Comprar um apartamento de alto padrão é apenas o primeiro passo para quem deseja ter um imóvel sofisticado e personalizado. Depois da aquisição, começa outra etapa que pode representar um investimento de milhares de reais: a decoração. Móveis planejados, peças de design, iluminação, revestimentos, marcenaria e objetos escolhidos sob medida podem elevar significativamente a conta final. Mas, afinal, quanto custa decorar um apartamento de alto padrão? Segundo especialistas, o valor depende de fatores como tamanho do imóvel, projeto, qualidade dos materiais, mobiliário e grau de personalização. “No segmento de alto padrão, não existe um valor único por metro quadrado, porque o investimento está diretamente relacionado ao nível de personalização, aos materiais escolhidos, ao mobiliário, à marcenaria, às obras de arte e aos equipamentos especificados para cada projeto”, explica o arquiteto Felipe Torelli. “Na minha experiência, prefiro trabalhar com o projeto como um todo e, inicialmente, estabelecer uma estimativa de investimento por metro quadrado apenas como referência. Isso permite entender a dimensão do investimento antes de avançarmos para as especificações”, completa o arquiteto. Segundo ele, em um apartamento de alto padrão, o valor da decoração pode começar em torno de R\$ 5 mil por metro quadrado e chegar a R\$ 10 mil por m² ou mais, dependendo do nível de luxo e personalização. Projetos sofisticados Em projetos realmente exclusivos, com peças de design, mobiliário sob medida, pedras especiais, obras de arte e acabamentos muito sofisticados, esse valor pode ser ainda maior. “Mais importante do que estabelecer um preço por metro quadrado, é entender o perfil do cliente e o conceito que será desenvolvido. No alto luxo, muitas vezes estamos falando de peças únicas, materiais selecionados especificamente para aquele projeto e soluções desenvolvidas sob medida. Por isso, o orçamento precisa ser construído de maneira individualizada”, ressalta Felipe Torelli. Para o segmento, projetos de decoração orçados em cerca de R\$ 1 milhão já podem ser considerados de alto luxo. “No alto padrão, não considero correto simplesmente multiplicar a área pelo valor do metro quadrado e chegar ao orçamento final. Um apartamento de 150 m² pode ter um investimento proporcionalmente muito alto se o projeto utilizar mobiliário de design assinado, marcenaria extremamente personalizada, pedras naturais especiais, iluminação cênica, obras de arte e peças exclusivas”, afirma. O arquiteto explica que, no alto luxo, o que determina o valor final é a soma dessas escolhas e, principalmente, o quanto o projeto consegue traduzir a personalidade e o estilo de vida do morador. “Luxo em arquitetura não significa simplesmente gastar mais, mas escolher melhor. É criar um espaço personalizado com materiais de qualidade, proporções bem resolvidas, conforto e uma identidade que faça sentido para quem vai morar ali”. Custos Na decoração de imóveis de alto padrão, itens de marcenaria, mão de obra e mobiliário solto costumam pesar mais no orçamento. “Marcenaria sempre corresponde à maior parte e acho que a quase 40% do valor da obra. Mão de obra fica com cerca de 20% e o restante pode ficar distribuído (por outros itens). Mas esses dois itens com certeza são o que correspondem aos custos mais altos”, diz. Tendências A busca por superfícies que unem elegância, tecnologia e aconchego tende a reforçar ainda mais o protagonismo de pedras e madeiras nos projetos de decoração, segundo o arquiteto Felipe Torelli. “Os clientes hoje pedem muito pedras exóticas em paredes ou tampos de mesa, revestimentos cada vez maiores, que podem a ter dimensões de até 1,6m x 3,2m e muita automação”, afirma ele, que também destaca os quartzitos brasileiros. “Essas pedras têm se tornado um dos materiais mais exclusivos, junto com o mobiliário brasileiro sempre em alta”. Já a cor deixa de ser apenas uma escolha estética e passa a fazer parte da experiência e da identidade do ambiente. “Em 2026, percebo uma valorização muito grande dos tons naturais e quentes. O bege, areia, fendi, off-white, caramelo, marrom e os verdes, principalmente oliva e musgo, aparecem com bastante força nos projetos. Vejo também uma busca por cores mais profundas, como azul-petróleo, azul-marinho, vinho e berinjela, utilizadas de maneira pontual para criar profundidade e personalidade. Segundo o arquiteto, a grande mudança é que os tons neutros continuam presentes, mas deixaram de ser necessariamente frios e excessivamente minimalistas. “Hoje buscamos mais temperatura, textura e materialidade. Um off-white combinado com madeira natural, pedra, tecidos de linho e uma iluminação bem trabalhada pode ter muito mais riqueza visual do que simplesmente trabalhar com uma paleta branca e cinza”.