O aluguel por temporada pela plataforma Airbnb, principal aplicativo de compartilhamento de imóveis, movimentou R\$ 113,2 bilhões no País no ano passado, contribuindo com R\$ 62,8 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) e sustentando 703,9 mil empregos. O balanço foi divulgado em momento de onda de ações de condomínios que questionam as locações desse segmento. Os dados são do estudo Impactos e Benefícios Econômicos do Airbnb no Brasil, elaborado pela FGV Projetos, da Fundação Getulio Vargas, com base em números do ano passado. O levantamento estima a geração de R\$ 31,7 bilhões em renda e de R\$ 9 bilhões em tributos diretos. A movimentação em 2025 representa crescimento de 13,4% sobre 2024. O estudo mostra que os efeitos da atividade ultrapassam os gastos com acomodação e se espalham por diferentes segmentos da economia. Para cada R\$ 10,00 gastos com acomodações na plataforma, outros R\$ 45,00 foram movimentados em atividades no entorno, como alimentação, comércio, transporte e entretenimento, conforme a FGV Projetos. Receita dos anfitriões O modelo também evidencia que os gastos dos hóspedes representam 85% do impacto total, enquanto os recursos obtidos pelos anfitriões e posteriormente recirculados na economia respondem pelos 15% restantes. Segundo a análise da FGV Projetos sobre a plataforma, esse efeito multiplicador contribui para dinamizar as economias dos destinos turísticos. O estudo mostra que o impacto se distribui principalmente pelo setor de serviços, que responde por 57,9% da movimentação, seguido pelo comércio, com 24,8%, pela indústria, com 14,8%, e pela agricultura, com 2,5%. O levantamento destaca ainda que a renda gerada pelos anfitriões (donos dos imóveis disponibilizados para a locação) não permanece restrita ao turismo, alcançando despesas com comércio, alimentação, serviços, transporte, moradia, saúde, educação, telecomunicações e serviços financeiros. Um dos destaques do levantamento é a descentralização dos benefícios econômicos, conforme a FGV Projetos. Embora as grandes cidades concentrem parcela relevante da atividade, uma parte expressiva da movimentação ocorre fora dos principais polos turísticos. No Estado de São Paulo, R\$ 22 bilhões (65,3% da movimentação estadual) da receita com a locação ocorreram fora da Capital. No Sudeste, 59% dos R\$ 61,5 bilhões movimentados pela atividade se deram no interior paulista, fluminense e mineiro, sem considerar suas respectivas capitais. Em resposta para A Tribuna, a plataforma digital Airbnb afirma que ainda não há dados específicos para Santos e Região Metropolitana da Baixada Santista. A empresa, entretanto, destaca a importância da locação de curta temporada à economia local. “É um impacto que alcança todo o ecossistema de comércios e fornecedores locais que dependem dessa renda. Além disso, a maioria dos anfitriões tem na locação por temporada uma renda extra para pagar suas contas no fim do mês, incluindo garantir a adimplência com as contas condominiais”, diz a empresa, fundada em São Francisco, nos EUA, em 2007. Impacto nas capitais Entre as cidades analisadas pela FGV, o Rio de Janeiro apresentou o maior impacto econômico decorrente das locações do Airbnb, com R\$ 12 bilhões no ano passado, além de R\$ 6,73 bilhões em contribuição para o PIB e 73.455 empregos. São Paulo registrou R\$ 11,67 bilhões, enquanto Florianópolis (SC) alcançou R\$ 5,05 bilhões. Também se destacaram Salvador (BA) e Curitiba (PR), ambas com R\$ 2,12 bilhões, além de Brasília, João Pessoa (PB), Fortaleza (CE) e Belo Horizonte (MG).