias de outras localidades, ainda é um mercado que é consumido pela própria cidade. Em Praia Grande, os produtos imobiliários são mais voltados para os veranistas. O Banco Central subiu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual (para 10,75%) e pode fazer mais duas elevações de 0,50 cada, encerrando as altas em janeiro... Cada ponto percentual que temos de aumento na Selic, menos famílias acabam tendo condições de financiar um imóvel, com especial impacto para as classes menos favorecidas. Qual sua expectativa para o crédito habitacional com essas altas? Por mais que as instituições busquem oferecer taxas que estão até mesmo abaixo da Selic, os recursos do FGTS estão cada vez menores, sendo alvo de outras utilidades que fogem de um dos princípios básicos, que é financiamento da casa própria. Além disso, a situação econômica acaba também diminuindo o volume da poupança que é outro fundo importante de recursos para o mercado imobiliário. O mercado de trabalho teve uma recuperação muito forte. Essa retomada pode ajudar a compensar a alta dos juros e manter o interesse pela casa própria financiada? Ainda demanda um tempo para que os trabalhadores que conseguiram voltar ao mercado de trabalho consigam ter condições para arcar com um financiamento imobiliário. Além disso, o número de imóveis voltado para o Minha Casa, Minha Vida é pequeno, especialmente em Santos, muito por conta dos custos de terreno e fundação. Como está a contratação de mão de obra por parte das construtoras na região? Há falta de mão de obra? Hoje, infelizmente, temos falta de mão de obra para funções específicas. Falta de pessoal passa muito pelo desinteresse dos jovens em trabalhar no setor. Temos buscado soluções para tal demanda, buscando instituições e parceiros para desenvolver cursos de formação de pessoal. Cabe salientar que os trabalhadores do setor têm boa remuneração se comparado a outros setores produtivos. A industrialização da construção é uma realidade na Baixada Santista ou ainda há obstáculos para que ela aconteça de fato? A industrialização demanda uma série de fatores. O primeiro deles seria a padronização dos empreendimentos. Não construímos um prédio igual ao outro, contudo, algumas etapas podem sim passar pela industrialização e essa é uma tendência que ganhará força com o passar dos anos. Como tem sido o uso da tecnologia nos projetos e na execução das obras da região? Há novidades? O BIM (Building Information Modeling) é um sistema integra todos os projetos e necessidades de uma obra. A sua utilização permite uma melhor interrelação entre os atores envolvidos em todo o processo construtivo. Sua utilidade ganha cada vez mais espaço e passará a ser indispensável em breve. Como está a confiança do construtor da região para investir? Há muitos projetos sendo retirados das gavetas? O construtor é por si só um ser otimista, afinal, ele começa a projetar hoje onde alguém vai morar daqui três, quatro ou cinco anos, sem ter como prever tudo que pode acontecer dentro desse lapso de tempo. Os projetos estão saindo do papel até mesmo por conta dos estoques que foram consumidos ao longo dos últimos anos. O construtor santista não recorre muito às instituições bancárias. São empresas que investem recursos próprios em seus empreendimentos. Mas como está a disposição dos bancos (estatais e privados) para emprestar para a compra de imóveis? Os bancos estão ávidos por mais famílias que busquem por financiamento imobiliário, contudo, conforme já comentamos, cada ponto percentual a mais na Selic, menor fica o contingente de pessoas elegíveis para contar com esses recursos das instituições bancárias. O que pode ser aprimorado nas leis municipais para estimular o investimento da construção de moradias na região central de Santos? Os pontos (de incentivo) que a Prefeitura de Santos adotou são importantes e irão ajudar. À medida que empreendimentos âncora surjam, novos empreendimentos residenciais serão erguidos, com foco - inicialmente - nas habitações populares e de interesse social. Como o setor está se preparando para as mudanças que virão com a implantação da reforma tributária em 2026? Quais impactos estão previstos? Segundo estudos das entidades que representam o setor em nível estadual e federal, as mudanças para o segmento não serão positivas. Ainda há muito a ser discutido e teremos que esperar mais um pouco para conseguir ter uma definição de como a reforma impactará as construtoras.