Alta dos custos com materiais, insumos e mão de obra pressiona o orçamento das obras das construtoras (Vanessa Rodrigues/AT) O custo para construir no Estado avançou acima da inflação em 12 meses. O Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil, calculado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), acumulou 6,21% até agosto, mais do que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,22% em igual período. O indicador acompanha a evolução dos custos dos principais componentes envolvidos em uma obra, como materiais, mão de obra e equipamentos, e serve como uma referência para o setor. Na prática, a alta acima da inflação sinaliza uma pressão maior sobre o orçamento das empresas e pode influenciar decisões relacionadas a novos empreendimentos, preços dos imóveis e margem das construtoras. Segundo o presidente-executivo do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan, os custos com mão de obra e materiais foram vetores importantes para esse resultado no setor. “Nos 12 meses encerrados em agosto, os materiais acumularam alta de 6,26%, ligeiramente acima da mão de obra, que avançou 6,18%. As despesas administrativas também registraram 6,26%, mas têm participação muito pequena na composição do CUB. Quando olhamos para o impacto efetivo sobre o custo total, porém, a mão de obra continua sendo o componente mais relevante”, afirma. Reajustes Salariais Para Zaidan, um fator importante para entender esse comportamento é a dinâmica da mão de obra. “Os reajustes salariais do setor tendem a ocorrer de maneira mais concentrada em determinados períodos do ano, principalmente em razão das negociações coletivas”, diz ele. “Isso ajuda a explicar as fortes variações do CUB observadas em maio e junho e seus efeitos sobre o acumulado de 12 meses. Depois desses aumentos, o índice apresentou variações menores, passando de 2,24% em junho para 0,45% em julho e 0,19% em agosto”, completa. No caso dos materiais, Zaidan explica que eles seguem uma dinâmica própria, diferente da cesta de consumo das famílias (medida pelo IPCA). Mesmo em um ambiente em que alguns componentes da inflação geral apresentam estabilidade ou queda, determinados insumos utilizados pela construção podem continuar registrando aumentos de preços. O executivo destaca que, além da mão de obra, os materiais também são vetores de pressão sobre os custos da construção, mas por razões diferentes. Segundo o presidente-executivo do Sinduscon-SP, alguns insumos apresentaram aumentos superiores à média: em 12 meses, o tubo de PVC para esgoto subiu 13,11%, o cimento 11,88%, o fio de cobre 11,6%, o bloco de concreto 9,92% e o concreto, 8,75%. Valor Final Segundo Zaidan, para as construtoras, a elevação de preços em itens de uso recorrente, como cimento, concreto, PVC e cobre, merecem atenção porque tem impacto relevante sobre o orçamento das obras. Mas ele destaca que o valor final dos empreendimentos depende de outros fatores. “O preço dos imóveis tem outros componentes, como o custo do terreno, as despesas de comercialização, a margem do incorporador, entre outros, mas o limite é dado pelo mercado, ou seja, quanto os compradores estão dispostos a pagar por um dado imóvel naquela localização”, afirma ele.