“Industrializar com capacitação vai ser imperativo para a construção”, diz Fernando Guedes (Alexsander Ferraz/ AT) Assim como outros setores da economia, a construção civil aguarda a definição do quadro eleitoral. Porém, o ritmo de redução da taxa Selic está entre as principais preocupações dos empresários do setor, devido à importância do crédito para os empreendimentos imobiliários. Apesar dos desafios, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Fernando Guedes, está otimista com o desempenho do setor em 2027, destacando ainda a necessidade de capacitação dos trabalhadores para adequar a mão de obra ao avanço da tecnologia. Como a construção civil tem se comportado neste semestre? Em 2026, a construção vai bem. Tem muitas coisas contratadas e que estão para serem entregues no setor imobiliário e o setor de infraestrutura vem avançando com o crescimento das concessões, das PPPs (parcerias público-privadas), dos contratos de saneamento, com as obras públicas que vêm acontecendo, como aqui na Baixada Santista. Por exemplo, o túnel Santos-Guarujá, que já deve começar a sair do papel, acho que podemos dizer assim. Então a expectativa é muito boa para o restante do ano. E quais as expectativas para o próximo ano? Para 2027, vamos depender de questões eleitorais, de como será a política do próximo governo. Mas seja ele qual for, em relação à questão fiscal, a taxa de juros (a Selic, atualmente em 14% ao ano), essas questões de macroeconomia que nos importam bastante. Então nós ainda estamos nessa expectativa de como é que vai ser o próximo ano. Além da questão de insegurança jurídica, quais os principais outros desafios que o setor deve enfrentar? Nós precisamos trabalhar em relação à capacitação de mão de obra. Há uma falta sistêmica de mão de obra qualificada dentro do setor da construção civil. Nós precisamos trabalhar a industrialização do setor, pois a reforma tributária está chegando e vai induzir à industrialização, e o setor precisa, de fato, ganhar produtividade em suas atividades. Então, industrializar com capacitação dos trabalhadores vai ser imperativo para o setor da construção nos próximos anos. Precisamos também entender mais sobre o funding (fontes de recursos do crédito imobiliário), quais são as alternativas para financiamento das atividades da construção e do mercado imobiliário. Então, temos vários desafios, mas entre eles, estes são mais urgentes. Guedes: "Hoje, a Baixada Santista é um celeiro de obras. Nós podemos falar isso tanto na parte imobiliária como na parte de infraestrutura” (Alexsander Ferraz/ AT) Na sua opinião, qual a importância da Baixada Santista para o cenário da construção? Hoje, a Baixada Santista é um celeiro de obras. Nós podemos falar isso tanto na parte imobiliária como na parte de infraestrutura. Falei do túnel Santos-Guarujá, que está por vir, e tem as obras industriais decorrentes do Porto de Santos, das empresas como Petrobras e o próprio complexo de Cubatão, sempre movimentando o setor. Então, a Baixada Santista, não só no Estado de São Paulo mas como no País, ela é um ponto de interesse e foco para que a gente entenda esse fenômeno de obras que tem acontecido aqui na região. Quanto aos juros básicos, a Selic, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) está confiante no recuo da taxa? A Cbic está otimista para o ano que vem em relação ao Brasil. Estamos otimistas, porque o segmento é resiliente. O setor da construção civil já passou por situações desafiadoras antes e sempre ultrapassou, sempre venceu todas elas e, de fato, os desafios que nós temos hoje são desafios para manter o crescimento do setor, para que ele possa crescer ainda mais, já que nos últimos anos nós tivemos um desempenho muito interessante: é o setor que mais emprega no Brasil, o que mais cria empregos – melhor dizendo, no Brasil, hoje há mais de 3 milhões de empregos formais – é um setor que leva junto consigo outros 90 outros segmentos, como linha branca, moveleiro, indústria química e por aí vai. Então, estamos otimistas. Obviamente, estamos aguardando alguns acontecimentos e colaborando para o debate para poder melhorar o ambiente de negócio sempre na construção civil e no País.