A escassez de engenheiros qualificados se tornou um dos principais gargalos para a construção no País. O Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (Sinicon) estima que o Brasil tenha uma carência de 75 mil profissionais da área, número que poderá superar 500 mil até 2030. Já a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) mostra que 90% das empresas enfrentam obstáculos para encontrar profissionais qualificados, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 22,4% das indústrias sentem dificuldades para contratar engenheiros. “Segundo o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), temos mais de 1 milhão de profissionais registrados no País. Porém, em números relativos, temos seis engenheiros por mil habitantes no Brasil, bem abaixo de países desenvolvidos, com 25 engenheiros para cada mil habitantes”, afirma o diretor de Inovação, Ciência e Tecnologia da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (Aeas), Alexandre Euzébio. “A CNI aponta a falta de trabalhadores qualificados como um dos maiores entraves. Na região, isso é agravado pela nossa vocação: a expansão do Porto de Santos, o Polo de Cubatão e o boom imobiliário, que exigem um perfil altamente técnico que simplesmente não encontramos em volume e prontidão suficientes”, diz. Conforme Euzébio, no Litoral, as principais lacunas estão em profissionais especializados em dragagem, estudo de solos e geotecnia. “Áreas de superespecialização não têm ofertas constantes de trabalho, requerem profissionais com muita experiência e isso afasta os recém-formados de procurar se especializarem nestas áreas”. Para o diretor regional do Sinduscon-SP, Lucas Teixeira, a falta de mão de obra é sistêmica no Brasil e atinge quase todas as funções da construção. “No caso dos engenheiros, também existe essa dificuldade, especialmente diante da necessidade de profissionais cada vez mais preparados para acompanhar a evolução dos métodos construtivos e das novas tecnologias”. Segundo o empresário, a maior demanda está no Sudeste, especialmente no Estado, em razão do tamanho e da importância da atividade da construção civil na Baixada Santista. “Há uma demanda crescente por profissionais que, além da formação acadêmica, tenham experiência prática, qualificação técnica e domínio das novas ferramentas utilizadas pela construção civil”, completa Teixeira.