Consórcio não tem juros, mas exige custos, como taxa de administração (Oleksandr P/Pexels) O consórcio vem ganhando espaço entre os brasileiros que planejam comprar um imóvel. A procura pela modalidade cresceu 39,9% nos oito primeiros meses do ano, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac). De janeiro a agosto deste ano, foram 1,14 milhão de novas cotas de imóveis comercializadas, contra 815,06 mil no mesmo período do ano passado. O volume de créditos contratados também avançou, passando de R\$ 170,09 bilhões para R\$ 231,9 bilhões, uma alta de 36,3%. O número de participantes ativos chegou a 3,34 milhões em agosto, expansão de 33,6% em um ano. O desempenho do setor ocorre em um momento em que o custo do financiamento é uma das principais preocupações de quem pretende comprar um imóvel. Diferentemente do financiamento tradicional, o consórcio não cobra juros sobre o crédito, mas envolve taxa de administração e outros custos previstos em contrato, além de não garantir que o participante terá acesso ao imóvel imediatamente. Apesar dos juros altos, a associação afirma que o crescimento do consórcio não costuma ser influenciado por esse cenário. Conforme a entidade, ao observar o comportamento de vendas de cotas e da evolução da taxa Selic, de 2005 a 2025, conclui-se que não há relação direta entre juros elevados e maior adesão no consórcio. Economista faz alerta O consórcio imobiliário pode parecer uma alternativa para quem não tem pressa e consegue se planejar para a aquisição. Mas especialista alerta que a decisão depende do perfil do comprador, do prazo para utilização do crédito, das condições do grupo e dos custos. “Quando os juros estão elevados, o financiamento imobiliário tende a ficar mais caro, porque aumenta o custo do dinheiro ao longo do tempo”, diz a delegada do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP) em Santos, Célia Ribeiro. “Nesse ambiente, o consórcio ganha atratividade relativa, principalmente para quem não precisa adquirir o imóvel imediatamente. Mas o comprador não deve se ater apenas à taxa de juros. Importante considerar o Custo Efetivo Total (CET)”, alerta Ribeiro. De acordo com a delegada do Corecon, o consórcio não cobra juros como um financiamento bancário, mas isso não significa custo zero. Ela lembra que há taxa de administração e, dependendo do contrato, fundo de reserva, seguros e outros custos. Já as parcelas e o valor da carta podem ser reajustados. “O consumidor precisa comparar o custo total das alternativas e não simplesmente juros versus ausência de juros. Além disso, se for contemplado depois de muito tempo, os custos podem ser equivalentes se a pessoa estiver pagando aluguel enquanto aguarda os sorteios”, afirma a economista.