Para Aline Carvalho, ambientes de trabalho mais seguros e produtivos passam por incentivo à transparência (Alexsander Ferraz/AT) O mercado de trabalho atual exige a união de mulheres na promoção do protagonismo e no avanço da diversidade, o fim da linearidade na construção de carreira e a transformação do líder tradicional naquele que dá voz ao coletivo. Com esse pensamento, a diretora de Gente, Gestão e Frota da Norsul, Aline Carvalho, abriu, nesta terça-feira (5), o 1º Encontro Mulheres a Bordo 2026. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Na palestra “Construção de carreira: formação e desenvolvimento em um mundo em constante reconfiguração”, a executiva destacou que o avanço da diversidade passa pela ação coletiva das mulheres. “A grande revolução vai acontecer a partir da união das mulheres. (...) Assumam o protagonismo do caminho de vocês”. Quanto à mudança de conceitos no meio corporativo, Aline pontuou que o cenário atual rompe com a lógica binária que historicamente orientou decisões no mundo do trabalho. “Você vai ter uma corrente dizendo ‘é muito bom’, enquanto outro diz que ‘é muito ruim’. Pode ser boa e pode ser ruim. A gente não foi moldado para essa ambiguidade. A gente gosta de falar: ‘é certo ou errado’. A gente tem dificuldade com a zona cinzenta e tem cada vez mais zona cinzenta”. Fragilidade e imprevisibilidade Segundo ela, esse ambiente é potencializado por sistemas que parecem estáveis, mas na prática são frágeis e imprevisíveis. “Acontece uma guerra, hoje, desestabiliza o mundo inteiro. Um post viral pode destruir a reputação de uma empresa de décadas de trabalho”, exemplificou, ao destacar a quebra da relação linear entre causa e efeito. “Esse é o nosso pano de fundo, esse é o mundo que a gente está imerso, que dá um certo nervoso. Mas é isso que a gente tem”. Para Aline, o problema é que empresas e profissionais ainda operam com modelos ultrapassados, herdados da era industrial. “Quem quer mudança? Todo mundo. Quem quer mudar? Ninguém”. Ela criticou práticas como planejamento estratégico rígido e metas anuais que rapidamente se tornam obsoletas. “Não dá mais para pensar o futuro olhando para trás”, disse, ao relatar a dificuldade de manter orçamentos atualizados diante de um cenário volátil. Outro ponto central foi a desconstrução do modelo tradicional de liderança. A executiva questionou o arquétipo do líder ideal. Para ela, o protagonismo deve ser coletivo. “Qual é o papel do líder? Sair de cena. Deixar a energia do coletivo”. Transparência Aline Carvalho também defendeu a transparência como base para ambientes mais seguros e produtivos. “Estamos todos nus na empresa, está todo mundo vendo o que todo mundo está fazendo. Se esquivar de ter conversa difícil não resolve o problema”, disse. Na visão dela, segurança psicológica não significa conforto, mas a possibilidade de enfrentar diálogos difíceis com confiança. “É tão seguro aqui no ambiente que eu tenho confiança de que vou ter conversas muito duras”. Desenvolvimento No campo do desenvolvimento profissional, a executiva reforçou que o aprendizado contínuo deixou de ser diferencial para se tornar condição básica de sobrevivência. Ela destacou o impacto da inteligência artificial, que não se limita a tarefas operacionais. “Ela não está automatizando só o burocrático, todas as carreiras serão impactadas”. Nesse contexto, a executiva frisou que, no mercado atual, profissionais com habilidades como resiliência, pensamento crítico e adaptabilidade se destacam. Ao abordar carreira, Aline propôs uma ruptura com a ideia de trajetória linear. “A carreira se manifesta como um percurso único, múltiplo e dinâmico”, definiu, complementando que “mais do que seguir uma escada corporativa, é preciso construir caminhos autorais, com espaço para mudanças, experimentações e até recuos. Não espere ser convidada, vá lá e se meta”. Ao encerrar, a diretora da Norsul deixou um recado ao público: mais do que buscar respostas prontas, é preciso cultivar o incômodo e a reflexão. “A ideia é a gente sair daqui com incômodos”, concluiu.