O mercado imobiliário da Baixada Santista começou o segundo semestre com forte crescimento no segmento de locações residenciais. Em julho, o número de contratos de aluguel aumentou 34,25% em relação ao mês anterior, conforme revela pesquisa feita pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O levantamento, que abrangeu os nove municípios da região, mostra ainda a preferência dos consumidores por apartamentos, imóveis de dois dormitórios e contratos com garantia por depósito caução. Preço, localização, tamanho e condições de pagamento seguem entre os principais fatores considerados na hora de fechar negócio. Para o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, a procura por imóveis para alugar tem sido maior que a oferta, o que pode estar influenciando para a alta dos valores também. “O segmento de locação residencial tem um sério problema: a falta de imóveis disponíveis. Hoje os investidores preferem investir em imóveis corporativos e galpões logísticos, que têm renda superior e estão submetidos a uma legislação menos rigorosa que a Lei do Inquilinato para fins de moradia”, avalia Viana. De acordo com ele, o cenário deve permanecer o mesmo nos próximos meses. “A expectativa é que não haja grandes alterações no mercado nos próximos meses. A procura é grande e a oferta é pequena. Com isso, a locação está cada vez mais valorizada e mais difícil para a pessoa com baixa renda pagar aluguel”, complementa o presidente do Creci-SP. “Trata-se de um momento difícil para o locatário: ele tem dificuldade em encontrar um imóvel quando vence os 30 meses do seu contrato, pois o locador tem aumentado acima da inflação e ele, que não tem a renda atualizada na mesma proporção, é obrigado a se mudar de endereço, procurar um imóvel em região mais periférica, com valores mais baixos e, com isso, passar pelo desconforto de uma mudança”, avalia Viana. Além disso, ele explica que os períodos de férias costumam impactar o mercado da Baixada Santista. “Os meses de férias e fins de semana prolongados têm uma influência muito forte na locação, pois é um momento em que os proprietários aproveitam para ter uma renda extra e preferem disponibilizar o imóvel para locação de veraneio”. MAIS PROCURADOS De acordo com o levantamento do Creci-SP na Baixada Santista, em julho, as casas representaram 36% dos contratos de locação residencial, enquanto os apartamentos responderam por 64%. A predominância dos imóveis verticais reforça a procura por praticidade, manutenção mais simples e localizados em áreas com maior oferta de serviços, comércio e transporte, diz o Creci-SP. Entre as casas alugadas, os imóveis de dois dormitórios foram maioria, com 54,2% dos contratos. As unidades de até um quarto representaram 29,2%, enquanto as casas com três dormitórios corresponderam a 4,2%. Os imóveis com quatro ou mais quartos participaram com 12,5%. De acordo com análise da entidade, a predominância dos imóveis de dois dormitórios, tanto entre casas quanto entre apartamentos, demonstra a força desse perfil no mercado locatício regional. São unidades que atendem a famílias pequenas, casais, pessoas que dividem moradia e consumidores que procuram equilíbrio entre espaço, localização e valor mensal. BAIXADA SANTISTA Preços Os valores de locação na Baixada Santista em julho ficaram concentrados nas faixas intermediárias. Os imóveis com aluguel entre R\$ 2 mil e R\$ 3 mil mensais representaram 35,9% dos contratos, constituindo a principal faixa de preço do mês. Os aluguéis acima de R\$ 3 mil corresponderam a 23,4% das locações. Na sequência, apareceram os valores entre R\$ 1,5 mil e R\$ 2 mil, com 21,9%, e aqueles entre R\$ 1 mil e R\$ 1,5 mil, com 10,9%. Os contratos de imóveis com aluguel de até R\$ 1 mil representaram 7,8%. Garantia O depósito caução foi a principal garantia utilizada em julho, presente em 78,7% dos contratos de locação assinados na Baixada Santista. O seguro-fiança respondeu a 16% das operações, enquanto o fiador participou com 4%. Os títulos de capitalização representaram 1,3% e outras modalidades não registraram participação. Segundo o Creci-SP, a forte predominância do depósito caução demonstra a preferência por uma modalidade conhecida e de contratação relativamente simples. O seguro-fiança, embora em posição secundária, continua sendo uma alternativa importante para proprietários e inquilinos que buscam agilidade e não desejam recorrer à indicação de fiador. Cidades Segundo o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, Santos é a cidade mais procurada e com maior número de negócios realizados no segmento de locação. Em segundo lugar, está Praia Grande, “com uma procura fantástica nos últimos dez anos”, segundo ele, seguida de Guarujá. Na avaliação de Viana, em Santos, como em outras cidades, há problemas por conta das locações de veraneio, pois é uma cidade muito procurada, o que acaba impedindo que o proprietário disponibilize o imóvel para locação residencial. Com isso, o número de unidades ofertadas diminui, agravando a situação em toda a região.