Para Washington Flores, obras são essenciais (Alexsander Ferraz/AT) Em meio a tantas obras de infraestrutura projetadas de forma simultânea em Santos, com diferentes esferas de poder envolvidas e que implicam em crescimento do fluxo de caminhões rumo ao Porto, o CEO da Bandeirantes Deicmar, Washington Flores, julga fundamental que a Prefeitura de Santos assuma o protagonismo desse momento para que a população da Cidade não sofra com as consequências. O descompasso entre os governos Federal, Estadual e Municipal foi alvo do debate no 1º Encontro Porto & Mar 2026, realizado na última quinta-feira no Grupo Tribuna. A mediação foi do consultor para assuntos portuários e apresentador Maxwell Rodrigues. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “É importantíssimo que a Prefeitura de Santos participe na formatação desses projetos. É essencial que essas obras saiam, mas que isso aconteça somente com a Prefeitura dizendo o que tem de ser feito para que elas sejam viáveis”, afirma Flores, um dos integrantes da discussão. “Não adianta, por exemplo, a gente ter o novo Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10 e não chegar o contêiner que tem de ir para lá”, emenda. O secretário de Governo de Santos, Fábio Ferraz, argumentou que a Administração possui capacidade técnica e de diálogo em termos de gestão de investimentos, mas tem de “combinar com o Estado e a União”. Ele acredita que dificilmente os dois entes iriam abrir mão da gestão dos projetos. “Os recursos estão concentrados neles e não na Prefeitura. Ela não tem capacidade executiva para isso, porque ela não é a gestora dos recursos. Não vai resolver”, explica. “Sessenta por cento do nosso ISS (Imposto Sobre Serviços) advém da atividade portuária e, por isso, queremos mais é incentivá-la, mas mantendo o equilíbrio para não impactar a população de forma danosa”, acrescenta. Fábio Ferraz: Prefeitura não gere os recursos (Alexsander Ferraz/AT) Lamento e conjunto O CEO do Porto Itapoá (SC), Ricardo Arten, lamentou as ausências de alguns políticos na parte das discussões técnicas do evento, na qual ele foi um dos debatedores. Prefeitos que discursaram na abertura do encontro deixaram o local antes do início do painel. “Isso incomoda muito porque, na hora em que nós temos a oportunidade de passar essas informações, colocar soluções e aquilo que realmente machuca o empresário, eles não estão mais aqui”, comentou. Ricardo Arten criticou ausência de políticos (Alexsander Ferraz/AT) O executivo foi aplaudido após a fala O diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Jesualdo Silva, avalia que a coordenação teria que ser conjunta e que não seria possível jogar essa liderança apenas para a Cidade. “Tem que ter representante da União, do Estado e do Município. E até para fazer o cronograma. São obras, algumas necessárias para destravar o Porto, enquanto outras, em função do planejamento interno do próprio complexo portuário, remanejamento, essa coisa toda, que poderiam até, eventualmente, rever as melhores condições”, afirma. Jesualdo Silva defende coordenação conjunta (Alexsander Ferraz/AT) Coordenação e sugestão O CEO da DP World Brasil, Fabio Siccherino, recomendou que o desafio do Porto de Santos não é crescer, mas realizar isso com integração e coordenação das esferas municipal, estadual e federal. “Disputo o recurso de alguns bilhões de reais para investir aqui em uma obra. Vou até Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e convenço todos para isso. O cara pega o dinheiro e reserva. Passa um, dois, três anos e não uso o dinheiro por questões de licenciamento ambiental. Ele vai falar que está perdendo dinheiro e que se tivesse colocado na Índia tinha rendido muito”, exemplifica. Fabio Siccherino: sem demora nos recursos (Alexsander Ferraz/AT) A gerente da coordenação da fiscalização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Flávia Pontilhão, sugeriu o Conselho de Autoridade Portuária (CAP) como um fórum que reunisse os envolvidos para discutir, planejar e priorizar. O CAP é um órgão consultivo da administração do Porto. Flávia Pontilhão quer empoderar o CAP (Alexsander Ferraz/AT) “Talvez precisássemos dar efetividade, empoderá-lo e respaldar suas decisões ou opiniões”, justifica.