A construção civil brasileira começa a dar passos mais firmes em direção à industrialização de suas obras, mas a transformação ainda ocorre em ritmo gradual. É o que mostra o Índice Geral de Industrialização da Construção (Igic), desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Economia (FGV-Ibre). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O Igic passou de 14,8 pontos em 2025 para 15,7 neste ano. Na prática, o resultado do indicador significa que 15,7% das obras no Brasil utilizavam algum sistema construtivo industrializado em junho último. O movimento reflete uma maior disseminação de tecnologias como pré-fabricados de concreto, estruturas de aço e drywall, mas também evidencia que a industrialização ainda enfrenta obstáculos para ganhar escala. Entre os desafios estão os investimentos iniciais em tecnologia e infraestrutura, a qualificação da mão de obra, a adaptação dos processos de contratação e suprimentos e a integração entre os diferentes agentes da cadeia da construção. Para o diretor regional do Sinduscon-SP, Lucas Teixeira, a industrialização do setor na Baixada Santista ainda é incipiente. Porém, diz ele, é um movimento que tende a se ampliar ao longo dos próximos anos, impulsionado principalmente pela escassez de mão de obra e pela evolução de equipamentos, sistemas e processos cada vez mais eficientes e competitivos. FASE INICIAL DO PROCESSO “A Baixada Santista acompanha esse movimento, mas ainda de forma gradual. As empresas locais ainda não utilizam a industrialização em larga escala. Existem iniciativas e aplicações pontuais, mas ainda estamos em uma fase inicial desse processo. Os processos construtivos estão em constante evolução, e as construtoras tendem a incorporar métodos que proporcionem maior agilidade, eficiência, produtividade e controle dos processos”, afirma Teixeira. Segundo ele, o drywall (chapas de gesso), por exemplo, já é utilizado por uma parcela significativa das construtoras, enquanto as fachadas ventiladas também começam a ganhar relevância. “A viabilidade depende das características de cada empreendimento. Obras com maior repetitividade e possibilidade de padronização tendem a apresentar melhores condições para a adoção de soluções industrializadas”, avalia o diretor regional do Sinduscon-SP. De acordo com o FGV Ibre, questões econômicas são os principais impasses para a industrialização da construção civil no Brasil. Segundo o instituto, entre os desafios destacam-se os elevados investimentos iniciais em tecnologia e infraestrutura, a necessidade de qualificação da mão de obra, as barreiras culturais relacionadas à adoção de novos processos e a adaptação dos modelos de contratação e suprimentos. E ainda a necessidade de integração entre projetistas, fabricantes, construtores e fornecedores. “(A industrialização) Ainda está concentrada em etapas ou aplicações específicas. A utilização de processos industrializados de forma mais abrangente depende da viabilidade técnica e econômica de cada empreendimento”, destaca Teixeira. PRAZOS E PRODUTIVIDADE Segundo ele, os principais ganhos, no entanto, estão relacionados à redução de prazos e ao aumento da produtividade, além da redução significativa na geração de resíduos durante a execução da obra. JUSTIFICATIVA De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, a construção civil vem crescendo alavancada pelos investimentos em habitação e obras de infraestrutura. Com esses avanços, mais empresas se modernizaram, mas não havia métricas que acompanhassem essa evolução. Assim, dada a necessidade de monitorar de forma objetiva o avanço da industrialização do setor, o FGV Ibre desenvolveu o Índice Geral de Industrialização da Construção (Igic), elaborado a partir de informações captadas em quesitos especiais introduzidos na Sondagem da Construção em junho de 2025 e junho último. Assim, já se dispõe de um retrato atualizado, e ainda é possível acompanhar a dinâmica recente na utilização dos sistemas. Segundo a FGV, os quesitos passarão a ser aplicados anualmente. MÉTRICAS Os quesitos especiais da sondagem da FGV referentes à utilização de sistemas industrializados foram aplicados em dois momentos: junho de 2025 e junho passado. Segundo a sondagem realizada este ano, observou-se que 33,6% das empresas declararam utilizar sistemas industrializados em suas obras e 14,6% afirmaram utilizá-los em parte das obras, totalizando 48,2% de empresas com algum grau de adoção. Entre essas companhias, 26,9% utilizam sistemas industrializados em até 10% das obras; 28,9% entre 10% e 25%; 18,5%, entre 25% e 50%; 13,1% entre 50% e 75%; e 12,6% em mais de 75% das obras. Entre as empresas que utilizavam sistemas industrializados, a participação média de obras com industrialização é de 32,6%. Assim, de acordo com o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, responsável pelo Igic, a combinação dos indicadores de adoção e intensidade permite estimar o grau geral de industrialização do setor, que alcançou 15,7 pontos em junho último.