Os custos logísticos no Brasil continuam sendo fortemente impactados pelas deficiências da infraestrutura nacional. A avaliação é da executiva do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), Monica Barros. Segundo a especialista, as ineficiências na malha de transportes e nos acessos aos terminais sobrecarregam diretamente as cadeias produtivas do País. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “De fato, a conta chega. A indústria, o País, o agronegócio vão utilizar os serviços e pagar essa conta. A pergunta é: o quanto a gente pode estar deixando a carga mais cara pela ineficiência de acesso aos nossos portos?”, questiona. Monica falou sobre o tema durante o 2º Encontro Porto & Mar, promovido pelo Grupo Tribuna no último dia 22, no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. A executiva do Ilos destacou que os custos logísticos no Brasil chegam a representar cerca de 10% da receita das empresas, o que exige um esforço grande de planejamento que muitas vezes é corroído por deficiências da malha pública de transporte. “Para a indústria ou para o agronegócio, é um custo considerável. Se (a empresa) está tendo que fazer mais estoque em um elo da operação para sustentar uma ineficiência dentro da logística do País, acaba perdendo essa competitividade”. Para Monica, a falta de conectividade ferroviária e hidroviária compromete o escoamento da produção nacional. “Quando a gente não tem uma ferrovia aderente que conecte os portos, prejudicamos também toda a logística de escoamento. Quando não temos os investimentos na hidrovia, como na Região Norte do País, os armadores não vão poder fazer com que a carga circule. E, naturalmente, as cargas vão migrando de um porto para o outro”. Problema público A especialista explicou que, mesmo com avanços e investimentos privados dentro dos terminais, a infraestrutura pública de acesso ao redor continua sendo um gargalo determinante para o usuário da carga. “Se não pudermos criar a infraestrutura para que a carga viaje de forma adequada, se não conseguirmos atrair mais serviços internacionais que escalem nos nossos portos de forma eficiente, a gente acaba perdendo competitividade, seja para atender o mercado doméstico, seja para fazer movimentações internacionais”. Segundo Monica, a falta de equilíbrio entre os modais força caminhos ineficientes e sobrecarrega a malha com decisões baseadas apenas em benefícios tributários. “Não temos uma logística eficiente. Cada indústria, cada grupo de produtos tem uma determinada característica com mais afinidade com um determinado modal. Quando não há disponibilidade de modais, isso gera um problema e um aumento de custos”. Por fim, ela apontou que o futuro do setor exige encarar a logística de forma integrada, com foco no resultado global e não apenas local. “A logística do futuro tem que ser mais eficiente do ponto de vista de entrega, porque, efetivamente, a logística passará a ser o ponto principal na decisão de onde e como as empresas vão distribuir as mercadorias”.