Enxergar a operação portuária de forma integrada, conectando segurança, sustentabilidade, regulação, gestão de riscos e eficiência, é o principal diferencial que Fernanda Machado leva para sua atuação no setor. Coordenadora de Sistema de Gestão Integrada (SGI) da Eldorado Brasil Celulose, ela acumula experiências nas áreas pública e privada, o que permite analisar os desafios dos portos sob diferentes perspectivas. “A operação portuária é um ambiente onde tudo está conectado. Não existe decisão isolada”, afirma. Para Fernanda, uma mudança operacional pode afetar diretamente a segurança, o meio ambiente, a relação com órgãos reguladores e, consequentemente, a competitividade de um terminal. Ao longo da carreira, ela atuou em frentes relacionadas à sustentabilidade, segurança patrimonial, relações regulatórias e institucionais e participou de projetos de modernização e transformação digital dos portos públicos. Segundo ela, eficiência não significa apenas movimentar cargas com rapidez, mas fazer isso “com previsibilidade, conformidade, gestão de riscos e responsabilidade”. Essa visão também orienta seu trabalho na Eldorado, onde sustentabilidade e gestão operacional caminham juntas. Para Fernanda, a agenda ESG é estratégica para os negócios. “Sustentabilidade não é uma agenda paralela à operação. Ela passou a fazer parte da forma como o negócio é gerido”. Na avaliação da executiva, operações mais seguras, eficientes e estruturadas também são mais sustentáveis. Ela cita como exemplo o reconhecimento obtido pela empresa com o Selo Diamante do Pacto pela Sustentabilidade, do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). “Encaramos como consequência de uma gestão consistente”, ressalta. Tecnologia e inovação Fernanda considera a transformação digital fundamental para o futuro dos portos. Ela participou de uma fase importante da evolução do Porto sem Papel e acompanhou iniciativas relacionadas ao Portal Único de Comércio Exterior, ao redesenho de processos, ao Port Community Systems (PCS) e ao VTMIS (controle e gerenciamento de tráfego). Para a coordenadora de SGI, o avanço tecnológico não deve ser medido apenas pela quantidade de ferramentas utilizadas. “A transformação digital dos portos nunca foi sobre substituir papel por computador. O verdadeiro ganho foi fazer a informação chegar à pessoa certa, no momento certo”, afirma. Na visão dela, o terminal mais competitivo não é necessariamente aquele que tem mais tecnologia, mas o que consegue transformar informação em decisão. Perspectivas Fernanda diz que os ambientes público e privado perseguem o mesmo objetivo: um sistema portuário seguro, eficiente e competitivo. “As melhores soluções aparecem quando conseguimos construir pontes entre quem formula políticas públicas e quem executa as operações diariamente”. Mulheres Para Fernanda, a diversidade amplia a capacidade das empresas de enfrentar problemas complexos e encontrar soluções equilibradas. “As organizações tomam melhores decisões quando conseguem reunir profissionais qualificados, com diferentes experiências, formações e visões de negócio”, afirma. Ela ressalta que a presença crescente de mulheres em cargos de liderança representa uma evolução importante para o setor. Entretanto, afirma que competência e liderança não devem ser associadas a gênero. Sobre o futuro, Fernanda acredita que a logística será cada vez mais integrada, conectada e orientada por dados. Nesse cenário, mulheres devem conquistar espaço crescente em posições estratégicas. “Espero que, daqui a alguns anos, a presença de mulheres em posições estratégicas deixe de ser uma exceção ou um tema de discussão. Que passe a ser simplesmente o reflexo de um setor que reconhece e desenvolve talentos pela competência, pelo conhecimento e pela contribuição que cada profissional pode oferecer”.