Inmet aponta para chuvas acima da média e temperaturas elevadas entre outubro e dezembro na região (Alexsander Ferraz/AT) A previsão de fortalecimento do fenômeno climático El Niño nos próximos meses acende um alerta para moradores, trabalhadores e construtores da Baixada Santista. No setor da construção civil, que depende diretamente das condições meteorológicas para a execução de várias etapas das obras, o momento é de reforçar o monitoramento para minimizar riscos. Embora especialistas ressaltem que o fenômeno não possa ser diretamente associado à ocorrência de eventos extremos específicos, dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) analisados a pedido de A Tribuna apontam para um cenário de chuvas acima da média e temperaturas mais elevadas entre este mês e dezembro, aumentando a necessidade de planejamento e prevenção. De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Yorki Estefan, as empresas do setor já operam com planejamento permanente para diferentes cenários. “A construção civil trabalha permanentemente com planejamento e gestão de riscos. Diante de condições climáticas mais imprevisíveis, é fundamental ampliar a capacidade de antecipação, sempre preservando a segurança dos trabalhadores, do entorno e a continuidade possível das atividades”, afirma. Entre as atividades mais vulneráveis às mudanças do tempo estão a preparação e nivelamento de terrenos, escavações e algumas etapas das fundações, que podem sofrer paralisações em períodos de chuva intensa. Para o vice-presidente de Meio Ambiente do Sinduscon-SP, Francisco Vasconcellos Neto, o principal cuidado é acompanhar diariamente as previsões meteorológicas e os alertas da Defesa Civil. “Quando há previsão de condições adversas, as empresas podem antecipar atividades mais sensíveis e reorganizar o cronograma de acordo com as condições esperadas”. Segurança Além da chuva, o El Niño pode influenciar condições favoráveis à ocorrência de rajadas de vento e tempestades. Embora esses eventos dependam da evolução das condições atmosféricas de curto prazo, o setor da construção já adota medidas preventivas. Segundo o presidente-executivo do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan, os canteiros podem ser preparados para enfrentar ventos fortes com reforço em estruturas temporárias e maior controle de materiais expostos. “As gruas possuem sensores que registram a velocidade do vento e, quando os limites de segurança são atingidos, não podem ser utilizadas. Da mesma forma, atividades em altura são interrompidas quando as condições não são seguras”, explica. Zaidan acrescenta que telas de proteção, andaimes, materiais soltos e equipamentos de içamento recebem atenção especial quando há previsão de condições meteorológicas adversas. O diretor regional do Sinduscon-SP, Lucas Teixeira, afirma que, além da necessidade de acompanhamento das condições meteorológicas, há também a preocupação em oferecer condições adequadas aos trabalhadores, mais expostos às variações do clima, com a adoção de medidas de proteção e o fornecimento de equipamentos adequados para a execução segura das atividades.