A falta de sintonia entre os governos Federal, Estadual e Municipal foi debatida no 1º Encontro Porto & Mar, promovido pelo Grupo Tribuna (Alexsander Ferraz/AT) Os números impressionam: cerca de R\$ 40 bilhões estão previstos em investimentos nos próximos cinco anos para obras, em projetos simultâneos e ligados ao Porto de Santos, como o túnel imerso Santos-Guarujá, o Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10 e a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes. Apesar da quantidade, falhas no planejamento para a execução dos projetos podem causar efeito inverso. O descompasso entre os governos Federal, Estadual e Municipal foi alvo do debate no 1º Encontro Porto & Mar 2026, realizado nesta quinta-feira (26) pelo Grupo Tribuna. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O secretário de Governo de Santos, Fábio Ferraz, defendeu que haja uma agenda única entre o público e o privado, desprendida de interesses políticos. “Não temos como pensar que essa agenda não seja concretizada. É uma oportunidade que temos para isso. Aquilo que já está planejado precisa ser executado. Se isso não acontecer, ou boa parte disso, nos próximos cinco anos, a Cidade fica quase que inviabilizada e naturalmente o Porto sofre e muito”, afirma. O CEO da Bandeirantes Deicmar, Washington Flores, lembrou que Santos já está parada com os gargalos viários existentes. “Se todos os projetos saírem ao mesmo tempo, vira uma situação caótica. Então, não sei se torço para sair ou não. Precisamos muito de todos eles”, observa. A empresa criou hubs de entrega fora da Cidade para driblar isso. “O nosso primeiro, em Cajamar (SP), era para estar com a capacidade esgotada em maio, mas isso aconteceu em janeiro. E estamos abrindo outro em São Bernardo do Campo. Levamos no contrafluxo do trânsito, de madrugada. No dia seguinte, meu cliente retira sem ter que passar pelos nossos problemas de acesso viário (de Santos)”. Entraves e erro O CEO da DP World Brasil, Fabio Siccherino, chamou a atenção para os entraves, como os ambientais, e pede que o empresário seja visto como um grande facilitador para tirar as obras do papel. “Elas são estruturantes e importantes para a sociedade e o País. Mas muitas vezes vemos, quando vamos tentar convencer os órgãos, de que eles estão fazendo um favor para a gente. Acho o contrário: é o empresário que está investindo e acreditando no País, no Porto de Santos. Precisamos de celeridade e de política de Estado que garanta a continuidade”, argumenta. O CEO do Porto Itapoá (SC), Ricardo Arten, considera um erro discutir problemas centenários, de décadas e de curto prazo ao mesmo tempo. “Isso passa por um problema não apenas de planejamento, mas de priorização daquilo que nós queremos e devemos fazer. Tem o túnel, o Tecon Santos 10, os acessos para acontecer. Não vamos conseguir resolver isso em cinco anos. Esqueçam”, adverte. Ideia geral e coordenação O diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Jesualdo Silva, analisa que esse descompasso não é somente do setor portuário, mas de todas as instâncias da prestação do serviço público. “A União faz um planejamento sem conhecer direito as necessidades locais e passa a responsabilidade da execução para os estados e municípios que não têm, por vezes, capacidade técnica administrativa e financeira para aquilo. Então isso faz com que o planejamento e a execução se distanciem cada vez mais. E o setor portuário sofre muito com isso”, detalha. A gerente da coordenação da fiscalização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Flávia Pontilhão, pede coordenação em prol de soluções. “Não adianta achar que vamos encontrar um resultado diferente fazendo sempre a mesma coisa. Precisamos de uma mudança de mentalidade”, afirma.