O homem, o charuto e os negócios!

" Nossos líderes precisam ajudar a formar novas lideranças para o setor portuário."

Por: Maxwell Rodrigues  -  12/10/22  -  07:00
O homem, o charuto e os negócios!
O homem, o charuto e os negócios!   Foto: Imagem Google

Cresci vendo imagens e ocasiões em que homens bem-sucedidos, tipo Winston Churchill, fumavam charutos em suas reuniões e até no cinema isso era retratado. Quem nunca presenciou essa cena e imaginou o quanto poderoso era essa pessoa?. Fico até um pouco nostálgico em pensar como o tempo passa rápido e como as referências mudam ao longo do tempo.


Acreditar que grandes líderes do nosso setor ou de qualquer outro estejam hoje associados a essa imagem chega a ser retrógado, pois no nosso universo de constante mudança não é permitido mais indivíduos, atitudes e ideias conservadoras.


Essa reflexão teve início em mais um dos longos debates que presenciei e que orbitam a política atual, onde uns olham para o futuro e outros querem manter o passado a qualquer preço.


Hoje, a imagem de grandes líderes está associada ao desprendimento e em envolver equipes e colaboradores com uma visão que possa compreender todas as variáveis do entorno. É indispensável que uma nova liderança saiba dar voz para a criatividade e, principalmente, para a experimentação. Os exemplos atuais são de líderes que não usam mais terno e gravata e que priorizam qualidade de vida e a gestão horizontalizada com foco em resultados. A gestão verticalizada e com excesso de corporativismo não atrai as novas gerações.


Os grandes homens de negócio do passado deram sua contribuição inestimável, mas uma pergunta importante em particular não consigo responder: Os homens do charuto estão ajudando a formar novos líderes? Quem são as novas lideranças do setor portuário brasileiro?


Trabalhar nessa era tecnológica exige muita agilidade, desprendimento, processos inteligentes e uma régua alta de exigência para validar projetos eficientes que acompanhem as transformações dos negócios e do mundo.


Estamos hoje no meio de uma avalanche de transformações dentro do comex e dos portos.


Precisamos criar engajamento da nova geração e tornar o dia a dia agradável e desafiador ao mesmo tempo. Sem isso a nova geração não dá “like” e não permanece nas empresas. O discurso precisa estar alinhado com a prática e inspirar confiança acima de tudo.


Nessa revolução, como iremos garantir que a experiência do passado seja transferida para o cidadão de hoje, que tem um desejo frenético por mudanças do presente e do futuro?


Acredito que nossa geração está tão atordoada que não consegue formar novos líderes. Os antigos, com receio de transferir conhecimento e com apego em metodologias que funcionaram no passado, mas que não possuem aderência com o presente. Os mais novos, por sua vez, desapegados dos modelos tradicionais e burocráticos, querendo viver o hoje e acreditando que o futuro é o dia depois de amanhã.


Em uma conversa com um grande empreendedor com menos de 30 anos, uma colocação me assustou: “O compliance é uma maneira moderna dos antigos justificarem a amada burocracia, o mundo tem pressa e eu também”. Discordo em partes, mas ouvir uma colocação dessas de quem está crescendo, faturando e investindo nesse mundo disruptivo me faz pensar.


Nossos representantes precisam ajudar a formar novas lideranças e referências para o porto para que, assim, tenhamos exemplos concretos para essa geração que chega. Caso isso não aconteça, corremos o risco de continuar alimentando uma imbecilidade proibicionista sem fronteiras!


“Tudo pode até que não afete meus interesses, se afetar não deixarei fazer”.


Aquele que não teve êxito ao tentar fazer também não deixará aquele que não deixou fazer, fazê-lo e, assim, ninguém fará nada!


Está tudo liberado e ao mesmo tempo proibido. A nova geração quer fazer, estão no seu DNA a tentativa e o erro.


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