Placas fotovoltaicas no topo da sede da Associação Comercial de Santos: painéis solares perdem eficiência em dias de temperaturas elevadas (Alexsander Ferraz/ AT) O avanço da energia solar mudou a forma como condomínios e edifícios comerciais consomem eletricidade. A possibilidade de reduzir custos, ampliar a eficiência energética e tornar os empreendimentos mais sustentáveis entrou em debate durante o 13º Summit da Construção Civil, evento do Grupo Tribuna realizado no último dia 25 em Santos, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Hoje nós já vivemos um cenário de crise climática, então precisamos fazer a nossa parte como cidadãos, freando esse processo de mudanças climáticas com ações de mitigação”, afirmou o diretor de Meio Ambiente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (Aeas), Cláudio Bastos, que comandou o painel Energia limpa nas construções ao lado do presidente da entidade, André de Fazio Neto. “Quando trocamos a energia (elétrica tradicional) por uma fonte renovável como a solar, a gente está trabalhando na mitigação e precisamos também nos adaptarmos, ter infraestruturas resilientes para suportar o que já existe”, alerta Bastos. Para o professor e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Fernado Martins, a transição energética é um caminho obrigatório em função das condições climáticas. “Quando a gente trata da energia fotovoltaica (solar), surgem sempre muitas dúvidas e uma das perguntas é se Santos tem potencial para produzir energia solar. E eu respondo que a Cidade tem um potencial muito bom. Certamente, não é o mesmo que temos no Nordeste, mas o custo que pagamos de tarifa energética combinado com o potencial que Santos tem”. “Isso traz a viabilidade (de retorno do investimento) na maioria dos projetos em até quatro ou cinco anos”, disse Martins. “O potencial do Brasil (em geração de energia renovável solar), mais especificamente de Santos, praticamente empata com a média (de potencial) da Espanha e se comparamos com a Alemanha, o potencial de Santos é 50% maior do que a média do território alemão”, explicou o professor da Unifesp. Ainda de acordo com o pesquisador, no entanto, vários fatores devem ser levados em consideração para calcular a eficiência do sistema de placas fotovoltaicas, capaz de gerar energia solar. “A quantidade de luz solar que o equipamento (placa fotovoltaica) recebe influencia (na produção de energia), esse é o principal fator. Mas tem outros fatores: se a atmosfera estiver muito poluída, isso atenua a quantidade de radiação que chega à superfície (da placa); se houver sombreamento do entorno, isso também impacta na quantidade de energia; e o painel fotovoltaico perde eficiência também em temperaturas muito altas”, explicou. Empresas O diretor de Infraestrutura da Santa Casa de Santos, Bruno Dantas, contou que 1,6 mil painéis solares foram instalados no telhado da instituição em parceria com a CPFL, garantindo ao hospital, mensalmente, economia de R\$ 50 mil na conta de luz. “Tivemos uma redução de 20% nos gastos, o que representa R\$ 50 mil por mês, e esse valor a gente destina para (o atendimento pelo) SUS, em manutenção e equipamentos de ar-condicionado, por exemplo. Queremos chegar em 50% (de economia), porque vimos que esse é o caminho. Além disso, como a gente pode falar de saúde, se a gente não cuida da saúde do meio ambiente?” Para a consultora da Associação Comercial de Santos (ACS), Andréa Ribeiro, a instalação de 132 placas solares no prédio centenário da entidade também tem saldo positivo. “Foi feita uma análise do quanto nós consumíamos e gastávamos dentro da concessionária, então a nossa usina (fotovoltaica) foi projetada para nos atender 100%, para que a associação funcionasse a 100% de energia solar. Hoje, a nossa usina tem uma capacidade de aproximadamente 52 mil kilowatts por ano, aproximadamente 4,5 mil kW/mês”, explicou Andréa. A consultora diz que, no início, há muito aprendizado. “O sistema vem funcionando bem, porém existem questões de monitoramento, e isso a gente aprendeu quando começamos a utilizar o sistema”, afirmou. “As condições climáticas interferem na produção (de energia), e isso obviamente interfere no quanto a gente consome da concessionária”, completou a consultora. Segundo Andréa, o prédio precisou passar por uma reforma interna, incluindo na parte elétrica. “Estamos há dois anos com a energia solar, hoje com 91% de eficiência. Além de ser um compromisso ESG da Associação Comercial de Santos, se a gente chegar em 100% (de eficiência), conseguimos pagar o investimento em quatro anos e meio”. Residenciais A utilização de energia solar em condomínios residenciais também foi debatida. O presidente da Comissão de Direito Condominial da OAB-Santos Marcelo Marsaioli, orientou os interessados a terem projetos bem definidos sobre a instalação de painéis solares. “O síndico tem que avaliar, de maneira muito objetiva, legalidade, viabilidade e utilidade”, alertou Marsaioli, lembrando que ainda há discussões sobre o quórum (necessário para aprovação) necessário para esse tipo de adequação em edifícios já existentes. “No Poder Judiciário, essa questão de quórum já chegou em segunda instância e o Judiciário tem entendido claramente que é uma obra útil”, afirmou o advogado. Na prática, isso significa que seria necessária a aprovação da maioria simples dos condôminos ou dos presentes na assembleia, dependendo da interpretação do impacto estrutural e do que dispõe a convenção do prédio quanto a alterações estéticas na fachada, por exemplo. Segundo Marsaioli, a questão da sustentabilidade também já tem sido levada em consideração em alguns tribunais. “Já existe uma veia verde também nas decisões. Muitos desembargadores estão considerando a sustentabilidade, a importância da energia e também do reúso da água”, completou Marsaioli.