No Brasil, a intenção de comprar um imóvel nos próximos meses chegou a 52% no segundo trimestre deste ano, de acordo com pesquisa detalhada durante a 13ª edição do Summit da Construção Civil, evento realizado nesta terça-feira (25) em Santos e que reuniu autoridades, empresários e especialistas do setor no auditório do Grupo Tribuna. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Esse é o maior patamar já registrado desde 2019, quando iniciamos a série histórica”, afirmou Marcelo Gonçalves, sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica, empresa responsável pelo levantamento. A pesquisa ouviu 1,2 mil pessoas com renda superior a R\$ 2,5 mil e com idade entre 21 e 70 anos em todo o País. O resultado representa uma alta de três pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, quando o indicador estava em 49%. O estudo apontou ainda que, do total de entrevistados, 10% pretendem comprar e já iniciaram pesquisas on-line por imóveis, enquanto outros 4% já estão visitando potenciais unidades para compra. Em números absolutos, a busca on-line por imóveis chegou a 4,3 milhões de famílias, um acréscimo de 500 mil famílias no último trimestre, enquanto o grupo que visita imóveis presencialmente recuou para 1,7 milhão, uma queda de 800 mil famílias em relação a setembro de 2025. Gonçalves destacou que o resultado das entrevistas confirmou também que a compra efetiva de imóveis segue em crescimento: 11% dos entrevistados afirmaram ter adquirido um imóvel nos últimos 12 meses, dois pontos percentuais acima do trimestre anterior. Geração Z A pesquisa divulgada nesta terça-feira (25) apresentou também um recorte por faixa etária e confirmou uma tendência que vem se consolidando: os adultos da Geração Z (21 a 28 anos) vêm se interessando cada vez mais pela compra de imóveis. A intenção entre os mais jovens saltou de 57% (em 2025) para 67% em junho de 2026. Na sequência aparece a Geração Y (29 a 44 anos), com 53%, e a Geração X, (45 a 60 anos) com 47%. Os baby boomers (61 a 79 anos) registram a menor intenção: apenas 25%. Por região, o Nordeste apresenta a maior intenção de compra do País, com 59% das famílias planejando adquirir um imóvel nos próximos meses. Já as regiões Sul e Sudeste registraram a menor intenção geral, com 49% e 47%, respectivamente. Mourão (à esquerda) representou Praia Grande. Kayo Amado (ao centro), prefeito de São Vicente. Prefeito de Santos, Rogério Santos (à direita) (Alexsander Ferraz/AT) Evento Em sua 13ª edição, o Summit da Construção Civil reuniu profissionais e autoridades do setor com o objetivo de discutir tendências de mercado, sustentabilidade, segurança jurídica e inovação tecnológica. A abertura contou com a presença dos prefeitos de Santos, Rogério Santos (Republicanos); de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB); e de São Vicente, Kayo Amado (Podemos). Durante o encontro, especialistas das principais entidades do setor imobiliário e empresários debateram temas como o uso de inteligência artificial na construção, urbanismo, sustentabilidade, verticalização e segurança jurídica. Nas próximas semanas, A Tribuna publicará, sempre aos sábados, um suplemento com os principais temas relacionados à construção civil. Taxa de juros alta preocupa setor Juros elevados, mudanças provocadas pela reforma tributária e a dificuldade de encontrar profissionais qualificados: o setor da construção civil enfrenta um cenário de desafios que exige planejamento, inovação e capacidade de adaptação. Esses foram alguns dos principais gargalos discutidos durante o Summit da Construção Civil 2026, realizado nesta terça-feira (25) pelo Grupo Tribuna. “Em todas as regiões do Brasil, nós temos virtudes e preocupações comuns do setor da construção”, afirmou o presidente-executivo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Fernando Guedes, durante a abertura do encontro. Uma das virtudes, segundo Guedes, é a geração de empregos pelo setor, que continua alta. Um em cada cinco empregos criados no Brasil está na indústria da construção, conforme o executivo, que, no entanto, apontou a alta taxa de juros como uma das principais preocupações dos empresários. Vice-presidente do Interior do Sinduscon-SP, Victor Bassan de Almeida acredita que a alta taxa de juros traz impactos para toda a sociedade. “Essa é uma questão que não afeta apenas a construção civil, mas o Brasil inteiro. A construção civil, pelas suas características, precisa de financiamento de longo prazo e os juros nesses patamares acabam inibindo investimentos que têm o potencial de transformar cidades (com obras de infraestrutura) e transformar famílias através da habitação”, acrescentou Almeida. Para o representante do Sinduscon-SP, a falta de mão de obra qualificada também é uma realidade no setor. “Precisamos modernizar o processo da construção e tornar a atividade mais atrativa principalmente aos jovens”, afirmou ele. Guedes (à esquerda): preocupações comuns. Almeida (à direita): construção transforma (Alexsander Ferraz/AT) Especialistas analisam desafios Além de uma série de palestras técnicas, a programação da 13ª edição do Summit da Construção promoveu o debate com a realização de painéis temáticos ao longo do dia. O presidente-executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, e o presidente-executivo do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan, participaram do painel Indústria e Mercado, moderado pelo presidente do Conselho Deliberativo da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Ricardo Beschizza. O segundo painel abordou a verticalização e reuniu o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade de Santos, Glaucus Farinello, o presidente da Assecob, Mateus Teixeira, e o arquiteto e urbanista Valter Caldana. Durante a conversa, foram apresentadas ideias e mudanças regulatórias já em andamento pelo Poder Executivo santista a fim de promover o crescimento sustentável. Já o terceiro painel foi moderado por André de Fazio Neto e Cláudio Bastos, presidente e diretor de Meio Ambiente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (Aeas), respectivamente. Eles comandaram o debate Energia Limpa nas construções: redução de custos e sustentabilidade e conversaram sobre a utilização de placas fotovoltaicas em edifícios comerciais e condomínios residenciais. O professor e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Fernando Martins, afirmou que Santos possui potencial para geração de energia solar nos empreendimentos, informação que foi compartilhada pela consultora da Associação Comercial de Santos, Andréa Ribeiro, e Bruno Dantas, diretor de Infraestrutura da Santa Casa de Santos. As duas instituições instalaram placas solares e já observam redução de custos na conta de energia. O painel contou também com o presidente da Comissão de Direito Condominial da OAB-Santos, Marcelo Marsaioli.