A industrialização dos processos construtivos avança, mas ainda esbarra em obstáculos que dificultam seu crescimento nos canteiros de obras. Mesmo com ganhos em produtividade, eficiência e redução de prazos, o custo continua sendo o principal entrave para ampliar esse movimento, especialmente quando a tecnologia exige investimentos iniciais elevados e mão de obra especializada. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Ainda existem situações em que a industrialização apresenta um custo inicial alto. Por isso, é necessário avaliar cada empreendimento considerando o conjunto de custos, produtividade, prazo e ganhos proporcionados pelo sistema adotado. À medida que os processos de industrialização se tornarem mais baratos para os empresários, mais obras vão contar com esses processos (industrializados)”, explica o diretor regional do SindusCon-SP em Santos, Lucas Teixeira. “É um processo que precisa ganhar escala para se tornar cada vez mais competitivo. Principalmente, pelos custos envolvidos e pela necessidade de mão de obra especializada para a implantação e operação de determinados sistemas”, afirma Teixeira. De acordo com o executivo, a escassez de mão de obra é um desafio que atinge diversos setores da economia brasileira, e com a construção civil não é diferente. “Há necessidade tanto de trabalhadores para os métodos construtivos tradicionais quanto de profissionais capacitados para operar e executar sistemas industrializados.” Além disso, outro fator importante é que os consumidores ainda não percebem a industrialização como um diferencial na hora de adquirir um imóvel. “O consumidor costuma valorizar aspectos mais diretamente relacionados ao empreendimento, e a industrialização dos processos construtivos ainda não está entre os principais atributos percebidos no momento da decisão de compra”, lamenta. Legenda da foto: Consumidores ainda não percebem a industrialização como diferencial. DESAFIOS Um dos grandes desafios do setor da construção é sua baixa produtividade. Historicamente há uma diferença expressiva para o setor manufatureiro. Nos últimos 30 anos, no Brasil, a diferença se reduziu, refletindo a piora mais acentuada na produtividade da indústria: entre 1995 e 2025, enquanto a produtividade agregada do trabalho da economia brasileira (valor adicionado por pessoal ocupado) cresceu 19,4%, na construção civil e na indústria de transformação caiu 19,9% e 29,5%, respectivamente. É fato que o resultado consolidado obscurece os níveis distintos de eficiência produtiva dentro do setor da construção – de acordo com a origem da produção ou o segmento setorial. Entretanto, permanece um grande abismo entre a eficiência da atividade empresarial da construção e da indústria de transformação.