[[legacy_image_153599]] A Inglaterra abandonou, na ultima quinta-feira (17), quase todas as últimas restrições impostas contra a variante Ômicron do coronavírus, graças a um governo esperançoso de que a população conviva com a covid-19 como faz com a gripe. Isso, por sinal, é algo que tende a se espalhar pelo mundo todo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Contudo, no Brasil, a pandemia ainda é alvo de perseguições políticas partidárias, de lados fervorosos na luta pela razão. Fruto de um ano instável, devido às eleições que já batem em nossa porta - muitos têm este sentimento. Quem nunca se deparou, nos últimos tempos, com eventos lotados e com milhares de pessoas, com pouca gente utilizando máscara do lado de fora ou nem mesmo se valendo da proteção facial no lado interno, utilizando-a somente para o ingresso no local? Ouvimos brincadeiras de que o vírus só pega no acesso aos eventos. Durante e na saída, "não existe" contaminação. Isso sem contar trens, ônibus e outros meios de transporte completamente abarrotados, sem cumprir protocolos. Será hipocrisia? Hipocrisia designa moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos. Um exemplo clássico de ato hipócrita é denunciar alguém por realizar alguma ação enquanto você faz a mesma coisa. Hipocrisia é pretensão ou fingimento de ser o que não é. Nos aeroportos, pessoas que possam estar infectadas viajam dentro do território brasileiro sem nenhuma restrição ou exigência de testes. Observa-se o distanciamento na hora do embarque, em alguns casos, depois sentamos lado a lado, pela limitação da própria aeronave. Nos parques aquáticos, hotéis e resorts, não existe exigência de testes antes ou depois do check-in e do check-out e, nesses locais, aparentemente tudo segue dentro da normalidade. Isso pode nos acalmar e mostrar que a pandemia já está sob controle, pois estas liberações, mesmo que com pequenas restrições, já dão sentido a uma retomada da vida normal. Com muita cautela, mas retomando! O que ainda nos preocupa é o foco exclusivo nos cruzeiros, com protocolos bem diferentes de todos os outros segmentos. Precisamos avisar as autoridades que os protocolos dos outros segmentos estão funcionando e já hora de rever o dos cruzeiros também. Dar condição de igualdade ou realizar estudos estruturados para exigir ou não certas condições. Novas cepas podem aparecer, mas a supervisão deve ser contínua e com acompanhamento bem de perto. Só que proibir não é a solução. A mão estava e está muito pesada com o setor de cruzeiros. Por que não navegar? Por que as pessoas não podem trabalhar? Por que podemos pegar um avião, mesmo que contaminado, e não podemos embarcar, ainda que testado e negativado? Nesse período, já ouvi tantos motivos e dúvidas, mas até agora ninguém conseguiu dar uma resposta clara. A vacina já mostrou sua eficácia, todos os passageiros a bordo dos cruzeiros são obrigados a estar vacinados, testados e menos de 1% da população embarcada nessa temporada teve sintomas, além do volume de internações ser zero, segundo dados divulgados. Alguém pode avisar que já é hora de retomar os cruzeiros no Brasil? Ou pedir que avaliem a falta de cumprimento em outros setores que estão trabalhando com força total? Nessa dicotomia, os cruzeiros são o mal e todos os outros setores o bem. Dividimos a pandemia em dois elementos quando se trata de turismo? Os que podem trabalhar e os cruzeiros, que nada podem? Alguém pode avisar que precisamos resolver essa questão imediatamente?